Atividades relacionadas à Arquitetura da Informação de mídias digitais:

Definir o universo informacional do ambiente a ser criado, com a identificação das principais informações a publicar, das principais funcionalidades a implementar, de acordo com os objetivos do projeto, sem ainda prestar muita atenção em “rótulos”, “títulos”, ou os canais e formatos a serem criados.

Sistematizar esse contexto visando ao projeto a realizar, verificando que unidades de informação e funcionais têm mais importância em cada canal, fazendo seleções partir das motivações dos usuários, dos objetivos de negócios, de modas e tendências sociais. Este processo inclui também a internalização crítica de conceitos e atitudes, habilidades necessárias à compreensão e interação dinâmica com o universo informacional.

A metodologia empregada neste processo de exploração varia bastante, pode gerar uma planilha de possíveis seções com as motivações dos usuários, um mapa conceitual com rótulos soltos ou encadeamentos preliminares, uma ontologia que resuma o contexto semântico-funcional-comercial do ambiente informacional, um conjunto de post-its sobre um quadro branco com setas em conexões possíveis entre as unidades.

Este exame de “território” procura levantar questões como quais a principais motivações sobre um assunto pelo público-alvo, o que já foi feito, como criar uma abordagem inovadora. Permite que cada assunto seja identificado em seu contexto de uso, bem como o melhor tipo de abordagem em cada canal.

Classificar as informações em blocos (esquemas), já com a organização de menus e barras de navegação em perspectiva, em ordem contextual, lógica e de consenso, relacionada aos modelos mentais dos usuários. Mesmo que os rótulos ainda não sejam definitivos, essa classificação, com a priorização de uns rótulos sobre outros, permite a visualização de padrões que facilitam a construção de narrativas interativas.

Este é um bom momento para realizar testes dos percursos dos usuários. Testes com cartões (card sorting, online ou offline) ou com protótipos em papel permitem criar uma ideia geral da disposição das informações de modo simples e barato. Permitem a compreensão dos modelos mentais de pessoas representativas do público do canal – para aperfeiçoar percursos e as primeiras versões dos rótulos -, bem como a suavização da visão subjetiva dos projetistas.

Em testes de card sorting, os usuários fazem agrupamentos das informações de acordo com sua percepção e fazem os percursos da navegação com os rótulos sugeridos. Diante de um grande conjunto de items, sua perspectiva neste momento é bastante diferente daquela com que usarão o canal, baseada nas tarefas que terão que realizar. Mas já se pode fazer uma ideia de seus modelos mentais naquele contexto.

Em testes de protótipo de papel, apresenta-se uma estrutura pré-definida aos usuários e pede-se a realização de tarefas. Anota-se os percursos, comportamentos e verifica-se se os itens ou tarefas em questão localizados ou realizados.

É importante comparar as prioridades estabelecidas pelos projetistas e pelos usuários. Na maioria dos casos, são diferentes. Será preciso examinar os fatores que serão dominantes em cada caso: usuários ou equipe interna? Como contemplar as necessidades de todos? Os tópicos que contemplam os interesses dos usuários podem ficar em menus destacados e os das necessidades institucionais em menus secundários?

Estruturar as relações entre os blocos de informações (estruturas de organização). Estabelecer relacionamentos e hierarquias dentro de cada bloco, de acordo com as características das informações, para facilitar a navegação e a construção de sentido – quanto menos links o usuário precisar selecionar entre páginas, melhor a orientação interna e menos dispersão em relação a outras opções de percurso.

Garrett (2003) define a navegação global como a composta pelos links para a página Principal e as principais categorias da taxonomia; a navegação local é a que provê acesso para as páginas do mesmo nível e elementos subordinados; a navegação suplementar (como os “links relacionados”) provê atalhos para conteúdo não diretamente acessável pela taxonomia principal; e a navegação “de cortesia” é a que contém links para páginas de conveniência como informações para contato e declarações de políticas internas e termos de uso.

Classificar as informações em blocos

O exemplo acima organizava as informações tanto da barra de navegação quanto da área de conteúdo em blocos temáticos, de modo a facilitar a localização de informações a partir de diferentes necessidades e critérios. Os títulos de cada bloco de informações, tanto nas barras de navegação quanto nas áreas de conteúdo sinalizavam claramente as áreas principais e as áreas secundárias.

Nos diferentes modos de navegação, as informações são acessadas tanto por seus aspectos objetivos quanto subjetivos (passíveis de interpretação); os relacionamentos entre níveis e blocos de informações facilitam a localização de assuntos que o usuário muitas vezes não explicita.

Avaliar a necessidade de criar mapas conceituais e taxonomias, o que pode alterar as etapas seguintes em relação aos contextos de informação.

Desenhar o mapa do site, diagrama de informações com uma visão topológica das relações entre principais áreas de informações e entre a extensão e a profundidade a partir da página Principal. Os diagramas de informações permitem o estabelecimento dos principais percursos dos usuários em cada canal.

Elaborar o design estrutural (wireframe) para visualizar as relações entre as informações e os percursos para chegar a cada uma. O design estrutural inclui também a descrição e a representação gráfica das principais funcionalidades do sistema.

Em alguns projetos, para simplificar o processo geral, o protótipo funcional (abaixo) é realizado também com função de wireframe.

Confeccionar um protótipo funcional, com os rótulos e links das páginas principais, a ser testado com usuários representativos do público-alvo (em papel, HTML ou com programas que permitam a estruturação entre arquivos com hiperlinks).

Este é um momento adequado para realizar testes dos percursos dos usuários em cada canal. Testes com cartões (card sorting ou “cartões para seleção”, podem ser realizados também online) ou com protótipos em papel permitem uma ideia geral sobre a organização das informações de modo simples e barato. Permitem a compreensão de modelos mentais de pessoas representativas do público, para aperfeiçoar percursos e os rótulos atribuídos, bem como suavização das impressões subjetivas que os projetistas imprimem ao sistema de classificação.

Nestes testes, os usuários agem sobre as informações de acordo com sua percepção e percorrem os percursos da navegação através das cartas ou páginas com os rótulos escritos.

O protótipo permite o toque e a interação com uma interface real e provê resposta mais realista do que a documentação estática sobre a estrutura de informações.

Permite também que os patrocinadores (sponsors) do projeto compreendam o resultado vendo algumas das funcionalidades sem precisar ler longos documentos. Além de uma ferramenta de teste, o protótipo é uma ferramenta de comunicação.

Pode-se unir a elaboração de wireframes e do protótipo funcional por meio de wireframes interativas. Estas também permitem a visualização da relação entre páginas e a realização de testes de usuários.

O protótipo deve conter o detalhamento das funcionalidades da interface, seja o funcionamento de formulários, ou o funcionamento de processos automatizados. Nestes modelos, deve-se prever as situações que estarão presentes no produto final, de modo a orientar os desenvolvedores durante a produção.

Validar a estrutura de navegação a partir dos resultados dos testes, verificando as chances dos usuários realizarem as tarefas a que se propõem ao acessar o canal. Os caminhos para a criação de valor estão claros e óbvios? (ver Sentido de localização) Há caminhos para facilitar a compra de produtos? Para facilitar a localização destes produtos? Para fazer reclamações ou trocas?

Ajustar a estrutura, refinando os “rótulos” ou “títulos”, as subordinações, verificando sua adequação à linguagem habitualmente utilizada pelos usuários. Um nome ou expressão utilizada nos rótulos pode servir de chave para sua localização em buscadores e é pensado como uma representação simbólica genérica do conteúdo informativo.

Outras atividades da arquitetura da informação

Definir um enfoque conceitual e editorial para o conteúdo a ser publicado, em torno do qual as informações serão estruturadas. Pode levar em conta a análise das estatísticas de acesso de site existente, que mostra o que os usuários procuram e ajuda a estabelecer prioridades. O enfoque conceitual permite o estabelecimento dos principais modelos (templates) de interfaces necessários para o veículo.

Criar índices em ordem alfabética, de palavras-chave a partir de vocabulários controlados, para a orientação de usuários que procuram informações precisas, se necessário.

Esta atividade não é considerada na maioria dos projetos de sites, mas é útil para facilitar a indexação pelas ferramentas de busca, a priorizar os links nas páginas de resultados (SEO) e orientar usuários que saibam exatamente as informações que estão procurando.

Checar a qualidade da arquitetura da informação de acordo com requisitos pré-estabelecidos ou lista de referência já existente.

Planejar a escalabilidade ou as transformações futuras do site de acordo com transformações da organização/produto/serviço/área de atividade e das demandas dos usuários.

É importante considerar a mudança das características do conteúdo ao longo do tempo, para que a estrutura geral possa acompanhá-la.

Sites cujo conteúdo é em grande parte criado ou estabelecido por contribuições dos visitantes, precisam de vigilância permanente para que a estrutura informacional e funcional se mantenha adequada ao uso de acordo com as tendências e demandas dos visitantes/colaboradores.

Exemplos: Del.icio.us, Everything2, wikis, alguns blogs

(Atualizado em 7.2.2017)

 

Referências

→ Livro: Ergodesign e arquitetura de informação, trabalhando com o usuário – como melhorar a usabilidade de seus projetos na internet, Luiz Agner. Rio de Janeiro: Quartet, 2006

Livro: Information architecture for the World Wide web, designing large-scale websites, de Louis Rosenfeld e Peter Morville. O’Reilly, 2003

Analysing the results of a websort study, Larry Woods (PDF, Websort, acesso em 9.8.2008)

Cluster analysis (Statsoft, acesso em 9.8.2008)

Information architecture heuristics, Louis Rosenfeld (LouisRpsenfeld.com, acesso em 9.8.2005)

Measuring the success of a classification system (Boxes and Arrows, acesso em 7.5.2007)

 

Ferramentas

→ Card sorting analysis spreadsheet (MaadMob, acesso em 8.4.2015)

UxSort ferramenta de card sorting (acesso em 20.6.2012)

WebSort.net ferramenta de card sorting (acesso em 14.7.2009)

Optimal sort ferramenta de card sorting (acesso em 20.2.2009)

Treejack ferramenta de card sorting (acesso em 20.2.2009)

Teste de protótipo funcional: Chalkmark (acesso em 20.2.2009)

 

Termos utilizados

Relevância – Seleção de informações úteis, pertinentes para uma necessidade de informação. Um documento é relevante se contribui para satisfazer a necessidade de informação de um determinado usuário. É um termo aplicado às buscas online, que procuram situar os resultados mais relevantes no alto das listas de resultados.

Revocação – Capacidade de um sistema de arquivamento digital de recuperar documentos/ informações relevantes.