De modo geral, a expressão “negócios eletrônicos”, ou e-business, se refere à realização de processos comerciais com o uso de ferramentas online. Inclui o relacionamento entre parceiros comerciais, bem como a prestação de serviços a clientes, a participação em pesquisas e desenvolvimento de produtos, a realização de transações comerciais automatizadas.

A IBM foi uma das primeiras grandes companhias a usar o termo “e-business”, em 1997. E foi também uma das primeiras a usar o conceito para reestruturar sua estratégia de negócios. Atualmente, aplica a estratégia de negócios eletrônicos junto com a de negócios “sob demanda” (on demand), realizados em tempo real, de acordo com as necessidades das partes envolvidas.

Negócios eletrônicos envolvem organizações com atividades afins, que estabelecem modos de relacionamento online umas com as outras de modo colaborativo. Cada nó destas redes se baseia nas competências prioritárias de cada parte envolvida. Pelas vantagens que oferecem, estes processos transacionais e de comunicação criam valor tanto para os parceiros quanto para os clientes finais.

No primeiro trimestre de 2008, o segmento B2B online composto das trinta maiores empresas do Brasil e de suas cadeias de valor (em torno de 85% da movimentação brasileira), mobilizou R$ 151,39 bilhões, contra R$ 110 bilhões em 2007. (Convergência Digital, 6.5.2008).

Em 2006, os volumes transacionados digitalmente entre empresas brasileiras chegaram a 492,4 bilhões de reais, 39,7% a mais que os 352,3 bilhões registrados em 2005. Em 2006, o total movimentado pelos negócios entre empresas no Brasil cresceu 31,6% em relação a 2005. O total de 278,8 bilhões de reais, negociado entre as 30 maiores empresas e suas redes, representou 85% do total, contra 212,3 bilhões de reais em 2005. (B2B, 8.1.2007).

As organizações envolvidas em redes digitais de negócios adquirem autoridade através do reconhecimento do conhecimento e das competências dos seus colaboradores, ao invés de serem reconhecidas pelas relações hierárquicas que estabelecem. Outras características incluem (1):

O estabelecimento de conexões entre pessoas e equipes por meio de delimitadores convencionais (departamentos, localização geográfica, fronteiras organizacionais).

A adaptabilidade dos integrantes e estruturas a situações de mudança.

A reciprocidade nos processos de gestão que implicam em responsabilidade compartilhadas, não unilaterais.

Formas de trabalho estabelecidas em função da obtenção bem-sucedida de resultados, ao invés de modelos baseados na repetição de processos pré-definidos.

A composição ou desmanche de equipes em função das necessidades de cada situação.

De qualquer maneira, a reciprocidade e a valorização do conhecimento não elimina o reconhecimento do posicionamento relativo, no mercado, de todas as partes envolvidas. Segundo Tapscott, Ticoll e Lowy (2) dois parâmetros — controle econômico e integração de valor — ajudam a delimitar quatro tipos de redes de negócios através da web (que muitas vezes se mesclam).

Empresas como eBay, Yahoo, Dell, Charles Schwab, seguem modelos baseados em redes de relacionamento, com forte apoio tecnológico em que podem manter uma relação hegemônica em relação às empresas das quais dependem e assim dimensionar seus pedidos de acordo com a demanda.

As redes tecidas por estas empresas não são abertas; os novos entrantes são convidados pelos parceiros já estabelecidos e podem ou não aceitar o convite para acessar a base de conhecimento dos líderes, fornecer peças-chave da cadeia de suprimentos, compartilhar ativos comerciais, reputação no mercado, contatos, capilaridade de atuação em mercados locais, bem como obter vantagens para seus próprios clientes.

Outros exemplos:

A Multibrás, com a integração dos seus fornecedores de matéria-prima, realiza trocas online de informações para a previsão de compras e coletas (com antecedência de até 18 meses), avisos de embarques e dados de qualidade. A estratégia colaborativa permite a redução das atividades administrativas, de inventário de matéria-prima e do número de chamados no suporte.

A Unilever com o projeto Vértice aprimorou a interação com seus fornecedores, aumentando o comprometimento de equipes e parceiros e consolidando a cultura interna de aceitação dos processos automatizados. No Brasil, as reduções de custos com pedidos chegaram a 1% do faturamento da empresa. Na América Latina, chegam a a 25% dos ganhos nos serviços. Os índices de rejeição de materiais tiveram redução de 16%.

Com as redes eletrônicas e soluções compartilhadas, a Pakprint empresa de tecnologia de papel e celulose, obtém ganhos de escala e eleva o nível tecnológico do setor. O sistema de e-fornecedores facilita a realização de serviços como cotações, pedidos de compra, geração de folha de registro de serviço espelho da nota fiscal espelho do conhecimento de transporte, demonstrativo de pagamentos aos fornecedores. As empresas que usam o portal reduziram em 50% os gastos com telefone e impressão de documentos, em 47,5% o tempo gasto com cotação e em 40% o tempo de resposta para a cotação. (B2B, acesso em 22.9.2006)

Há diversos tipos de aplicativos para a realização de negócios através da internet, que incluem servidores de médio porte, bancos de dados, data warehouses, ferramentas de segurança, ferramentas de gerenciamento de conteúdo, guias e ferramentas de administração de tráfego equipamentos de armazenagem, infra-estrutura de redes e ferramentas colaborativas como o email e-procurement, aplicações EDI, soluções de integração de processos de negócios, sistemas ERP, CRM, SCM e de colaboração.

Estas redes propiciam vantagem competitiva às empresas líderes do mercado e a todos os parceiros envolvidos, muitas vezes evitando a necessidade de investimentos em fusões ou aquisições.

(Atualizado em 14.12.2010)

 

Referências

Leading change when business is good – entrevista com Sam Palmisano, presidente da IBM desde 2002, para a Harvard Business Review, 2004 (link direto para PDF)

The future of the networked company (McKinsey)

1) The role of virtual broker in the web business models (link para página de artigos do site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial – Crie/Coppe/UFRJ) – Os autores citam as características acima a partir de estudo de Lipnack and Stamps (1994)

2) The rise of the business web (link para página de artigos do site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial – Crie/Coppe/UFRJ)

internet Comercial, Ministério da Ciência e Tecnologia e Secretaria de Política de Informática (link direto para o PDF)

Hal Varian on how the Web challenges managers (McKinsey, acesso em 20.2.2009)

Livro: Webeconomia, de Evan I. Schwartz. Editora Makron Books

Livro: Pronto para a web!: Estratégias para o sucesso na economia, de Amir Hartman e John Sifonis. Editora Campus

Livro: Empresa turbinada pela web, de David S. Pattruck.