A conceituação editorial e comercial, mais do que o enfoque de criação e edição do conteúdo de mídias digitais, é um princípio condutor da experiência do usuário. Segundo essas linhas gerais, as informação se mantêm consistentes na comunicação/ interlocução/ ação/ reação realizados entre o veículo e o público.

Um mesmo site para fãs de cinema (como http://www.screenjunkies.com/, por exemplo) pode se concentrar…

…na publicação de conteúdo sobre os filmes, como críticas, sinopses, fichas técnicas, informações sobre a realização das produções cinematográficas.

… no relacionamento dos artistas com o público e estabelecer encontros informais, como chats.

… em um banco de dados sobre filmes e artistas que seja uma referência em informações especializadas.

…na experiência do espectador e procurar aperfeiçoar a sensação do olhar.

… na formação de comunidades e reunir as pessoas para discutir filmes.

… em várias destas abordagens combinadas.

A conceituação editorial e comercial implica em seleções que levam ao modo de interlocução com o público, e condiciona:

O tratamento visual e editorial geral e das seções.

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Diferentes interfaces para diferentes públicos

O site da Smithsonian Education (cujo layout atual é outro) apresentava, na época da captura das tela, três grandes áreas para públicos bem distintos: educadores, familiares e estudantes. Cada uma tem conteúdo próprio e enfoque editorial completamente diferente das outras. Às vezes um mesmo evento está presente em mais de uma área, mas pelas imagens associadas a cada área, pode-se ver que fazem abordagens bastante distintas.

O valor do conteúdo oferecido e seu relacionamento com o público.

The Wall Street Journal foi um dos primeiros jornais a cobrar pela assinatura do jornal online, em 1996. Foi bem-sucedido por muitos anos pelo diferencial do conteúdo e pela segmentação do público-alvo. Tinha em fevereiro de 2004 cerca de 700.000 assinantes.

Em função das perspectivas de sites como o do NYTimes, que abriram seu conteúdo para o grande público, estudava na época a possibilidade de mudar o modelo econômico, para um modelo baseado em anúncios, ou “paywall”, em que o usuário é cobrado depois de determinado número de acessos. O valor do conteúdo produzido pode variar de acordo com as diferentes maneiras de estabelecer relações com o público.

O tipo de conteúdo veiculado.

O uso de recursos como animação, som, vídeo, janelas de diálogo.

Sites grandes museus proveem um conjunto de experiências que se organizam de maneira diferente para cada usuário, para aproximá-los dos objetos expostos, através de imagens e informações, permitindo a visão em perspectiva tridimensional ou a escuta de gravações sonoras, por exemplo.

O conjunto de experiências exige a veiculação de informações em diversos formatos, de maneira a compor caminhos e ideias diferentes para cada visitante. O uso e o formato das informações se adequa ao conceito de museu como experiência da informação.

O desenvolvimento de bancos de dados, páginas personalizadas, formulários, chats ou grupos de discussão.

A Federal Express no final da década de 90 mudou o enfoque do site, que apenas fornecia aos clientes informações sobre suas atividades, para um novo conceito: prover serviços aos clientes. Passou a oferecer o acompanhamento em tempo real do percurso de cada entrega, que os clientes passaram a acessar no site digitando o número do protocolo da sua nota.

O novo conceito exigiu o desenvolvimento de tecnologias para o rastreamento dos percursos e a inclusão de canais de comunicação mais rápidos com os clientes.

A funcionalidade (facilidade de uso) e a acessibilidade das páginas.

O site do Instituto Benjamin Constant é referência para o acesso de usuários pela internet com deficiências de visão, oferecendo ferramentas para o acesso de pessoas cegas e com visão subnormal. O conceito neste caso está relacionado ao de canal comprometido com a inclusão de usuários, o que define como a interface é desenvolvida e usada.

A relação entre o nome do domínio e seu conteúdo.

Para facilitar sua localização e sua associação direta a uma marca, o nome do domínio precisa estar integrado aos objetivos do site. Embora tenha a funcionalidade de um endereço, atua também como marca e determina a maior ou menor facilidade de localização dos canais pelas ferramentas de busca. Palavras muito procuradas pelos usuários geralmente são favorecidas pelas ferramentas de busca (como “filmes da semana”, por exemplo).

A grafia das palavras simples e direta também facilita a digitação e a memorização pelo público. Observações:

Por razões técnicas, os nomes dos domínios devem ter pelo menos 2 caracteres e no máximo 63 caracteres (fora o domínio de alto nível -.com, .net e.br, .uk etc.)

Podem incluir qualquer combinação de letras e hífens (estes no entanto não podem ser os primeiros ou últimos caracteres e devem ser evitados porque são facilmente esquecidos na digitalização)

O reconhecimento do nome independe de estar escrito em caixa alta ou alta e baixa

 

Referências

Gamification in concept design: applying market mechanisms to enhance innovation and predict concept performance, Petersen, Søren Ingomar1; Ryu, Hokyoung Blake (Journal of Design, Business & Society, acesso em 8.3.2015)

Using behavioral science to improve the customer experience, John DeVine e Keith Gilson (McKinsey Quarterly, acesso em 10.7.2010, mediante assinatura gratuita)

Morph the web to build empathy, trust and sales, Glen L. Urban, John R. Hauser, Guilherme Liberali, Michael Braun e Fareena Sultan (MIT Sloan Management Review, acesso em 10.7.2009, mediante assinatura gratuita)