O relacionamento entre grupos, entre pessoas e o acompanhamento do dia a dia são críticos para o sucesso de um projeto de mídia digital. Mesmo que os ciclos forem bem conduzidos e encaminhados, se a equipe não está envolvida com a visão do produto final as chances de sucesso ficam ameaçadas.

Por envolverem competências específicas de desenvolvimento, projetos de mídias digitais têm equipes cuja formação e número depende dos objetivos e da complexidade dos resultados esperados. As equipes contam com a participação direta de profissionais (cujos títulos que variam a cada organização) como:

Gestor do produto, que pode ser um Scrum master (em práticas de Scrum) – Integra todos os participantes da equipe (mais clientes e patrocinadores), gerencia o escopo e acompanha a realização em todas as etapas. Verifica a realização de tarefas, prazos, ajuda a resolver crises, a administração da comunicação com (e entre) as pessoas, a adaptação a mudanças, é um líder facilitador. Tem conhecimento do negócio e da área em geral, entende os objetivos do projeto  e as tecnologias envolvidas, mas precisa acima de tudo garantir a criatividade e a efetividade das soluções.

Consultor de planejamento e análise – Tem formação multidisciplinar e experiência em planejamento, documentação, redes sociais e marketing online. Formula estratégias para a internet, desenvolve projetos de relacionamento, estrutura pesquisas com usuários, analisa e relata os resultados destas estratégias aos stakeholders do projeto.

Atendimento sênior – Com experiência no atendimento de empresas de diversos portes e capacidade de para entender a demanda de cada cliente, avalia as soluções que demandam intervenção de competências específicas (editorial, técnica, de design). Tem bom relacionamento com a equipe e capacidade técnica para descrever as demandas do cliente.

Coordenador da produção – Coordena, supervisiona as atividades de análise dos problemas e a criação coletiva das melhores formas para solucioná-los, preparando diagramas para registrar a sequência de procedimentos adotada, e ajudando a equipe na priorização das tarefas.

Gestor de criação, ou designer da experiência do usuário (arquiteto de experiência do usuário)– Examina as necessidades dos usuários, suas características, padrões de comportamento, para criar um ambiente online que atenda às suas expectativas e crie situações que surpreendam positivamente o público. É especialmente atento a detalhes, a nuances de linguagem, a pessoas com quem trabalha e também os usuários do produto final. Sente-se confortável em trabalhar em grupo, tem capacidade de influenciar pessoas e de contemporizar dificuldades.

Gestor de tecnologia da informação, ou analista pleno – Responsável pela seleção, aquisição e implementação de programas, sistemas e equipamentos utilizados, pela avaliação e acompanhamento de contratos com fornecedores de serviços de tecnologias digitais, pelo treinamento da equipe de manutenção e suporte técnico, pelo treinamento das equipes editoriais no uso de programas.

Engenheiro de interfaces (ou técnico de tecnologia da informação de alto nível, ou especialista em usabilidade/ acessibilidade) – Avalia as soluções de funcionalidade da interface; verifica sua viabilidade técnica e sua implementação; coordena todos os testes, como os de usabilidade, acessibilidade, compatibilidade da interface; verifica os requisitos de qualidade funcional de todas as interfaces; estabelece as políticas que precisam ser observadas no projeto e na manutenção/atualização do produto; considera a diversidade dos usuários e suas características culturais, demográficas ou sociais específicas. Analisa as estatísticas do site para detectar melhorias de usabilidade. Propõe melhorias nos padrões aplicados, ferramentas e processos da área.

Arquiteto da informação – Lidera a criação da estrutura de conteúdo, incluindo a realização de pesquisas, a elaboração das taxonomias, a seleção dos rótulos das seções, a realização de testes de navegação, o acompanhamento das soluções. Elabora protótipos funcionais e documentos de especificação para a equipe de programação (sitegramas, wireframes e fluxos de navegação).

Bibliotecário – Ajuda a criar a arquitetura da informação, baseada na sua experiência com a recuperação de informação em ambientes complexos, especialmente para o estabelecimento de relações entre áreas de conteúdo e requisitos para a modelagem da ferramenta de busca.

Designer ou diretor de arte – Propõe soluções visuais inovadoras para a interface e mantém uma perspectiva técnica em relação a questões como usabilidade, arquitetura da informação, acessibilidade. Conhece estilos CSS, HTML, preparo de imagens para publicação online, preparo de animações em Flash e preparo do site para indexação por buscadores.

Gestor de comunicações, de mídia, de marketing, estrategista de conteúdo – Define como o canal chegará ao público ao qual se destina desde seu lançamento. Prevê sua atualização, manutenção e crescimento a médio prazo. Estabelece conexões entre o canal online e as outras mídias veiculadas pela organização, para que componham uma imagem integrada.

Editor (gestor de conteúdo,  estrategista de conteúdo) – Define o conceito editorial do veículo, a abordagem dos assuntos nos textos, imagens, vídeos, sons (se popular, técnica, institucional, erudita, jovem), como o conteúdo se estrutura para reiterar os objetivos do projeto. Participa também na aprovação do layout da interface e na rotulação das seções do site pela equipe responsável pela arquitetura da informação. Em algumas situações, como em empresas de comunicação esta função se confunde com a do gestor de criação.

Redator (webwriter) – Escreve os textos dentro da linha editorial, para que fiquem legíveis, objetivos e adaptados à leitura online. E os reescreve quando estes provêm de outras mídias.

Programadores front end e back end (também chamados “desenvolvedores web”) – O primeiro é diretamente responsável pela interface visível pelos usuários. O segundo traduz em linguagem de computador o serviço definido pelos analistas de sistemas. Dependendo das necessidades técnicas do projeto, pode ser um especialista em linguagens que vão de JavaScript a Asp, Asp.Net, C++, CGI, Perl, Ajax, Ruby, Visual Basic. Deve estar familiarizado com bancos de dados baseados em MySQL, Oracle, Sybase, XML.

Realiza a montagem, a depuração e os testes dos programas, bem como a manutenção de programas já desenvolvidos. Conhece os padrões web, compatíveis com as especificações do W3C. Para avaliar a efetividade das soluções, participa dos testes da interface, daí precisar conhecer usabilidade e acessibilidade de interfaces web.

Cliente – A distância entre o time de projeto e o cliente do projeto é cada vez menor. O cliente é cada vez mais um colaborador que ajuda a chegar às melhores soluções através das mudanças e dos aprendizados que encadeia nos projetos. A inclusão do cliente no projeto exige confiança e cumplicidade entre as partes envolvidas.

Especialista em otimização para buscadores (SEO) – Organiza os esforços multidisciplinares para que a mídia digital seja encontrada nas primeiras posições de resultados de busca, integra a equipe de avaliação/manutenção evolutiva do veículo.

Não está na lista acima o gestor do website depois de seu lançamento, na medida em que este pode ser tanto um dos profissionais citados, como também um profissional designado para esta função, dependendo da importância do veículo para a organização. O site de uma organização jornalística é gerido por um editor, já uma intranet pode ser gerenciada por um especialista em gestão do conhecimento.

A participação deste gestor já na equipe de projeto é importante para que mantenha (ou mude, se necessário) a perspectiva coletiva criada para o produto.

Os profissionais citados, mesmo especialistas em suas áreas, costumam entender o que os outros fazem e sabem, para poder colaborar no dia a dia. A “desindividualização” dos papéis estimula a participação de equipes de diversas áreas e competências, de modo a privilegiar, a partir de visões multifacetadas, a experiência do usuário final.

(Atualizado em 19.6.2015)

 

Referências

Help! Is There a Cardiothoracic Surgeon in the Room?, Jared M. Spool (User Interface Engeneering, acesso em 19.6.2015)

UX Design-Planning not one-man show (boxesandarrows, acesso em 5.6.2008)

Livro: Criatividade e grupos criativos, Volume 2 – Fantasia e concretude, de Domenico De Masi. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2002

Defining agile roles (Projects @Work, acesso em 7.6.2012)

The nine pillars of successful web teams, de Jesse James Garrett (Adaptive Path, 9.7.2003, acesso em 28.8.2008, não mais disponível no endereço acessado)

Agile’s impact on team performance (Projects @Work, acesso em 14.8.2008)

 

Termos utilizados

Stakeholders – Pessoa ou organização cujos interesses (financeiros ou não) são afetados por um projeto. Os stakeholders tanto podem ser afetados positiva quanto negativamente pelos efeitos do projeto, durante ou depois da sua elaboração. Muitos projetos têm numerosos stakeholders, e o primeiro passo para o gerenciamento da sua influência e o levantamento minucioso destes agentes.