Segundo a ABNT, acessibilidade é a possibilidade e condição de alcance, para utilização com segurança e autonomia, de edificações, espaço, mobiliário e elementos (ABNT/CB 40/NBR 9050). No projeto de mídias digitais, consiste no preparo das interfaces para que pessoas portadoras de deficiências possam acessá-las, percebê-las, compreendê-las, deslocar-se em contextos digitais, usar serviços, comunicar-se com outras pessoas, realizar tarefas.

De 750 milhões a 1 bilhão dos seis bilhões de habitantes no mundo têm deficiências, segundo a OMS. No Brasil, segundo o censo de 2010, aproximadamente, 24,6 milhões de pessoas, ou 14,5% da população total, apresentaram algum tipo de dificuldade visual, auditiva, motor ou mental. (1) A atenção a este aspecto permite que as informações e serviços online se mantenham disponíveis para as pessoas que acessam a web e plataforma digitais de diferentes dispositivos, browsers e programas especiais

Dados do Censo da Web, em estudo realizado pelo Comitê Gestor do Brasil, mostraram que apenas 2% dos sites do governo adotavam padrões de acessibilidade, apesar do e-MAG (Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico Federal). (2)

Uma lista parcial de deficiências físicas de usuários a considerar no desenvolvimento de websites e mídias digitais inclui: cegueira ou visão debilitada, discromatopsias (dificuldade de distinção de gamas de cor, 8% dos homens e 0,5 das mulheres), dificuldades físicas e motoras, surdez, problemas de cognição/atenção, problemas neurológicos e de aprendizagem.

Para navegar pela internet

Pessoas cegas escutam a leitura de textos através de programas sintetizadores de voz, que descrevem textualmente elementos da interface gráfica da tela, gerando uma representação audível da descrição; e usam teclados em Braille para a entrada de informações (não usam o mouse). Podem também usar um visor que traduz a interface para Braille ao invés de fazer a leitura dos textos.

Não têm acesso pleno a recursos como animações e filmes, recursos amplamente usados para que as telas fiquem atraentes, porque os programas de fluxo contínuo de imagens, áudio e vídeo exigem que o usuário os acione com o mouse, o que nem sempre muito fácil.

Segundo o Censo IBGE 2000, 16 milhões de pessoas com deficiências visuais no Brasil (do total de 24,6 milhões) usam ou podem vir a usar usam programas especiais de computador, como os leitores de tela.

Pessoas com visão debilitada aumentam o tamanho dos textos, ou leem textos em letras amarelas sobre fundo preto, ou usam programas de aumento da imagem da tela ou leitores de tela (que leem em voz alta o conteúdo das páginas e proveem recursos especiais para navegação e realização de tarefas – como o preenchimento de formulários, dispensando o monitor).

Dependem muito do teclado para a entrada de informações, e, dependendo da gravidade da doença, conseguem usar mais ou menos o mouse.

Pessoas com deficiência motora, usam hardware especial, como mouse movido pelo movimento da cabeça, teclados especiais, comando de voz, tela sensível ao toque ou programas para reconhecimento de voz.

Portadores do Mal de Parkinson ou pessoas com tremores ou problemas de mobilidade das mãos costumam preferir usar o teclado ao invés do mouse, pois este exige movimentos precisos.

Pessoas com deficiência auditiva usam o teclado e o mouse, veem a interface mas não têm acesso a informações sonoras.

Pessoas com problemas neurológicos, de leitura e de aprendizado se beneficiam muito de linguagem simples, sem jargões, resumos explicativos e ilustrações ou gráficos que os ajudam a compreender os textos.

Pessoas em circunstância de acesso especiais, de acordo com o contexto. O acesso à web ou a aplicativos em movimento ou em contextos pouco favoráveis à concentração ou à realização de movimentos finos também exige preparo especial das interfaces. Quando carregamos mídias digitais no telefone, ficamos condicionados à resolução da tela, à distância adequada ao toque dos botões.

Projetos de websites e plataformas comprometidos com o atendimento de públicos amplos e diversificados levam em consideração as condições de acesso destes usuários e adaptam as interfaces para pessoas portadoras de deficiências físicas, com:

Soluções abrangentes, que sigam padrões web para incluir usuários com problemas motores, visuais, cognitivos.

Separação de forma e conteúdo, permitindo a visualização de páginas em qualquer programa navegador e dispositivo, facilitando a indexação dos textos e imagens.

Manutenção dos requisitos no dia-a dia de atualização do site.

(Atualizado em 18.3.2015)

 

Referências

Accessibility originates with UX: a BBC iPlayer case study (Smashing Magazine, acesso em 18.3.2015)

Better Accessibility needs user research (User Interface Engeneering, acesso em 5.3.2015)

Progressive Enhancement and the Content-out Approach (User Interface Engeneering, acesso em 21.11.2013)

2) Web governamental: 98% dos sites não adotam padrões de acessibilidade (Convergência Digital, acesso em 18.8.2010)

E-Mag – Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico do Brasil (acesso em 6.6.2012)

1) IBGE: deficiência grave atinge 17 milhões de brasileiros (IBGE, 17.11.2011, acesso em 17.11.2010)

Recomendações de acessibilidade para conteúdo web (WCAG) 2.0, tradução de Everaldo Bechara (iLearn, acesso em 6.3.2009)

Acessiblidade legal

Cartilha de acessibilidade – regras básicas sobre acessibilidade em websites

Acessibilidade Brasil – apoio a ações e projetos relacionados à inclusão social e econômica a pessoas com deficiência

Validação da acessibilidade de websites (a avaliação destas ferramentas não deve ser considerada como a palavra final sobre acessibilidade de um site, mas relavitizada para cada caso):

­

◊ Cynthia Says

◊ IDI Web Accessibility Checker

Wave, check up gratuito

Da Silva, check up gratuito

Tutoriais CSS, Tableless, web standards e acessibilidade – site desenvolvido por Maurício Samy Silva, com exemplos, modelos e artigos, inclusive com tradução das Técnicas CSS para acessibilidade a conteúdo web publicadas no site do W3C

Web content accessibility guidelines 2.0 checklist

WAI Resources – Introducing web accessibility

→ Links para sites sobre deficiências