Usuários de websites ou aplicativos em dispositivos móveis os acessam de qualquer lugar, a qualquer hora, e precisam de informações e interfaces que atendam suas necessidades imediatas.

Em 2014, os acessos a lojas virtuais por celulares e tablets cresceram 200%, sendo 20% dos acessos a sites de comércio, mas apenas 10% das vendas foram feitas com os aparelhos, pois a maioria das lojas virtuais do País ainda não tinha versão adaptada a dispositivos móveis, além de muitos usuários ainda sentirem mais seguros em comprar pelo computador ou notebook. (Convergência Digital)

Apesar da facilidade do acesso à internet pelos smartphones, a experiência de uso das interfaces nestes dispositivos ainda deve melhorar. Problemas como velocidade de acesso, conexões interrompidas, acesso a interfaces em Flash, DRMs, áreas de toque mal dimensionadas.

Outros motivos para a insatisfação dos usuários

Layout nem sempre adequado ao uso, dificultando o reconhecimento das funcionalidades.

Conteúdo pouco adaptado ao uso em movimento, sendo muitas vezes republicado diretamente de sites para desktop.

Opções demais de serviços e funcionalidades, que dificultam a ação rápida. É difícil realizar transações online com formulários, por exemplo, especialmente quando muito longos.

Uso do teclado lento e impreciso.

“Pontaria” nem sempre precisa sobre o que se deseja numa tela com muitos elementos, especialmente elementos pequenos (“dedo gordo”).

Conteúdo demora muito tempo a carregar, pois as velocidades de conexão nem sempre são muito rápidas, o que interrompe a experiência de uso. Além disso, às vezes a conexão cai no meio da ação, o que atrapalha a realização de compras e transações bancárias.

Acesso ao site móvel retorna uma versão sem opção de acesso à versão web integral. Muitos usuários, mesmo em movimento, gostam de ver o site integral, e não a versão reduzida.

Rolagens muito longas, o que pode fazer com que os usuários percam a noção do contexto do site quando localizados em partes em diferentes partes de uma página.

Experiência do usuário

Rust, Thomson, e Hamilton, realizaram em 2006 diversos testes nos quais solicitaram consumidores a dar notas à utilidade, usabilidade e execução de tarefas em telefones celulares.

Pediram também aos participantes que selecionassem o telefone que gostariam de possuir. A maioria, tanto novatos quanto os mais experientes, preferiu os aparelhos com mais recursos e serviços, mesmo que reconhecessem que afetaria a usabilidade e que talvez nem viessem a usá-los.

Este dado reforça a observação de Don Norman, especialista em interação entre usuários e dispositivos:

“Simplifique o produto e as pessoas não o compram. Se puderem escolher, vão optar pelo produto que faça mais coisas. Os recursos ganham sobre a simplicidade, mesmo quando as pessoas reconhecem que vêm acompanhados de maior complexidade. Você também faz isto, aposto. Você nunca comparou dois produtos lado a lado, examinou os recursos de cada um, e preferiu o que fazia mais coisas? Não há motivo para vergonha, você está agindo como, bem, uma pessoa normal.” (Simplicity is highly overrated, jnd.org)

A observação se mantem em 2015. Equipe do Zoom fez uma pesquisa revelando que a decisão do consumidor ficou focada nas inovações apresentadas pelos novos modelos, sobretudo pela Apple e pela Samsung. (1)

Para divulgar modelos e práticas de uso de interfaces em dispositivos móveis, empresas líderes de telefonia móvel e internet, como Apple e Google, estabeleceram conjuntos de melhores práticas para o desenvolvimento de websites e aplicativos para celulares. Também o W3C criou um documento em que estabelece fatores a priorizar em projetos de interfaces em ambientes móveis (em W3C Mobile Web Best Practices).

A especificidade do uso da internet no smartphone exige o desenvolvimento de sites otimizados para estes dispositivos, responsivos ou dedicados. Os clientes móveis de mídias digitais têm necessidades e contextos diferentes dos usuários da web criada para desktop. De qualquer modo, é sempre bom prover links para os sites completos, para o caso do usuário precisar de informações/ serviços adicionais.

Os problemas de usabilidade mais graves são aos poucos resolvidos, é cada vez maior a facilidade de realizar tarefas complexas em dispositivos móveis, seja porque grande parte dos usuários está mais familiarizada com seu equipamento, seja porque os projetistas têm uma base de uso e testes já consolidade. A velocidade de acesso é cada vez maior e as interfaces são testadas minuciosamente antes do seu lançamento.

(Atualizado em 28.1.2015)

 

Referências

1) Preço não é fator decisivo para usuário de smartphone (Convergência Digital, acesso em 9.3.15)

Livro: Mobile Usabilitys, Jakob Nielsen e Raluca Budiu. Berkeley: New Riders, 2013

Principles of mobile site design: delight users and drive conversions (Google, acesso em 29.6.2014)

Mobile Site vs. Full Site (NNg Nielsen Norman Group, acesso em 1.9.2012)

Mobile usability (AlertBox, acesso em 21.7.2009)

New phone features ‘baffle users’ (BBC, acesso em 19.1.2009)

W3C Mobile Checker – ferramenta para avaliação de sites móveis

10 Excellent tools for testing your site on mobile devices – ferramentas para testes de sites móveis