Cross-channel (canais cruzados, transchannel)

Cross-channel: visão geral de projeto

Atualizado em 15.1.2013

Um risco dos projetos de diversos canais é a criação de vários fragmentos e torcer para que o público descubra como se relacionam entre si. É preciso pensar o conjunto, a partir do conteúdo de cada um e de suas conexões. Cada peça se identifica por sua relevância temática e editorial para o conjunto, deixando claro o modo de interação com os usuários e sua contribuição para o todo.

Pode-se pensar a percepção de diversos canais a partir de três eixos, aplicáveis ao projeto de mídias interativas. Este recurso valoriza a visão geral do contexto e dos relacionamentos e define a identidade de cada canal e suas articulações, cruzamentos e relacionamentos (conceituais, informacionais, visuais) com outros canais.

No projeto de canais cruzados, o uso de eixos vertical, horizontal e diagonal, engloba

As unidades de informação disponíveis em cada mídia – eixo vertical
O encadeamento destas unidades na formação de sentido pelos usuários – eixo horizontal
O encadeamento dos canais no seu contexto midiático – eixo diagonal

Na composição de ambientes de canais cruzados (cross-channels), pode-se dispor as informações prioritárias de cada canal ao longo dos eixos ortogonais sugeridos acima, para a criação de uma visão geral do conjunto. E a partir daí, estabelecer conexões entre os elementos de acordo com o ponto de vista de usuários típicos (personas). Com base nestas conexões, as informações e percursos podem ser avaliados, ajustados e aperfeiçoados. E examinados segundo heurísticas que facilitam os encadeamentos entre eles.

A visão geral do conjunto considera que cada ambiente de canais cruzados é heterogêneo, com características de linguagem diferentes e possibilidades de experiências específicas. Subjetiva, inclui modelos mentais, percursos, escolhas, e também as emoções, estados, sensações, que mudam à medida que a percepção do público atualiza cada canal.

A visão geral não considera apenas o espaço, mas também o tempo em que se realizam os percursos, em que as experiências criam emaranhados de trânsitos e relacionamentos. Esta estrutura se transforma e se refaz a cada instante, a partir do olhar, das ações, da experiência dos usuários/ espectadores/ leitores/ consumidores/ jogadores.

Para incorporar as múltiplas perspectivas dos criadores e do público, os projetos de produtos para canais cruzados precisam se manter flexíveis e atualizáveis em todas as etapas e depois do lançamento. E abertos à recriação e à co-criação por parceiros e colaboradores que se envolvem com as experiências objetivas e subjetivas que suscitam. O grau de resiliência e abertura de cada produto e dos ambientes que definem varia de acordo com a natureza de cada projeto.

-> Quando se pensa em uma loja com instalações físicas + site de vendas + aplicativo móvel + catálogo impresso de produtos, prioriza-se aspectos pragmáticos que visam à venda de produtos. Como as pessoas vão encontrar a loja física? A loja virtual está facilmente localizável por seus produtos nos buscadores? O site móvel tem boas dicas acessáveis durante as compras? O conjunto tem uma identidade visual integrada que cria associações imediatas entre os canais?

-> Quando se pensa na criação de um website + jogo + aplicativo móvel para um filme, valoriza-se a experiência subjetiva e o envolvimento afetivo nas experiências de uso. Neste caso, a visão geral se relaciona ao olhar, à narrativa, às escolhas estéticas dos realizadores.

Representações

Representação de ambiente de canais cruzadosRepresentação de ambiente de canais cruzadosA visão geral dos canais, unidades de informações, encadeamentos, relacionamentos possíveis, que antecede as avaliações mais específicas, pode ter diversas formas.

Pode ser registrada através de eixos ortogonais, como desenvolvemos em Narrativas interativas: eixo diagonal e Narrativas interativas: eixos horizontal e vertical. Pode ser registrada por outro modelo diagramático que represente o contexto. Pode também ser representada por mapas mentais, com relacionamentos multidirecionais, ou por um pequeno texto. De qualquer forma, é importante que resuma os objetivos e as percepções subjetivas dos objetos em questão. E permita aos criadores olhar em perspectiva o conjunto.

Tomando como exemplo uma exposição de arte, descrita nos textos citados acima, com site + livro + peças de divulgação, produtos que envolvem experiências subjetivas, o olhar para as obras de arte expostas é a ação mais importante do conjunto. É a ação que se realiza diferente para cada espectador. Neste caso, como conduzir o projeto do conjunto de canais, senão através de uma relação subjetiva? E como esta relação se explicita? Não há respostas prontas, cada situação tem problemas e soluções específicos. As próprias obras podem ajudar a criar os relacionamentos entre os canais, e pode-se criar um conjunto que potencializa a experiência estética e o processo de criação das obras.

O uso dos três eixos ortogonais para representar as unidades de informações e a criação de encadeamentos entre elas sob o ponto de vista de diversas personas ajuda nesta tarefa. Pode-se, a partir dessa representação, criar uma visão integrada e dinâmica do conjunto (ou apenas um dos seus produtos) e do papel de cada canal, ponto de partida para que o público encontre, nestes cenários de tensões entre forças multidirecionais, espaços e pontos de partidas para seu próprio processo de criação.
Texto publicado em 20.5.2012.



Assuntos relacionados
Universo informacional
Narrativas interativas: Percursos e ações dos usuários
Narrativas interativas: eixo diagonal
Tipos de estruturas (de informação)
Narrativas interativas: eixo horizontal e vertical

Referências (veja mais no Delicious)
Crossmedia bricolage for magazine (Flipping Pages, acesso em 15.1.2013)
Livro: Pervasive information architecture, de Andrea Resmini e Luca Rosati. Burlington, MA: Morgan Kaufman, 2011
Cross-channel, cross-media, multi-channel: Where’s the difference, a partir do livro, citado acima, de Andrea Resmini e Luca Rosati (Pervasive Information Architecture, acesso em 11.3.2012)
What is cross-channel (Andrea Resmini, blog, acesso em 11.3.2012)
The transmedia challenge: Co-creation, de Donald Norman (JND.org, acesso em 11.3.2012)

Designing for bridge experiences, de Joel Grossman (UXmatters, acesso em 18.3.2012)

Avellar e Duarte no Twitter Avellar e Duarte no Facebook Feeds da Avellar e Duarte Avellar e Duarte no Delicious