Inovação funcional

Criação em ambientes estruturados

Atualizado em 12.12.2010

O sociólogo italiano Domenico de Masi defende que, embora possa aparecer espontaneamente em diferentes instâncias corporativas, a criatividade funcional pode ser estruturada em diferentes etapas, que formalizem elos sequenciados entre ideias e produtos finalizados.

Para efeitos acadêmicos, o autor sugere a modulação dos processos entre a criação e a produção, em 7 fases genéricas. No contexto deste site, o exame destas relações se relaciona diretamente aos processos de criação e gestão de mídias online.

1) Pesquisa pura

É realizada em ambientes como laboratórios universitários, ateliês de estilistas, estúdios de arquitetos, institutos de pesquisas, centros experimentais de cinematografia, ambientes com os recursos materiais necessários à criação e tolerância ao erro. Os integrantes mantêm relacionamentos com outros grupos de atividades afins e participam em eventos relacionados a estas atividades. Recebem estímulos intelectuais, revistas, livros e têm disponiblidade de tempo para reflexão. Inclui a criação e a seleção de ideias com potencial para desenvolvimento prático.

2) Pesquisa aplicada

É realizada em ambientes como laboratórios e equipes universitárias, consórcios, parques tecnológicos, grupos públicos ou privados. Inclui a avaliação das possibilidades de criação de produtos para as ideias criadas, a verificação tanto das suas possibilidades de concretização quanto dos seus potenciais de exploração.

3) Tomada de decisão

É realizada nas áreas gerenciais de organizações públicas e privadas. Inclui a avaliação da viabilidade comercial e da adequação dos potenciais produtos às políticas e diretrizes empresariais. Inclui também a aquisição de patentes, pesquisas de mercado, modelagem de processos, contratação de especialistas.

4) Desenvolvimento

É realizado em escritórios dedicados, ambientes de perfil mais técnico, gerencial e com equipe mais sensível aos estímulos de carreira. Inclui a avaliação dos recursos financeiros necessários, a transferência e a adaptação das ideias, os estudos de viabilidade da produção (conversas com diversos departamentos, desde o marketing às áreas de produção), preparo das equipes internas para assimilar o novo produto.

5) Produção

É realizada em oficinas, fábricas ou escritórios padronizados. Com divisão clara entre trabalho e poder, tem planejamento rígido de processos, orçamento financeiro pré-estabelecido, controle de qualidade e métodos de produção, maior potencialidade de mecanização e automação, maior potencialidade de alienação dos funcionários.

6) Colonização e uso

Inclui as operações de marketing e publicidade, prospecção, vendas e relações com o mercado.

7) Uso e consumo dos bens produzidos

Inclui as a personalização dos produtos de acordo com as preferências de cada cliente ou grupo de clientes, a interlocução entre produtor e cliente para avaliação do grau de satisfação. Inclui também a verificação, pela avaliação, das possibilidades de aperfeiçoar o produto.

As etapas sucessivas formalizam gradualmente a relação entre a conceituação e o resultado final: estabelecem pontos de referência para a aplicação de controle de qualidade, reforçando as garantias de que este alcançará seus objetivos.

Os processo criativos reais muitas vezes acompanham algumas destas etapas e excluem outras, ou as desmembram em outras partes, mais específicas e relacionadas às características de cada tipo de produto.

Embora sob o risco de criar uma analogia redutora, no caso do projeto de um canal online podemos pensar as etapas do processo de criação como a passagem do processo abstrato de formulação dos objetivos e conceituação até o lançamento do produto publicado na internet.

Os processos de criação de produtos online diferem dos descritos acima em relação ao grau de risco inicial, que no caso da pesquisa pura é muito mais alto, sendo que esta na maioria dos casos não chega efetivamente à etapa de produção de produtos.

Na medida em que na maioria das vezes os produtos são aperfeiçoados em tempo real, com o produto já lançado, os resultados das etapas 1, 2 e 3 podem ser diluídos nas etapas de pesquisas e testes já direcionados à realização do produto final. E na verdade os processos de conhecimento implícitos nestas etapas permanecem ativos durante toda a vida útil do produto.


Assuntos relacionados
Alessi e metodologias inovadoras
Planejamento : Gerenciamento de equipes multidisciplinares : Cultura criativa
Criação em ambientes estruturados
Inovação funcional
Definição de projeto
Definição do escopo do projeto

Referências sobre criação em ambientes estruturados
Creative minds 'mimic schizophrenia', de Michelle Roberts(BBC News, acesso em 28.5.2010)
How to motivate creative people (including yourself) – e-book, PDF, 58p., de Mark McGuinness (Wishfulthinking, acesso em 14.3.2010)
28) Livro: Criatividade e grupos criativos, Volume 2 – Fantasia e Concretude, de Domenico De Masi. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2002. P. 110 a 116.
Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno, sobre a implementação de projetos de inteligência coletiva em organizações. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006

Avellar e Duarte no Twitter Avellar e Duarte no Facebook