Inovação funcional
Criação em ambientes estruturados
O sociólogo italiano Domenico de Masi defende que, embora possa aparecer espontaneamente em diferentes instâncias corporativas, a criatividade pode ser eventualmente estruturada em etapas. Cada uma delas formaliza um elo sequenciado entre as ideias (com seus potenciais de se tranformar em novos produtos, novas soluções) e os produtos finalizados.
No caso da pesquisa sobre a criação de web sites este é aqui considerado o produto final e as relações entre os ambientes de pesquisa e de produção muitas vezes incluem diversas organizações e ambientes.
Ambientes de produção incluem desde o âmbito governamental e regulador, passando pelas universidades, onde se realiza a maior parte das pesquisas relacionadas a desenvolvimento tecnológico, usabilidade, acessibilidade, arquitetura de informação e chegam a cada empresa (pública e privada).
■ No contexto deste site, o exame destas relações se relaciona ao interesse em transpô-las para os processos de criação e gestão de mídias online. Apesar disso, os exemplos citados por De Masi foram mantidos, para facilitar o isolamento dos conceitos primários.
■ Para efeitos acadêmicos, o autor sugere a modulação dos processos entre a criação e a produção, de modo geral em 7 fases:
1) Pesquisa pura
◊ É realizada em ambientes como laboratórios universitários, ateliês de estilistas estúdios de arquitetos, institutos de pesquisas, centros experimentais de cinematografia, ambientes com os recursos materiais necessários à criação, tolerância ao erro.
◊ Os integrantes mantêm relacionamentos com outros grupos de atividades afins e participam em eventos relacionados a estas atividades. Recebem estímulos intelectuais, revistas, livros e têm disponiblidade de tempo para reflexão.
◊ Inclui a criação e a seleção de ideias com potencial para desenvolvimento prático.
2) Pesquisa aplicada
◊ É realizada em ambientes como laboratórios e equipes universitárias, consórcios, parques tecnológicos, grupos públicos ou privados.
◊ Inclui a avaliação das possibilidades de criação de produtos para as ideias criadas, a verificação tanto das suas possibilidades de concretização quanto dos seus potenciais de exploração.
3)Tomada de decisão
◊ É realizada nas áreas gerenciais de organizações públicas e privadas.
◊ Inclui a avaliação da viabilidade comercial e da adequação dos potenciais produtos às políticas e diretrizes empresariais. Inclui também aquisição de patentes, pesquisas de mercado, formatação de processos, contratação de especialistas.
4) Desenvolvimento
◊ É realizada nos escritórios de desenvolvimento, ambientes de perfil mais técnico, gerencial e com equipe mais sensível aos estímulos de carreira.
◊ Inclui a avaliação dos recursos financeiros necessários, a transferência e a adaptação das ideias, os estudos de viabilidade da produção (conversas com diversos departamentos, desde o marketing às áreas de produção), preparo das equipes para assimilar o novo produto.
5) Produção
◊ É realizada em oficinas, fábricas ou escritórios padronizados.
◊ Com divisão clara entre trabalho e poder, tem planejamento rígido de processos, orçamento financeiro pré-estabelecido, controle de qualidade e métodos de produção, maior potencialidade de mecanização e automação, maior potencialidade de alienação dos funcionários.
6) Colonização e uso
◊ Inclui as operações de marketing e publicidade, prospecção, vendas e relações com o mercado.
7) Uso e consumo dos bens produzidos
◊ Inclui as a personalização dos produtos de acordo com as preferências de cada cliente ou grupo de clientes, a interlocução entre produtor e cliente para avaliação da sua satisfação. Inclui também a verificação, pela avaliação do cliente, das possibilidades de aperfeiçoar o produto.
■ Os processo criativos reais muitas vezes acompanham algumas destas etapas e excluem outras, ou as desmembram em outras partes, mais específicas e relacionadas às características de cada tipo de produto.
■ Embora sob o risco de criar uma analogia redutora, no caso do projeto de um canal online podemos pensar as etapas do processo de criação como a passagem do processo abstrato de formulação dos objetivos e conceituação até o lançamento do produto pronto na internet.
Os processos diferem mais em relação ao risco inicial, que no caso da pesquisa pura é muito mais alto, pois esta na maioria dos casos não chega efetivamente à etapa de produção de produtos.
■ As etapas sucessivas formalizam gradualmente a relação entre a conceituação e o resultado final: estabelecem pontos de referência para a aplicação de controle de qualidade, reforçando as garantias de que este alcançará seus objetivos.
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Referências sobre criação em ambientes estruturados
► Creative minds 'mimic schizophrenia', de Michelle Roberts(BBC News, acesso em 28.5.2010)
► How to motivate creative people (including yourself) - e-book, PDF, 58p., de Mark McGuinness (Wishfulthinking, acesso em 14.3.2010)
28) Livro: Criatividade e grupos criativos, Volume 2 - Fantasia e Concretude, de Domenico De Masi. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2002. P. 110 a 116.
► Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno, sobre a implementação de projetos de inteligência coletiva em organizações. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006