Atualizado: 4.6.2008
 
Projetos web
Contextos de projetos web

Negócios eletrônicos

 

De modo geral, a expressão "negócios eletrônicos" se refere à realização de processos comerciais pela Internet. Mais abrangente que "comércio eletrônico", a expressão inclui o relacionamento entre parceiros comerciais, fornecedores, distribuidores, bem como a prestação de serviços a clientes, a participação em pesquisas, o desenvolvimento de produtos, as transações comerciais automatizadas.

No primeiro trimestre de 2008, o segmento praticado entre as trinta maiores empresas do País e suas cadeias de valor, em torno de 85% da movimentação brasileira, movimentou R$ 151,39 bilhões, contra os R$ 110 bilhões de 2007. (E-Consulting em parceria com a Camara-e.net, B2B, 6.5.2008).

Em 2006, os volumes transacionados digitalmente entre empresas brasileiras chegou a 492,4 bilhões de reais, 39,7% a mais que os 352,3 bilhões registrados em 2005. Em 2006, o total movimentado pelos negócios entre empresas no Brasil foi cresceu 31,6% em relação a 2005. O total de 278,8 bilhões de reais, negociado entre as 30 maiores empresas e suas redes, representa 85% do total, contra 212,3 bilhões de reais em 2005. (B2B, 8.1.2007).

Os negócios eletrônicos envolvem organizações com atividades afins, que estabelecem modos de relacionamento online umas com as outras de modo colaborativo. Cada nó desta rede se baseia nas competências prioritárias de cada uma das partes envolvidas. Pelas vantagens que oferecem, estes processos transacionais e de comunicação criam valor tanto para os parceiros quanto para os clientes finais.

Algumas características das organizações baseadas em redes (ver Ávila e Balceiro, 1):

Adquirem autoridade através do reconhecimento do conhecimento e das competências dos colaboradores, ao invés do reconhecimento de relações hierarquizadas.

Criam conexões entre pessoas e equipes através de delimitadores convencionais (departamentos, localização geográfica, fronteiras organizacionais).

Possuem integrantes e estruturas que podem ser adaptados a situações de mudança.

Entendem gestão no sentido de responsabilidade recíproca, ao invés do estabelecimento de relações unilaterais.

Exploram novas formas de trabalho em função da obtenção de resultados, ao invés da repetição de processos pré-definidos.

Ajustam ou desfazem equipes sempre que necessário.

Segundo Tapscott, Ticoll e Lowy (2) dois parâmetros - controle econômico e integração de valor - ajudam a delimitar quatro tipos de redes de negócios através da web (embora os autores reconheçam que, nas situações reais, as categorias muitas vezes se mesclem).

A IBM foi uma das primeiras grandes companhias a usar o termo "e-business" em 1997. E foi também uma das primeiras a usar o conceito para reestruturar a sua estratégia de negócios.

Atualmente, aplica o conceito de negócios eletrônicos junto com o de negócios "sob demanda" (on demand), realizados em tempo real de acordo com as necessidades das partes envolvidas.

Empresas como eBay, Yahoo, Dell, Charles Schwab, seguem modelos baseados em redes de relacionamento, com forte apoio tecnológico, em que podem manter uma relação hegemônica as empresas das quais dependem e assim dimensionar seus pedidos de acordo com a demanda.

As redes tecidas por estas empresas não são abertas; os novos entrantes são convidados pelas empresas já estabelecidas e podem ou não aceitar o convite para acessar a base de conhecimento dos líderes, fornecer peças-chave da cadeia de suprimentos, compartilhar ativos comerciais, reputação no mercado, contatos, capilaridade de atuação em mercados locais, bem como obter vantagens para seus próprios clientes.

-> Exemplos:

A Multibrás, com a integração dos seus fornecedores de matéria-prima, realiza trocas online de informações para a previsão de compras e coletas (com antecedência de até 18 meses), avisos de embarques e dados de qualidade. A estratégia colaborativa permite a redução nas atividades administrativas, de inventário de matéria-prima e do número de chamados no suporte.

A Unilever com projeto Vértice aprimorou a interação com seus fornecedores, aumentou o comprometimento de equipes e parceiros, e consolidou a cultura interna de aceitação dos processos automatizados. No Brasil, as reduções de custos com pedidos chegam 1% do faturamento da empresa. Na América Latina, chegam a 25% dos ganhos nos serviços. Os índices de rejeição de materiais tiveram redução de 16%.

Com as redes eletrônicas e soluções compartilhadas, a Pakprint, empresa de tecnologia de papel e celulose, obtém ganhos de escala e eleva o nível tecnológico do setor. O sistema e-fornecedores facilita a realização de serviços como "cotações, pedidos de compra, geração de folha de registro de serviço, espelho da nota fiscal, espelho do conhecimento de transporte, demonstrativo de pagamentos aos fornecedores". As empresas que usam o portal reduziram em 50% os gastos com telefone e impressão de documentos, 47,5% no tempo gasto com cotação e 40% no tempo de resposta para a cotação. (B2B, acesso em 22.9.2006)

São diversos os tipos de aplicativos utilizados para a realização de negócios, que incluem servidores de médio porte, bancos de dados, data warehouses, ferramentas de segurança, ferramentas de gerenciamento de conteúdo, guias e ferramentas de administração de tráfego, equipamentos de armazenagem, infra-estrutura de redes e ferramentas colaborativas como o email, e-procurement, aplicações EDI, soluções de integração de processos de negócios, sistemas ERP, CRM, SCM e de colaboração.

Estas redes propiciam vantagem competitiva às empresas líderes do mercado e todos os parceiros envolvidos, sem que seja necessários investimentos em fusões ou aquisições.


Assuntos relacionados
CRM (Customer Relationship Management)
Comércio eletrônico
Comércio eletrônico - Supply Chain Management
Estratégia web

Referências bibliográficas (Contextos de projeto web)
Leading change when business is good - entrevista com Sam Palmisano, presidente da IBM desde 2002, para a Harvard Business Review, 2004 (link direto para o arquivo em PDF)
The future of the networked company
1) The role of virtual broker in the web business models (link para página de artigos do site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial - Crie/Coppe/UFRJ) - Os autores citam as características acima a partir de estudo de Lipnack and Stamps (1994)
2) The rise of the business web (link para página de artigos do site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial - Crie/Coppe/UFRJ)
Internet Comercial, Ministério da Ciência e Tecnologia e Secretaria de Política de Informática (link direto para o PDF)

Mais informação sobre o assunto
B2B online chega a R$ 492,4 bi em 2007 (B2B, 4.7.2007)
Livro: Webeconomia, de Evan I. Schwartz. Editora Makron Books
Livro: Pronto para a web!: Estratégias para o sucesso na economia, de Amir Hartman e John Sifonis. Editora Campus
Livro: Empresa turbinada pela web, de David S. Pattruck. Editora Campus
Tendências e desafios do B2B brasileiro (B2B, 4.7.2007)


 ▲  
Alto