Ferramentas online de gestão
Desafios da Web 2.0 corporativa
Apesar das extensas possibilidades de aplicação, as organizações ainda precisam avaliar as restrições e as mudanças tecnológicas, para a ampla adoção da Web 2.0.
Alguns aspectos que restringem o uso da Web 2.0 em empresas:
■ Segurança dos sistemas - Os sites baseados nas tecnologias dinâmicas da Web 2.0 apresentam uma extensa área de exposição a ataques, na medida em que muitas trocas de informações são feitas nos browsers dos usuários, via Javascript por exemplo.
Em meados 2006, a praga Yamanner se espalhou devido a um recurso do programa de mail do Yahoo baseado em JavaScript. Quando os usuários abriam suas mensagens, um código malicioso disparava um script que enviava mensagens para os contatos de cada um e para um arquivo num servidor remoto. (TechRepublic, 12.6.2006)
Ataques de natureza diversa exploram vulnerabilidades no armazenamento dos dados pessoais dos usuários, enviando artefatos para obter informações bancárias e funcionais, e inserindo código não solicitado nos dispositivos. Os desafios de segurança incluem a proteção do equipamento dos usuários internos e das aplicações que rodam no ambiente aberto da Internet.
■ Segurança da propriedade intelectual do conteúdo e das informações - Nos ambientes corporativos, os riscos podem vir de feeds RSS, por exemplo. No ambiente externo, blogs ou sites de comunidades abertos, bem como o uso de serviços oferecidos por terceiros, podem permitir o vazamento de informações.
De acordo com relatório da Trend Micro denominado “Threat Report & Forecast”, o volume de ameaças da Web 2.0 saltou de cerca de um milhão, em dezembro de 2007, para mais de 1,5 milhão ao mês, em janeiro de 2008. Em um ano foram descobertas diversas formas de malware dentro das redes sociais, como banners publicitários que instalam arquivos e programas maliciosos no computador dos usuários ou códigos que os redirecionam para páginas que roubam dados confidenciais. (B2B, 22.7.2008)
Pesquisa realizada pela Barracuda Networks' em 2007 verificou que cerca de 50% das organizações bloqueavam o acesso interno a sites de redes sociais como MySpace e Facebook. 21% monitoravam as ações online dos funcionários.
Os motivos alegados pelos gestores são cuidados com a segurança dos sistemas e a privacidade das informações. (News.com, 19.12.2007)
■ Novos papéis na gestão de tecnologias - na medida em que os usuários cada vez mais escolhem os programas e as soluções que utilizam, a área de Tecnologia da Informação deixa de ser a principal provedora de suporte e passa a desempenhar o papel de consultora de soluções e de facilitadora para a sua adoção.
Apesar das dificuldades, pesquisa da Access Market International Partners mostra que mais de 2,8 milhões de pequenas e médias empresas no mundo inteiro já utilizam aplicações de participativas. (ComputerWorld, 14.3.2007)
Entre as empresas de atuação global, cerca de 50% já utilizam estas ferramentas (40% em podcasts e redes sociais), de acordo com a Melcrum. As que não as utilizam planejam fazê-lo no próximo ano. (WebProNews, 3.5.2007)
Entre as organizações usuárias, a maioria está satisfeita com os resultados dos investimentos nos últimos 5 anos e manterá ou aumentará os investimentos nos próximos anos. Só 13% estão insatisfeitas com os resultados. (McKinsey Quarterly, 3.2007)
Outra pesquisa sobre o retorno do investimento (ROI) em mídias sociais, realizada pela Prospero, empresa que comercializa soluções de Web 2.0, mostra que 35% dos pesquisados conseguiram auferir bons lucros, 41% não sabem se houve retorno. E 59% declararam que os investimentos alcançaram ou superaram os objetivos. (B2B, 9.1.2008)
As soluções mais procuradas foram serviços web, inteligência coletiva, peer-to-peer, redes sociais, RSS, podcasts, wikis, blogs e mash-ups.
Apesar dos dados promissores, muitos executivos de informática ainda veem estas ferramentas com desconfiança. Tendem a comprar blogs, wikis, redes sociais e sistemas de marcação de conteúdo (content tagging) de grandes empresas como Microsoft, IBM, SAP, BEA Systems ou Oracle, que desenvolvem diversos aplicativos integrados. (News.Com, 27.3.2007)
■ Nova etiqueta para a convivência online - A qualidade das informações publicadas em sites de comunidades corporativos depende de recursos tecnológicos e de políticas organizacionais claras sobre a publicação do conteúdo.
As organizações precisam criar e divulgar normas claras e incisivas para evitar a publicação de conteúdo pouco ético ou inadequado, como textos e imagens protegidos por direitos de autoria ou mesmo informações sigilosas.
Isto evita situações embaraçosas como a demissão de um funcionário da Google, em 2005, que divulgou informações sigilosas da empresa.
Pode-se adotar procedimentos como os do YouTube, que examina os vídeos submetidos antes de publicá-los, para se prevenir contra conteúdo protegido ou pornográfico. Ou então adotar a vigilância contínua da Wikipedia, que mantém uma equipe que examina permanentemente a qualidade dos textos postados.
■ Novas relações de poder - Gestores muitas vezes não sabem como agir em contextos que demandam hierarquias menos definidas e relações profissionais menos competitivas. Embora os programas participativos incitem à criação de culturas internas colaborativas, estes comportamentos não aparecem espontaneamente.
Para que o papel das redes sociais seja realmente potencializado no ambiente corporativo, as organizações devem primeiro examinar a estrutura dos relacionamentos interpessoais entre os colaboradores, parceiros e clientes, e seus efeitos sobre a cultura interna, em seu conjunto de percepções, crenças e ações.
Mas as relações de poder mudam não só nos relacionamentos internos como também a partir da interlocução direta com o público que os blogs e comunidades corporativos abertos viabilizam. As empresas são cada vez mais desafiadas a criar ambientes que envolvam o público interno na interlocução com o público externo, a atrair lideranças comunitárias e a gerenciar as interlocuções positivas e negativas que aparecem a toda hora.
Assuntos relacionados
► Gestão dos canais participativos
► Preparo de mídias sociais
► Comunidades online de clientes
► Serviços web (web services)
► SOA (Service-oriented Architecture)
► Comunidades de prática
► Blogs
► Wikis
► Requisitos para arquivos dinâmicos
Referências bibliográficas (Contextos de projeto web)
► Web 2.0 meets the enterprise (Builder.com, acesso em 9.6.2006)
► Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006
Mais informação sobre o assunto (links externos)
► Majority of fortune 1,000 companies will use social media - half will fail, de Mike Sachoff (WebProNews, acesso em 8.10.2008)
► Social media goes mainstream, de Dion Hinchcliffe (Social Computing Magazine, acesso em 17.8.2008)
► How businesses are using Web 2.0: A McKinsey global survey (McKinsey, acesso em 1.6.2008, mediante assinatura gratuita)
► Web 2.0 can de dangerous... (Alertbox, 12.2007)
► Social media and enterprise power relationships (ZDNet, acesso em 18.4.2008)
► The poverty of enterprise 2.0 and social media (ZDNet, acesso em 18.4.2008)
► Revenge of the experts (NewsWeek, 6.3.2008)
► Crie (Coppe/ UFRJ) - Centro de Referência em Inteligência Empresarial
► Icox, software para o gerenciamento de inteligência coletiva
► Google Labs (Laboratório de criação de tecnologias do Google)
► Participação com segurança (B2B, acesso em 14.8.2007)
► Companies warned not to rush into social networking (B2B, acesso em 23.1.2008)