Projetos web:
Contextos de projetos web

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Modelos em experiência

Atualizado em 11.11.2009

Os investimentos em programas participativos cresceram muito nos últimos anos. No entanto, as empresas desenvolvedoras de software parecem só gerar lucro quando vendidas para empresas maiores, como ocorreu com o YouTube, o MySpace e o Facebook.

O modelo de comercialização dos ambientes da web participativa ainda está em consolidação. Algumas empresas, como a Google, propõem a locação dos programas para uso corporativo, com o pagamento de aluguel, outras cobram pequenos pagamentos a cada vez que o usuário os utiliza. Há também empresas que publicam anúncios na interface e os disponibilizam gratuitamente.

O que parece ser um consenso é que o mercado para produtos e serviços online é cada vez mais segmentado e os modelos de pagamento precisam atender a necessidades cada vez mais personalizadas dos consumidores.

Outro desafio que a web participativa comercial precisa enfrentar é o baixo percentual de participação dos usuários. A grande maioria prefere, como espectadores de televisão, observar o conteúdo criado por uma pequena minoria. A empresa de avaliação de acessos online Hitwise mostra que:

Apenas 16% das visitas ao YouTube, da Google, são feitas por pessoas que fazem upload de vídeos.

Das visitas ao Flickr, site de edição e compartilhamento de fotos, 0,02% são feitas para o upload de fotos. Sites deste gênero contabilizam 56% de todas as visitas a sites de fotos.

De todas as visitas à Wikipedia, 4,6% são feitas por pessoas que acrescentam ou editam conteúdo.

Estudo da Pew internet também mostra o baixo índice de participação dos usuários adultos (não inclui adolescentes) dos EUA nas ferramentas de Web 2.0. Dos adultos, 73% têm acesso à internet, mas apenas 8% utilizam muito as ferramentas Web 2.0, embora tenham os dispositivos e programas necessários.

De qualquer forma, as visitas aos sites da chamada Web 2.0 aumentaram 668% de 2005 a 2007 e correspondem a 12% de toda atividade na web dos EUA. (CNet, 7.5.2007)

Dados sobre o uso de redes sociais

No âmbito corporativo, pesquisa da Deloitte com web sites participativos no âmbito corporativo aponta que 35% dos sites examinados não atraem mais de 100 membros. Menos de 25% têm mais de 1.000 clientes. (1)

A pesquisa cita três motivos principais para estes resultados:

A tendência a priorizar os aspectos tecnológicos e a funcionalidade das ferramentas em detrimento dos aspectos humanos.

Moderação das comunidades feita por colaboradores internos pouco experientes, muitos com pouco tempo disponível para a tarefa.

Métricas de avaliação de resultados pouco representativas dos objetivos.

Já a adoção das comunidades comerciais consolidadas parece ser maciça no ambiente corporativo. Estudo da FaceTime Communications em 2008 nos EUA mostrou que 79% dos funcionários entrevistados usavam o Facebook, LinkedIn ou YouTube para realizar atividades profissionais (54% para relacionamentos profissionais, 52% para fazer pesquisas e 52% para conhecer mais sobre os colegas). (2)

Em junho de 2008 o Ibope NetRatings passou a coletar informações sobre o comportamento dos usuários do Orkut. Os 50 últimos membros a participar de uma comunidade são mapeados e também a sua participaçao em outras comunidades, para identificar as lideranças destes ambientes. 

A análise mercadológica verificou que o usuário que gosta de uma marca passa mais tempo numa comunidade sobre ela do que no site institucional: o tempo de uso médio de um site institucional da indústria automobilística por usuário residencial da internet é 14 minutos por mês e mais de 4 horas nas comunidades sobre automóveis. (B2B, 19.6.2008)

Casos bem-sucedidos

A empresa de corretagem e investimentos online Scottrade, localizada nos EUA, optou por trocar a sua antiga intranet por uma rede social corporativa. A mudança partiu da percepção interna que a antiga intranet não suportava mais os 31 mil arquivos que acumulara em cinco anos de uso, onde era difícil publicar e localizar informações.

Para o projeto foram convidados 30 funcionários de várias idades, departamentos e funções que listaram as aplicações e informações importantes existentes na intranet. Divididos em grupos, apresentaram ideias sobre a nova rede e, a partir daí, chegaram a um consenso. Outra etapa do projeto envolveu a escolha do fornecedor (a Oracle) da plataforma tecnológica que suportou o projeto. Diversas empresas foram convidadas para apresentar seus produtos e os 30 funcionários votaram pela solução atendia melhor suas necessidades.

A rede social corporativa implementada inclui ferramentas como blogs dos usuários e uma plataforma wiki que fornece uma enciclopédia de termos e documentos atualizáveis pelos usuários. Há também uma página de cada departamento com perfil próprio, na qual as pessoas contam no que estão trabalhando e se conectam a outros profissionais. A empresa usa a área para atualizar as equipes sobre dados, políticas internas e procedimentos, e oferecer material de treinamento. (4)

A construtora brasileira Tecnisa usa a internet desde 2002 para alavancar a venda de seus apartamentos. Em 2008, 506 imóveis foram vendidos em canais online, 27% do total de unidades comercializadas pela empresa no Estado de São Paulo - um crescimento de 43% em relação a 2007.

O trabalho baseado nas redes sociais aumentou 132% a busca por apartamentos no site da empresa em 2008, em relação a 2007. Hoje, 40 corretores da equipe interna trabalham exclusivamente para atender as demandas originadas na internet. Os resultados foram obtidos depois da reforma do blog corporativo, reforçado, na propagação da marca, pelo uso do Twitter, do Facebook, do Slideshare, Flickr e do Youtube. (3)

 

Assuntos relacionados
Gestão dos canais participativos
Preparo de mídias sociais
Comunidades online de clientes
Comunidades de prática
Blogs
Wikis

Referências (Contextos de projeto web)
4) Corretora troca intranet por rede social (CIO, 11.11.2009)
3) Empresa 2.0 (B2B, 9.4.2009)
2) Is social media good or bad for business? (WebProNews, 28.10.2008)
1) Why most online communities fail (The Wall Street Journal, acesso em 16.8.2008)
Tribalization of business study (apresentação, resumo de pesquisa da Deloitte sobre mídias sociais em empresas, junho de 2008)
Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006.

Mais informação sobre o assunto (links externos)
Procter & Gamble usa rede social para aproximar equipes (CIO, acesso em 11.11.2009)
Are the iPhone and social networks making the classic Web and intranet obsolete?, de Dion Hinchcliffe (ZDNet, acesso em 27.10.2009)
Dell's Twitter experiment in the enterprise fails (eweek.com, acesso em 14.8.2008)
Google Labs (Laboratório de criação de tecnologias do Google)
PDF: A typology of Information and communication technology users (PDF, 282Kb)

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