Algumas metodologias de gestão de projetos

Atualizado em 16.11.2011

A realização de projetos web é altamente competitiva e dinâmica, o que requer dos agentes envolvidos nestas atividades que compreendam a sua complexidade contextual e a de seus produtos, para selecionar a metodologia de gestão mais adequada.

É importante que a seleção leve em conta não só as situações ambientais, comerciais e técnicas específicas de cada produto como também os contextos de desenvolvimento que melhor se adaptem ao estilo de liderança dos gestores do projeto e do cliente. Entre os diversos modelos disponíveis e amplamente consolidados, pode-se aplicar técnicas como:

Desenvolvimento ágil – É um modelo evolutivo que tem atraído muitos adeptos nos últimos anos. Tem diversas variações, como XP (Extreme Programming), Scrum, Lean Programming, FDD (Feature Driven Developement).

A elaboração do briefing e do business case é iterativa e incremental: desenvolvedores e stakeholders atuam juntos para entender o escopo, identificar as necessidades e funcionalidades a implementar. O produto é desenvolvido a partir do aprendizado coletivo, de diversos tipos de testes e de controle de qualidade para criar valor para o cliente desde as etapas iniciais do projeto.

Como as pesquisas iniciais são fortemente orientadas a resultados, a equipe pode optar por fazer protótipos de papel em vez de questionários formais, para testar a recepção de idéias, conceitos e abordagens relacionadas ao produto, bem como a efetividade das soluções de risco mais alto. Por isto, começa desde o início a criar modelos que evoluirão ao longo do projeto. Os requisitos (bastante resumidos) e as primeiras soluções de design são produzidos quase ao mesmo tempo.

O desenvolvimento em ciclos permite a prevenção de riscos e a absorção de mudanças ao longo da realização, de modo a reduzir os custos globais e a aperfeiçoar a inventividade das soluções. Os resultados de cada ciclo se mantêm afinados com os objetivos, ou os objetivos são alterados de modo consistente a partir dos resultados parciais.

Ao considerar o uso de métodos ágeis em um projeto web é importante, além das dimensões técnicas, avaliar como o ambiente organizacional do cliente vai dialogar com o da contratada (ou departamento da mesma organização). Como são os relacionamentos internos, como pode ser feita a ligação com/ entre eles? Podem ser informais ou devem obedecer a rituais pré-definidos? Para o uso do Scrum é necessário ritualizar o final e o início de cada ciclo com reuniões, isto seria possível?

Métodos ágeis podem ser usados quando o valor do projeto está claro desde o início, o cliente participa ativamente do projeto para o aperfeiçoamento contínuo do produto e a documentação visual (post its em vez de relatórios formais) é aceita pela maioria especialmente se os principais desenvolvedores trabalham no mesmo local. Plataformas ou aplicativos web que se beneficiam especialmente de ambientes criativos e dinâmicos, bem como produtos que se mantêm em permanente aperfeiçoamento, como sites de comércio e de mídias, podem se beneficiar especialmente deste modelo.

-> Ver caso do portal Hurricane Preparedness and Response for Florida Public Libraries, que divulga como bibliotecas públicas podem ajudar comunidades a lidar com furacões nas Flórida, desenvolvido em 2009. Embora não tenha seguido um método declaradamente ágil, o desenvolvimento foi realizado através de versões que iam sendo aperfeiçoadas em ciclos ou iterações.

Este método, no entanto, não permite muita elaboração de estratégias e modelos gerais, pois normalmente não há muito tempo para o planejamento, ideações ou a exploração de múltiplas opções. Pode-se optar por um modelo misto, que combine o desenvolvimento em cascata (ver abaixo) para as primeiras etapas de concepção com os modelos ágeis aplicados para o desenvolvimento.

Desenvolvimento em cascata – As atividades são realizadas em ordem linear: depois do preparo dos requisitos, desenvolve-se os produtos de uma etapa, aprova-se os produtos, segue-se para a etapa seguinte. Apesar do escopo definido e da pouca abertura a mudanças, os projetos desenvolvidos em cascata, como qualquer projeto, são sujeitos a imprevistos e mudanças. Por isto, é importante que a equipe se mantenha aberta a novas demandas, ocorrências, invenções durante a realização.

Dependendo do escopo e da expectativa de duração, os resultados de cada etapa são acompanhados de documentação detalhada, que não só documenta as ações realizadas como justifica os resultados obtidos.

O método em cascata é bem adaptável a projetos web de curta duração, com requisitos precisos e sem dependência de serviços de terceiros, como hot sites de produtos e eventos, bem como sites de pequenas empresas ou pequenas publicações. Também pode ser indicada para grandes projetos realizados para organizações com relações funcionais verticais e hierarquizadas, que demandam rituais de formalização dos processos e resultados detalhadamente documentados.

Desenvolvimento lean, procura adaptar o rigor da gestão à medida justa da complexidade do projeto. Limita a produção de documentos e a realização de reuniões apenas às estritamente necessárias para a realização do projeto e a adição de valor ao produto. Promove a contínua verificação do produto como a mínima solução viável, baseando-se na máxima de que “o mínimo é suficiente para seguir adiante.”

Ideal para projetos experimentais, que podem ser lançados antes de completamente finalizados e aperfeiçoados gradualmente, como os de mídias sociais e participativas.

Desenvolvimento lean, procura adaptar o rigor da gestão à medida justa da complexidade do projeto. Limita a produção de documentos e a realização de reuniões apenas às estritamente necessárias para a realização do projeto e a adição de valor ao produto. Promove a contínua verificação do produto como a mínima solução viável, baseando-se na máxima de que “o mínimo é suficiente para seguir adiante.”

Ideal para projetos experimentais, que podem ser lançados antes de completamente finalizados e aperfeiçoados gradualmente, como os de mídias sociais e participativas.

 Desenvolvimento rápido de aplicação (Rapid application development, RAD), modelo de desenvolvimento de software interativo e incremental que enfatiza um ciclo de desenvolvimento curto entre 60 e 90 dias. Inclui a modelagem do negócio, do processo, dos dados, da aplicação, a realização de testes e as modificações dos testes.

Em circunstâncias em que os requisitos e o escopo estão bem definidos desde o início este método permite a obtenção de resultados testados rapidamente. Pode ser arriscado se o escopo não estiver bem definido, pois uma revisão em etapas avançadas compromete toda a realização.

Projetos de hot sites com aplicativos participativos, como blogs e comunidades, que precisam ser lançados com prazos muitos curtos podem se beneficiar deste modelo.

Múltiplas estimativas (Multiple estimating method), realizado a partir das estimativas de custos e prazos obtidos com base em uma WBS. As atividades estimadas começam pelas de mais baixo nível e de curto prazo e vão aos poucos em direção às de mais alto nível e de maior complexidade.

Requer a opinião de pessoas experientes em projetos desta natureza, para estabelecer parâmetros críticos à verificação da acertividade das estimativas, bem como à verificação de dados estatísticos da área de atividade e do mercado, para o seu acompanhamento comparativo.

Funcionam bem em ambientes funcionais complexos em que os processos de decisão passam por diferentes instâncias de aprovação e comprovação. A opinião dos experts funciona muitas vezes como fator decisório, na medida em que conflitos de interesses internos podem dificultar os processos de aprovação dos produtos das diferentes etapas.

Control gate reviews, conduz revisões de qualidade dos produtos depois de cada etapa principal e define as lições aprendidas, atualiza os custos do projeto, o cronograma e as linhas-mestras do escopo, para a realização das etapas restantes. Também o plano de negócios é reexaminado a cada etapa, de modo a verificar se o investimento ainda é viável. Combina elementos de desenvolvimento incremental ao desenvolvimento em cascata.

Pode ser usada em situações em que a organização interessada numa solução web ainda não sabe a efetividade de uma solução e procura colocá-la à prova de modo exaustivo durante o desenvolvimento, para evitar os riscos de um lançamento equivocado.

Desenvolvimento caótico, em que a equipe e os gestores enfraquecem os controles de processos e interações para simplesmente pesquisar estudar técnicas, desenvolver ideias, fazer experiências, criar protótipos examinar os relacionamentos do produto em diversos contextos, selecionando as soluções mais simples e elegantes.

A solução que emerge desta abordagem pode ser inovadora e criativa, apesar de arriscada. No final das contas, pode ser a que melhor se adapta ao contexto específico de realização de projetos web de um modo geral. Bastante produtiva quando a equipe interna e o cliente têm perfil criativo e relações horizontais consolidadas por relacionamentos pessoais de confiança.

 

A lista acima é simplificada, há muitas outras opções de metodologias adotáveis para projetos web. De qualquer forma, a seleção da metodologia, além da identificação das características do projeto, do seu contexto e da seleção das melhores técnicas, demanda a adaptação dos métodos para as características de cada situação.

É preciso considerar também que projetos web incluem processos de criação sujeitos a condicionantes funcionais, editoriais, técnicos e comerciais. Isto os diferencia estruturalmente de projetos de engenharia, de sistemas, ou mesmo de programas. Nem sempre a reação do usuário pode ser prevista, na medida em que sujeita a impressões, gostos, sensações, relacionamentos. O imponderável e a subjetividade estão presentes no projeto, na medida em que são também dimensões do produto.

A maioria das metodologias de gestão de projetos se baseia na fragmentação do projeto em diferentes ciclos mais fáceis de gerenciar. No entanto, as soluções mais criativas e dinâmicas podem prescindir de um modelo formal e amplamente utilizado e acabar resultando em produtos flexíveis e legitimados gradualmente pelo público. O importante é escolher a técnica adequada para cada situação.
Texto criado em 16.2.2010.

 

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Estrutura Analítica do Projeto (EAP) – Work Breakdown Structure (WBS)


Mais informação sobre metodologias de projetos web
Gerenciamento de projetos é fator chave para empresas (ComputerWorld, acesso em 16.11.2011)
Bringing user centered design to the agile environment, de Anthony Colfelt (Boxes and arrows, 31.1.2010, acesso em 19.3.2010)
Living on the edge, de Kathleen Haas, PMP (Project@Work, acesso em 14.2.2010)
Resumo do PMBoK, por José Ignácio Jaeger Neto, PMP (PDF, 83 páginas, acesso em 15.7.2009)

Ferramentas de gestão de projetos (online)
10 Free project management applications, de Laura Spencer (Freelance Folder, acesso em 19.3.2010)
Ace Project (gratuito para até 5 projetos e 5 usuários, acesso em 14.2.2010)
Comind Work (ferramentas de projeto em grupo, como blog e wiki, gratuito no plano básico, acesso em 14.2.2010)
BaseCamp (acesso em 14.2.2010)
ActiveCollab (acesso em 14.2.2010)
Feng Office (acesso em 14.2.2010)
Central Desktop (acesso em 14.2.2010)

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