O público e suas demandas

Atividades relacionadas

Valorização da experiência de uso

Atualizado em 31.1.2012

Parte de uma estratégia experiencial ampla, que inclui todos os pontos de contato do público com uma marca, o desenvolvimento de um projeto online em torno dos interesses e necessidades dos usuários inclui uma abordagem que permeia desde a conceituação, a arquitetura da informação, o design da interface, o desenvolvimento tecnológico, o lançamento e a atualização do véiculo. Todos estes aspectos se somam para prover uma experiência de uso consistente e pregnante.

"A experiência do usuário é composta de todas as interações que uma pessoa tem com a sua marca, companhia ou organização. Isto pode incluir interações com o seu programa, web site, call-center, uma anúncio, um adesivo no computador de outra pessoa, um aplicativo móvel, sua conta do Twitter, seu email, e mesmo um encontro face a face. A soma do conjunto de interações ao longo do tempo é a experiência do usuário", define Joshua Brewer (2)

Segundo o designer Eston Bond editor do site Socialluxe, "não há um elemento-chave para traduzir a ideia de um aplicativo em alguma coisa compreensível para o investidor ou para a base de usuários; é o design do PRODUTO – a interrelação entre estética edição, complexidade da interface e latência perceptiva, conceituação básica e funcionalidade elementos intangíveis que desafiam qualquer melhor descrição - que definimos como 'experiência do usuário' que realmente assinala a proposta do aplicativo." (1)

Pode-se somar à observação de Bond que também o modo como a organização que publica o site realiza seus processos de negócios, desenvolve seus produtos e se relaciona com clientes e parceiros compõem o conjunto contextual que acompanha a experiência do usuário e a sistemática de projeto.

Nem sempre as interfaces online se mostram fáceis de usar e atendem às necessidades de uso dos seus usuários. Muitas mostram graves falhas operacionais e de funcionalidade. Entre as causas de falhas mais comuns estão:

Desenvolvimento da interface com demasiada ênfase nos aspectos tecnológicos em detrimento dos aspectos humanos – culturais, conceituais editoriais, funcionais, afetivos diretamente relacionados aos usuários e seus contextos de uso.

Os novos usuários da internet nem sempre têm modelos mentais adaptados a tecnologias digitais e a interface muitas vezes não leva isto em conta – o que é especialmente crítico no Brasil, onde a cada dia entram grandes contingentes de novos usuários de computadores e da internet.

Processo de desenvolvimento segmentado, em que a equipe de projeto não consegue ter uma visão holística do público, do produto, do produto em relação ao universo de interfaces e dispositivos da mesma natureza e das funcionalidades necessárias. Quando os colaboradores responsáveis pela pesquisa de público e de mercado não conversam com os responsáveis pela programação da interface, ou quando a equipe de suporte não conversa com os gestores do site, é provável que ocorram também problemas de comunicação com os usuários finais.

Funcionalidade da interface e experiência de uso atendem mais às demandas dos gerentes e dos diretores das organizações do que do público (incluindo as configurações dos seus PCs e celulares). O site pode ficar muito bonito numa ampla tela de PC que o acessa num escritório de empresa de alta tecnologia, mas, por exemplo, não permite que o usuário encontre o que procura, não reage de maneira consistente para ações da mesma natureza e aparece desestruturado numa lan-house de uma cidadezinha no interior da Amazônia.

Projetos com prazos (e orçamentos) tão apertados que não há tempo para fazer pesquisas de mercado, testes de usabilidade e reuniões entre os integrantes da equipe de projeto (muito menos para a realização de controle de qualidade que garanta a eficiência do produto depois da publicação).

Problemas como estes são prevenidos desde as etapas inicias do projeto quando a equipe de projeto se direciona para:

Atender os interesses dos usuários e das suas ações durante o uso do site. O conhecimento, pela equipe de projeto, do perfil do usuário médio, de suas características, seus interesses gerais e específicos, desde as etapas iniciais do projeto, ajuda a centrar o projeto no público que acessa interface. Testes e workshops realizados regularmente mantém o interesse dos desenvolvedores, equipe editorial e de marketing no aperfeiçoamento contínuo do produto

Medir e testar empiricamente o uso do veículo . É importante realizar testes intensamente desde a pesquisa de mercado e a estruturação do produto. A partir da observação do uso do site pelos usuários em diferentes ambientes online e offline, pode-se entender em detalhe as suas ações e preferências, traçar seus perfis com mais precisão e adaptar o veículo a cada dia para a demanda. Assim pode-se configurar componentes funcionais da interface que garantam a aderência do produto aos seus objetivos.

-> Por exemplo, se os usuários não estão chegando às camadas mais profundas de informações, testes presenciais de usabilidade ajudam a apontar os motivos, se está havendo problema no sistema de navegação ou em relação aos rótulos dos links.

Estabelecer processos multidisciplinares de ação – há muitos fatores a considerar no desenho de interfaces online e a complementaridade de diferentes profissionais, com formações (edição, marketing, design, usabilidade, arquitetura da informação etc.) e percepções diferentes, se somam como competências necessárias ao projeto.

Aperfeiçoar o produto continuamente a partir dos testes e dos processos iterativos do desenvolvimento – O aperfeiçoamento começa na realização do projeto e em condições ideais, se mantém depois do lançamento. É importante entender que interfaces que atendam a todos os tipos de públicos são praticamente impossíveis de desenvolver. Se estas atendem plenamente a segmentos bem definidos podem ser mais úteis e eficientes tanto para os usuários quanto para a consolidação da marca.

Texto publicado em 14.9.2008.

 

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O usuário como criador
Arquitetura da informação dos usuários
CRM
CRM em web sites
Testes

Referências
5 Signs of a great user experience, de Richard MacManus (ReadWriteWeb, acesso em 31.1.2012)
The psychologist's view of UX design, de Susan Weinschenk (UX Magazine, acesso em 20.11.2011)
What marketing executives should know about user experience, de Nick Myers (Cooper Journal, acesso em 31.8.2011)
1) Design for startups: The aesthetics of web apps in 6 questions, de Jolie O'Dell (ReadWriteStart, acesso em 13.9.2009)
Livro: Handbook of Usability Testing – How to plan, design and conduct effective tests, de Jeffrey Rubin. New York: Wiley, 1994.

Mais informação sobre experiência do usuário web
Global Experience Language (BBC – Gel, acesso em 1.12.2011)
Livro: Storytelling for user experience – crafting stories for better design, de Whitney Quesenbery e Kevin Brooks. New York: Rosenfeld Media, 2010
Printed books on user experience free to read online (The UX Bookmark, acesso em 5.5.2010)
Where emotional design fails, de Donald Norman (jnd.org, acesso em 20.3.2010)
Google user experience (Google – Corporate information, acesso em 1.12.2009)
The experience imperative: a manifesto for industrial designers, de Ken Fry (Core77, acesso em 1.12.2009)
Livro: Designing interactions, de Bill Moggridge, com a descrição de casos em que o projeto da experiência do usuário é um processo prioritário na criação de produtos
Pleasure and pain, blog de Whitney Hess, sobre o projeto da experiência dos usuários
UXMatters, revista online com estratégias de experiência do usuário
Similarities between interaction designers and agile programmers, vídeo com Alan Cooper sobre a relação entre programação e designers da experiência do usuário (InfoQ, acesso em 22.7.2009)
Otimizador de web site do Google, ferramenta que permite a designers e gestores testar o acesso a variações de páginas web com o mesmo endereço e verificar quais geram maior número de conversões

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