O público e suas demandas

Pesquisas de usuários: observações

Atualizado em 14.11.2011

Há diversos modos de abordagem para o conhecimento do público de uma interface ou plataforma ou online a ser aplicados como parte de um programa estruturado. Pode-se aplicar um deles ou vários combinados, de acordo com os objetivos de cada projeto e seu produto. De modo geral, incluem observações, entrevistas e atividades. Observações são modelos de pesquisas pouco invasivos, em que os projetistas observam mais do que demandam informações ou ações dos usuários.

As observações do público incluem análises estruturadas sobre o comportamento dos usuários e suas atividades e são os métodos de pesquisa mais fáceis e baratos. Podem ser realizadas quando há poucos recursos para pesquisas presenciais, ou quando é preciso criar uma visão geral, contextual, do público-alvo. Podem ser realizadas também quando outras pesquisas retornam resultados insatisfatórios e é preciso confirmar seu resultado.

Na medida em que são estudos em que o produto nem sempre é usado diretamente, podem examinar questões mais amplas que a usabilidade da interface, como a marca a que o produto está associado ou comportamentos culturais de grupos mais amplos. (1)

Técnicas de observações em pesquisas de usuários incluem:

Mosca na parede ("fly on the wall") – Monitoramento dos usuários em ambientes virtuais e não-virtuais, como lojas, museus, aeroportos, ruas, conferências, sem qualquer interlocução direta. É um modelo mimético, em que o pesquisador procura entender o comportamento dos usuários, seu comportamento, suas convenções, modos de comprar mercadorias, de interagir com produtos. O uso de câmeras discretas, como as de telefones, ou gravadores de áudio, deve ser feito de maneira ética e respeitar a privacidade das pessoas.

Monitoramento online – É outra atividade invisível para o público. Inclui o acompanhamento das estatísticas de acesso, de resultados das buscas, principais palavras-chave sobre um assunto. Estas observações levam ao entendimento de comportamentos, hábitos e preferências online, sem suposições ou especulações.

Em caso de redesenho de uma mídia digital, a consulta a estatísticas genéricas ou de site/ aplicativo já existente provê informações úteis sobre o perfil tecnológico de segmentos amplos de usuários, como a velocidade média de conexão, navegadores e plataformas. (ver Avaliação dos resultados : Interpretação dos dados de acesso – web analytics)

-> No Brasil, por exemplo, as estatísticas de uso da internet no horário de trabalho consideram o alto percentual de clientes domésticos e os novos clientes, com pouca experiência de uso. Sites como o do Núcleo de Informação e Coordenação (Nic) (dados de 2005 a 2010) do Comitê Gestor da Internet no Brasil fornecem informações atualizadas sobre o perfil do usuário brasileiro em diferentes regiões.

Caso disponíveis, pode ser importante consultar sistemas de CRM associados ao produto ou ao atendimento ao cliente, para conhecer os hábitos de consumo, a frequência de acesso, trilhas mais navegadas. Pode-se também consultar os arquivos gerados nas chamadas telefônicas, chats, emails. Se disponíveis, pode-se consultar também pesquisas de opinião e de satisfação.

Estes métodos quantitativos exigem análises matemáticas, na medida em que são coletados muitas informações numéricas. São indicados para responder perguntas como "quantos" (dados financeiros ou demográficos, por exemplo). (1)

Sombra ("shadowing")– Acompanhamento de usuários ou potenciais usuários de um sistema ou mídia digital enquanto realizam atividades do dia a dia, como usar dispositivos, dirigir carros, escrever textos. Pode ser feito diretamente ou intermediado por câmera ou gravador de áudio. Tem um caráter mais pessoal do que as abordagens anteriores, e deve-se pedir permissão às pessoas observadas para registrar as suas atividades e suas declarações.
(Texto publicado em 23.10.2011)



Assuntos relacionados
Atividades relacionadas (conhecimento do público online)
Interpretação dos dados de acesso (web analytics)
Gestão dos canais participativos
Preparo de mídias sociais
Arquitetura da informação dos usuários
CRM (Customer Relationship Management, Gestão do Relacionamento com o Cliente)

Referências sobre o conhecimento do público de web site
Livro: Designing for interaction – Creating innovative applications and devices, de Dan Saffer. Berkeley: New Riders, 2010
Livro: Designing for the social web, de Joshua Porter. Berkeley, CA: New Riders, 2008
1) When to use which user experience research methods (Alertbox, acesso em 6.11.2011)
2) Field studies done right: Fast and observational (Alertbox, acesso em 6.11.2011)
Design thinking for innovation (Ideaconnection, acesso em 23.10.2011)
User research techniques: observing users (Learning Space, acesso em 6.11.2011)
Recording ethnographic observations (Palojono, acesso em 23.10.2011)

Mais informação sobre o assunto (links externos)
User observation, de Chris Bernard (apresentação, acesso em 21.11.2008)
Survey design (Survey System, acesso em 21.11.2008)
When to use which user experience research methods (Alertbox, acesso em 21.11.2008)
User story mapping and use to user interface at Better Software's Agile Practices Conference (Boxes and arrows, acesso em 24.12.2006)
Human centered design innovation, de Praima Chayutsahaki PDF (Idemplyoee, acesso em 23.10.2011)
4 Detective tricks to find your customers in social media, de Jay Bae (Convince and Convert, acesso em 19.7.2010)
How social are your customers, de Kaila Strong (Search Engine Watch, acesso em 19.7.2010)
Step to the tune of your audience – deep demographic profiling (Search Engine Watch, acesso em 6.7.2010)
The art and science of understanding users (Sitepoint, acesso em 22.4.2010)
Case study of customer input for a successful product (AgileProductDesign, acesso em 13.1.2009)
Extreme user research, de Daniel Lafreniere (Boxes and Arrows, acesso em 26.3.2008)
Why companies monitor blogs (TechRepublic, acesso em 16.1.2006)

Ferramentas de apoio
Flowtown – serviço que traça o perfil de clientes em redes sociais através do endereço de email (acesso em 19.7.2010)
Rapleaf – serviço que permite o conhecimento do cliente através de dados demográficos, redes sociais, bancos de dados online e offline, como sistemas de CRM. Melhor para empresas maiores (acesso em 19.7.2010)
Quantcast – serviço que provê diversos tipos de dados sobre clientes e seus segmentos em redes sociais: gênero, idade, educação (acesso em 19.7.2010)
Groundswell – cria perfis sobre os clientes baseado em informações como idade, país, gênero (acesso em 19.7.2010)

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