O público e suas demandas

Preparo dos dados das pesquisas de usuários

Atualizado em 4.12.2011

Há muitos métodos de análise dos resultados das pesquisas de usuários, que correspondem aos muitos tipos possíveis de pesquisas. O preparo dos dados e informações coletados pode variar para cada um, e facilita a visualização necessária ao estabelecimento de relacionamentos úteis à conceituação e desenvolvimento dos produtos.

Muitas vezes, antes de começar uma pesquisa de usuários, prevemos o método de coleta de informações junto com o formato de saída dos dados. Às vezes adotamos métodos com formatos de saída já definidos, como card sorting, testes de usabilidade, priorização de segmentos do público-alvo. Mas quando realizamos pesquisas que incluem diferentes métodos e fontes para a coleta de informações, é preciso preparar os dados antes de analisá-los, para que retornem resultados úteis aos objetivos do projeto.

Os processos de preparo dos dados coletados nas pesquisas de usuários incluem:

Organização dos dados

Pesquisas de usuários podem gerar dados em diversos formatos, digitais ou não, como arquivos de aúdio e vídeo, planilhas, respostas de questionários, anotações não estruturadas (observações de uso e de comportamento, posts de blogs, de redes sociais, estatísticas), fotos de pessoas e lugares, imagens da internet, recortes de publicações, peças de publicidade impressa e digital, capturas de telas, esboços de processos, esboços de layout.

Durante a organização inicial destes dados, é feita uma limpeza no conjunto, com o descarte dos que não são importantes para os objetivos do produto, como questionários incompletos, processos que não seguiram as instruções recomendadas, entrevistas com usuários não representativos. Pode-se também descartar rabiscos incompreensíveis, declarações inconsistentes, respostas ambíguas. E atribuir códigos e numerações para respostas anotadas fora do espaço de perguntas de questionários.

Tanto para arquivos digitais como físicos, pode-se manter em pastas os arquivos descartados, para consulta até o final do projeto.

A partir da limpeza inicial, é preciso agruar os arquivos selecionados, para facilitar sua análise. Os dados digitais podem ficar dispostos em pastas separadas de acordo com usuários entrevistados, tipos de informações, possibilidades de uso (formulários, rótulos de botões, telas, conteúdo a ser criado, banners, layouts). E os dados físicos podem ficar organizados caixas (se forem volumosos) ou, (mais fácil de ver) em uma parede ou quadro branco, através de imãs ou papéis com adesivo.

Visualização dos dados

Para que fiquem facilmente manipuláveis e avaliáveis, é recomendável que dados organizados fiquem dispostos no mesmo ambiente. Caso estejam todos em formatos digitais, pode-se organizar um quadro digital online, compartilhável por diversos usuários independentemente de onde estejam (ver exemplos programas no final da página). Mesmo assim, não é fácil a equipe toda ter uma ideia geral e simultânea do conjunto numa tela de computador, por maior que seja, para trabalhar em conjunto.

Caso os dados estejam em formatos analógicos ou mistos (digitais e analógicos), é mais produtivo unificá-los num único ambiente, de preferência físico, especialmente se todos os projetistas estão alocados num mesmo ambiente. Para isto, é preciso transcrever em papel as declarações em vídeo e as anotações mais importantes, imprimir as imagens, recortar os impressos e dispor tudo num mesmo painel.

É importante lembrar que depois de horas de entrevistas, registros e anotações, os projetistas já têm pistas do que é mais ou menos importante para o projeto. Assim, os fragmentos de informações mais importantes podem ser escritos com destaque, para enfatizar as impressões e percepções valorizadas pela intuição.

A visualização do conjunto facilita a criação de associações entre informações que poderiam não aparecer a partir dos fragmentos isolados. Além disso, permite que o processo criativo se mantenha latente mesmo em horas em que as pessoas estejam trabalhando individualmente, pois o quadro pode ficar situado no mesmo espaço, como um local físico de reflexão sobre o produto do projeto, eventualmente atualizável à medida que o processo criativo evolui.

Diferentes pessoas ou grupos de trabalho podem adotar procedimentos diferentes para analisar pesquisas de usuários. De qualquer forma, é importante manter em perspectiva que o preparo dos dados é necessário, pois dificilmente as sínteses afloram da simples manipulação das informações. Além disso, métodos analíticos como estes facilitam a articulação de justificativas para a comunicação das conclusões aos clientes e outros agentes comprometidos com os resultados do projeto.
(Texto publicado em 27.11.2011)



Assuntos relacionados
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Interpretação dos dados de acesso (web analytics)
Testes de usabilidade – Criação de recomendações a partir dos testes

Referências sobre o conhecimento do público de web site
Livro: Designing for interaction – Creating innovative applications and devices, de Dan Saffer. Berkeley: New Riders, 2010
Demystifying data analysis, de Rachel Hinman (Adaptive Path, acesso em 27.11.2011)
Patterns in UX research (Ideaconnection, acesso em 23.10.2011)

Mais informação sobre o assunto (links externos)
User research techniques: observing users (Learning Space, acesso em 6.11.2011)
Recording ethnographic observations (Palojono, acesso em 23.10.2011)
Survey design (Survey System, acesso em 21.11.2008)
The art and science of understanding users (Sitepoint, acesso em 22.4.2010)
Extreme user research, de Daniel Lafreniere (Boxes and Arrows, acesso em 26.3.2008)

Ferramentas
Card sort analysis spreadsheet (Rosenfeld Media.com, acesso em 27.11.2011)
Cardsorting: WebSort.net (acesso em 14.7.2009)
Cardsorting: Optimal sort (acesso em 20.2.2009)
Cardsorting: Treejack (acesso em 20.2.2009)
Teste de protótipo funcional: Chalkmark (acesso em 20.2.2009)

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