Conceito editorial e comercial
Atividades relacionadas (conceituação editorial e comercial)
Estrutura editorial em rede
O papel do editor-articulador
Desenvolvemos aqui a função do editor como articulador do conteúdo criado no ambiente online da escola técnica descrita em Estrutura editorial em rede. Este ambiente está detalhado em todos os textos subordinados a este item (ver a barra de navegação à esquerda).
■ Em algumas comunidades online, agentes que selecionam e priorizam algumas informações sobre outras têm o papel de editor. Estes agentes às vezes são criticados pelo cunho autoritário, às vezes são aplaudidos por sua capacidade de discernimento. Mas seria esta atuação realmente necessária?
No caso da escola técnica profissionalizante, sim, eles são necessários. Porque atuam articulados, como encadeadores de assuntos, como animadores (provocadores) de discussões, como mediadores de conflitos. Mas acima de tudo, atuam como educadores.
Sua função gira em torno do objetivo principal da escola: formar competências aptas a atuar no mercado de trabalho. Neste caso, a perspectiva editorial valoriza o aprendizado, a pesquisa, a reflexão, e também a aplicação, o erro e a experimentação. E procura esfriar assuntos e comportamentos que se desviam muito deste enfoque.
Neste ambiente educacional, e de modo geral em ambientes institucionais, os editores não atuam como "mantenedores da ordem", publicadores de conteúdo estático ou agentes disciplinares. Atuam como fomentadores das atividades, estimuladores, líderes legitimados por suas intervenções, proposições e, acima de tudo, pelo seu comprometimento com o processo de criação de conhecimento coletivo.
Neste contexto, os editores são multiplicadores, catalizadores de interlocução. Sua atuação não impede que outros participantes construam seus próprios silos de conteúdo e relacionamento, segundo critérios e ritmos pessoais, com metabolismo próprio de atualização e recuperação de informações. A atuação dos editores procura facilitar estes relacionamentos e as lideranças que podem daí surgir e, se for o caso, inclui a saída elegante quando sua presença não é necessária (ou desejada).
A edição de cada um
■ Enquanto a atuação do editor de conteúdo de veículos de comunicação de massa procura selecionar e priorizar conteúdo para públicos homogêneos e indiferenciados, nos ambientes online participativos, o papel de cada pessoa do público nesta seleção e priorização cresce de tal forma que pode chegar a dispensar a presença do editor "genérico" e a estabelecer uma estrutura de atualização personalizada, espontânea e contínua.
■ Em alguns casos, as comunidades têm regras para valorizar o conteúdo e os autores de conteúdo. E estas regras permitem que o conteúdo considerado "mais importante" pelo grupo seja lido por um maior número de pessoas.
-> No Digg e no Overmundo, os usuários mais ativos e mais recomendados pelos demais têm prioridade para publicar conteúdo na página Principal.
No Slashdot as comunidades se organizam para delegar aos poucos, a alguns participantes, a responsabilidade de mediar listas de discussão. À medida que os mediadores recebem votos de aprovação por suas intervenções, o âmbito da sua atuação vai sendo ampliado.
Já em ambientes mais formais, como em ambientes institucionais ou o da escola técnica aqui descrita, a atuação dos editores-educadores tem precedência sobre a de editores-voluntários, embora se baseie em consensos das comunidades.
Um modelo de edição que interfira diretamente sobre o conteúdo publicado tem desvantagens:
■ As contribuições têm menos naturalidade e o tratamento interpessoal é mais formal, o que influencia a cultura interna. No Brasil, este fator pode ser um fator dificultador das relações afetivas, na medida em que aqui se valoriza muito o comportamento espontâneo e informal.
■ O incentivo aos comportamentos demasiadamente competitivos entre os participantes, para obter destaque.
■ Menor comprometimento da comunidade em se auto-regular, delegando este papel ao editor.
Mas a mediação tem também vantagens, como:
■ Promove a priorização e a seleção de conteúdo mais focado nos objetivos de cada canal, aumentando a sua visibilidade.
■ Facilita o uso pelos novatos, que podem localizar mais facilmente o conteúdo mais importante.
■ Os textos tendem a ficar melhor redigidos e a manter maior aderência aos temas, pois os participantes têm vínculo pessoal com a instituição mantenedora da comunidade e seguem com mais rigor as normas de conduta vigentes.
■ Os participantes com comportamento inadequado são mais facilmente neutralizados, pois muitas pessoas se conhecem pessoalmente.
■ As tecnologias para edição/ produção de conteúdo em rede estão maduras e permitem diversos modelos de participação em ambientes online comunitários.
A decisão sobre como é feita a edição/ intermediação depende essencialmente dos objetivos de cada ambiente online e do seu comprometimento com redes sociais mais amplas. Quando mais formal for o relacionamento das instituições e veículos com a sociedade, mais formais tendem a ser os relacionamentos mantidos em seus ambientes online, seja este de acesso restrito seja de acesso aberto à web em geral.
Assuntos relacionados
► Preparo de mídias sociais
► Atividades relacionadas (produção editorial)
► Estratégia web
► Plano da comunicação e projeto de web site
Referências bibliográficas
► Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006
► Cooperação e Controle na Rede: Um estudo de caso do website Slashdot.org, tese de Beatriz Cintra Martins. UFRJ, 2006. Investigação da interface de comunicação do website Slashdot.org, suas tecnologias de auto-organização e auto-valoração, e relações entre cooperação e controle nas interações entre parceiros
Mais informação sobre o assunto (links externos)
► Integrating social media into a Web content strategy (DigitalWeb Magazine, 5.8.2008)
► Icox, software para o gerenciamento de inteligência coletiva
► Virtual communitiy, software para o gerenciamento de inteligência coletiva
► Building online communities, artigo de chromatic sobre a constituição de comunidades na Internet
► Social networking found to be educational (WebproNews, 22.6.2008)