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Projetos web:
Conceituação

Conceito editorial e comercial

Relacionamento site-usuário

O usuário como criador

Atualizado em 9.9.2009

Um web site pode ser projetado para que o contato com os usuários seja tão ativo e inovador que os leve a reinventar a sua própria ação e o ambiente. No entanto, é preciso compreender a fundo os processos de criação dos usuários para propor ferramental através do qual estes aperfeiçoem a sua experiência de uso e estabeleçam uma experiência participativa legítima e pessoal.

Quando a interface web atende tanto a necessidades objetivas e subjetivas das pessoas que a utilizam e com elas estabelece um diálogo personalizado estas tendem a sentir que podem controlar e recriar a sua experiência de uso.

Para isto, a interface precisa viabilizar a realização tanto das tarefas para as quais foi projetada quanto daquelas que os usuários não reinvidicam objetivamente, mas que vão descobrindo enquanto a utilizam.

O conhecimento em profundidade do cliente é um processo necessário para a criação destas soluções diferenciadas. Para traçar este perfil, é preciso consultar as estatísticas de acesso e de atendimento aos consumidores, cruzar estes dados, colher informações em blogs e comunidades, delinear personas, conversar com pessoas que compraram os produtos ou similares, realizar testes e pesquisas enfim, conhecer o cliente em diferentes perspectivas.

É importante também ver como as pessoas falam, como se vestem, se comportam, se divertem, como cuidam da saúde, como se relacionam, como se identificam e se diferenciam nas suas comunidades; ver as culturas destes grupos, a sua formação escolar, seus interesses, suas atividades (Ver O público e suas demandas).

Mas como estas informações levam à criação de interfaces que coloquem os usuários no controle criativo da sua experiência de uso e estabeleçam uma conexão diferenciada com o web site?

Fazer o que os outros fazem não garante o sucesso

Poderíamos enumerar aqui algumas regras deduzidas da observação de sites bem-sucedidos sob o ponto de vista do relacionamento com o usuário. Estudos de casos ajudam a compreender o que deu certo e o que não deu embora não dêem obrigatoriamente as condições para repetir o seu resultado.

-> Por exemplo, não podemos dizer que a experiência de buscar uma informação no Google é bem sucedida porque:

A interface carrega rapidamente nos principais browsers.

Permite realizar buscas de maneira fácil e intuitiva.

Os resultados são gerados rapidamente e atendem às expectativas na maioria das vezes.

A interface é agradável, simpática e às vezes muda para homenagear um evento importante.

A busca se adapta automaticamente ao lugar onde estamos.

Os algoritmos estão sempre sendo aperfeiçoados, o que nos garante uma ferramenta confiável e comprometida com o nosso interesse.

O nosso interesse (de usuários finais) está acima do interesse dos acordos comerciais com outras empresas.

Associamos a imagem da empresa diretamente a inovação empreendorismo, pesquisa, conhecimento.

Não podemos afirmar que, se projetamos e realizamos uma ferramenta com o mesmo grau de eficiência do Google, seguimos passo a passo os requisitos acima, trabalharmos a estratégia e imagem para favorecer a criatividade e a inteligência dos clientes, teremos um produto tão bem sucedido comercialmente.

A compreensão dos processos de recepção e criação do usuário vai além das estatísticas, das pesquisas de mercado, dos estudos de caso, da engenharia reversa. É preciso atuar de forma crítica e criativa sobre o produto em projeto e sobre as condições da sua chegada ao mercado.

Quando projetamos uma interface de mídia social em que o usuário carrega suas fotos, marca-as com tags, publica textos e comentários está realmente exercendo a sua criatividade ou está obedecendo candidamente as demandas do próprio sistema? Como fazer sistemas ou plataformas que os usuários possam usar de maneira crítica, de forma a recriá-lo continuamente?

Poderíamos enumerar inúmeros aspectos que influenciam a criatividade e a participação ativa dos usuários de interfaces web, mas vamos nos ater aqui especificamente a apenas dois:

Tecnologia e conceito - A relação conceitual entre as tecnologias empregadas no projeto web e os objetivos comerciais editoriais, institucionais do web site.

Contexto e subjetivação - A composição de um ambiente favorável aos processos de criação e a articulação do pensamento do usuário e da sua experiência de uso.

A rigor a afinidade conceitual dos recursos tecnológicos aos objetivos do site faz parte da composição do contexto do web site. Ou seja, a criação de um ambiente favorável inclui os aspectos tecnológicos e funcionais da interface. Mas vamos manter os dois aspectos separados para evidenciar a sua autonomia.


Assuntos relacionados
Valorização da experiência de uso
Comunidades online de clientes
O público e suas demandas


Referências
On creation and consumption, de Jon Kolko (interactions, setembro-outubro de 2009, acesso em 9.9.2009)
De usuário a co-criador, de Frederick van Amstel (Webinsider, acesso em 31.7.2008)
Livro: As leis da simplicidade - vida, negócios, tecnologia, design, de John Maeda. São Paulo: Novo Conceito, 2007