Vídeo online
Em parte devido ao aumento do acesso via banda larga, a distribuição de vídeo na web está em momento de grande demanda - no Brasil, até o final de 2008 espera-se que 11,5 milhões de usuários. Os provedores de conteúdo a cada dia aperfeiçoam diferentes modelos econômicos de distribuição destes arquivos, para um público que procura alternativas para as TVs aberta e por assinatura.
■ Estatísticas do Hitwise, mostram que o tráfego para sites de vídeo aumentou 178% entre fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008. Em setembro de 2006, quando o site do iTunes passou a oferecer filmes da Disney, 125.000 arquivos foram baixados nos primeiros 15 dias, gerando $ 1 milhão; em fevereiro de 2007, a Wal Mart passou a oferecer o mesmo serviço; os acessos diários aos vídeos do YouTube chegam aos 300 milhões . (1)
■ Os produtores de vídeo online tendem a adotar um modelo semelhante ao das TVs, disponibilizando programas patrocinados ou transmitidos mediante pequeno pagamento (pay-per-view ou assinatura).
-> A AOL, a MSN e o Yahoo fizeram uma parceria para distribuir programas de TV, filmes e clips da NBC Universal e da News Corp. a partir de julho de 2007.
-> A AOL, que disponibiliza canais de provedores que incluem a Time Warner, lançou em outubro de 2006 o filme Incubus, de Adam Shapiro, feito para acesso apenas pela Internet.
-> O Sports Illustrated, em parceria com o Yahoo, publica vídeos de esportes em troca de anúncios no canal de TV. Este tem assim um canal para competir com o principal concorrente, a ESPN, que oferece a provedores de conteúdo vídeos em 360 graus.
-> O Yahoo publica diariamente 30 vídeos da BBC News sobre diversos assuntos nos seus portais (WebProNews, 2.12.2006)
■ A tecnologia para a distribuição de vídeo online está madura, mas a linguagem desenvolvida para veículos interativos, a usabilidade das interfaces, a proteção de direitos autorais e a segurança das redes ainda estão sendo aperfeiçoados.
Novas soluções tecnológicas procuram incluir o espectador no processo de criação das peças de vídeo, o que gera novas possibilidades de interlocução com o conteúdo.
-> A empresa israelense Plymedia o BubblePly Sunday, recurso que permite aos usuários acrescentar camadas de conteúdo aos vídeos, como informações geográficas, anúncios, músicas ou vídeos adicionais, selecionáveis pelo usuário durante o vídeo principal.
Cada vez mais o vídeo isolado, o arquivo que é visto ao modo de uma foto ou áudio, se integra ao conteúdo relacionado e selecionado pelo usuário, como textos, imagens, gráficos, apresentações, para compor a experiência de uso.
Usos comerciais de vídeo online
■ Em junho de 2005, o Google lançou um serviço para a procura de vídeos, que vão de produtos comerciais a peças experimentais e domésticas. Pode-se hoje localizar conteúdo do YouTube tanto pelo buscador simples quanto pelo Google Video. Hoje a empresa oferece anúncios em vídeo nos vídeos publicados.
Também são cada vez mais comuns os sites que publicam vídeo e programas para download, como Brightcove.com e Veoh Networks.
Em maio de 2007, o Yahoo também lançou a sua ferramenta de busca de vídeos, o Yahoo! Vídeo, que permite a consulta das tags mais populares.
■ Em sites comerciais, formatos que combinam som, áudio e animação são dirigidos a públicos diferenciados para criar experiências relacionadas a marcas comerciais em banners, jogos, cadastros, informações sobre produtos.
Modelos de aplicações do vídeo para complementar conteúdo em formato de texto e imagem incluem:
◊ Promoção de filmes, músicas e programas de TV.
◊ Recursos interativos dinâmicos para o desenvolvimento do sentido de branding - identidade em relação a uma marca
Exemplos:
-> Em 2004, o fabricante de calçados Converse pediu a fãs e realizadores que apresentassem pequenos filmes representativos "dos valores e do espírito da Converse", que competiam por um prêmio de $10.000. A promoção selecionou inicialmente 24 filmes curtos (dos 250 apresentados), veiculados em campanhas da empresa, que continua estimulando a produção de novas peças.
-> No site da Louis Vuitton (acesso em 7.2.2006) o vídeo é usado não só para mostrar as coleções de roupas, mas também para valorizar o requinte da produção artesanal dos produtos. Os enquadramentos valorizam o trabalho manual e o acabamento dos vídeos e mantêm a palheta de cores consistente com o site e os produtos.
-> Série de 8 filmes patrocinados pela BMW, feitos por diretores de cinema famosos, com histórias sem conotação publicitária explícita.
◊ Ensino de procedimentos ou a demonstração do funcionamento de um produto - como o tutorial de um programa.
-> O site DriverTV produz vídeos de carros à venda, vistos de diversos ângulos internos e externos, em que um narrador descreve as características e recursos de cada um. Neste caso, o site atende ao público que faz pesquisas online antes de comprar carros.
-> O site de busca de vídeo ClipBast verificou que os usuários cada vez mais procuram vídeos que ensinam a fazer alguma coisa, mesmo que não estejam interessados em comprar os produtos diretamente relacionados.
◊ Exibição de imagens que valem pelo movimento (uma corrida, uma jogada numa partida de futebol, um passo de balé).
◊ Complementação de notícias.
-> O Washington Post publica diversos tipos de vídeos, como pequenos cortes de vídeo (video podcasts), vídeos longos e conjuntos de fotos em seqüência, de acordo com a notícia veiculada.
◊ Exibição de ficção desenvolvida para veiculação online.
■ A publicação de vídeo na web leva em conta que o usuário normalmente associa a interface às informações e ações que consulta ou realiza. O conteúdo se adapta a este ambiente em que o usuário se mantém sempre ativo.
-> O Google lançou em maio 2006 o AdSense Vídeo, que publica anúncios clicáveis em sites de parceiros na rede de conteúdo. Quando a página carrega no browser, os usuários vêm uma imagem estática e optam por iniciar o vídeo ou não, podendo avançar, recuar e clicar num link da peça.
■ Na contramão das tendências um estudo da Forrester Resarch realizado defende que o mercado de compra e aluguel de vídeos online terá o seu pico em 2007.
Apenas 9% dos adultos online pagam para baixar ou alugar um filme ou seriado televisivo. São pessoas motivadas e com alto poder aquisitivo. Mas como o percentual é baixo, possivelmente o mercado vai apostar num modelo de streams com anúncios.
O modelo de downloads pagos deixa de ser preponderante, especialmente para as empresas produtoras de audiovisual, como redes de TV aberta e fechada.
■ A publicação de vídeo na web diretamente relacionado ao conteúdo editorial dos sites e ao seu modelo de negócios, com peças veiculadas em contextos que atendem às expectativas dos espectadores, representa um efetivo enriquecimento das formas de comunicação e expressão online.
■ Chad Hurley, fundador e CEO do YouTube afirmou em setembro de 2008 que "em dez anos, acreditamos que a transmissão de online video via broadcast será a mais ubíqua e acessível forma de comunicação. As ferramentas para a gravação de vídeo continuarão a diminuir e a ficar mais baratas. Os dispostivos de mídias pessoais serão universais e interconectados." (1)
Assuntos relacionados
► QuickTime, Real Vídeo e Vídeo para Windows
► Plug-ins: animações, sons
► DRM
Fontes (links externos)
1) YouTube co-founder talks about the future of online video (WebProNews, 16.9.2008)
► YouTube had 9 billion video views in january (WebProNews, 30.8.2008)
► Interactive video: Why the video tag won't cut it (The Universal Desktop, 5.8.2008)
► Convention coverage a click away (denverpost.com, acesso em 11.8.2008)
► Banda larga cresce 8% no 1º tri no Brasil (ComputerWorld, acesso em 22.6.2006)
► NBC, News Corp. push new web rival to YouTube ( ZDNet, acesso em 22.3.2007)
► How to creates video success (WebVideoUniverse.com, 3.5.2007)
► Mercado de venda de vídeos online não tem futuro, diz a Forrester (ComputerWorld, 15.5.2007)
Referências bibliográficas
► Talking-head video is boring online (AlertBox, acesso em 7.1.2006)
Mais informação sobre o assunto
► Report: Online video audience to keep growing (WebProNews, acesso em 9.12.2008)
Termos utilizados:
► Impressão de stream (stream impression)