Arquitetura da informação

Atividades relacionadas (arquitetura da informação)

Atualizado em 1.7.2012

As atividades abaixo estão numeradas de acordo com o sequenciamento de atividades da elaboração da estrutura:

F1. Definir um universo informacional do ambiente a ser criado, com a identificação das principais informações a publicar, das principais funcionalidades a implementar, de acordo com os objetivos do projeto, sem prestar muita atenção, neste momente, a "rótulos" ou "títulos". Não considera ainda os canais e formatos a serem criados.

F2. Sistematização deste ambiente visando ao projeto a realizar, verificando que unidades de informação e funcionais têm mais importância em cada canal, fazendo seleções partir das motivações dos usuários, dos objetivos de negócios, das modas e tendências sociais. Este processo inclui também a  internalização crítica de conceitos, atitudes, habilidades necessárias à compreensão e interação dinâmica com o universo informacional.

A metodologia empregada neste processo de exploração varia bastante, pode gerar uma planilha de possíveis seções com motivações dos usuários ao lado, um mapa conceitual com rótulos soltos ou encadeamentos preliminares, uma ontologia que resuma o contexto semântico-funcional-comercial do ambiente informacional, um conjunto de posts its sobre um quadro branco com diversas setas e conexões possíveis entre as principais unidades.

Este exame de "território" procura levantar questões como quais a principais motivações sobre um assunto pelo públic-alvo, o que já foi feito, como criar uma abordagem inovadora. Permite que cada assunto seja identificado no seu contexto de uso, bem como o melhor tipo de abordagem em cada canal .

F3. Classificar as informações em blocos (esquemas), já com a organização dos menus e barras de navegação em perspectiva, numa ordem contextual, lógica e de consenso, relacionada aos modelos mentais dos usuários. Mesmo que os rótulos ainda não sejam definitivos, esta classificação permite a visualização de padrões que facilitem a construção de narrativas interativas. → Exemplos

Este é um bom momento para realizar testes dos percursos dos usuários. Testes com cartões (card sorting, que podem ser realizados online e offline) ou com protótipos em papel permitem criar uma ideia geral sobre a disposição das informações de modo simples e barato. Permitem a compreensão dos modelos mentais de pessoas representativas do público dos canais para aperfeiçoar percursos e as primeiras versões dos rótulos, bem como a suavização da visão subjetiva dos projetistas.

Nestes testes, os usuários fazem agrupamentos das informações de acordo com a sua percepção e percorrem os percursos da navegação através com os rótulos sugeridos.

F4. Estruturar as relações entre os blocos de informações (estruturas de organização). Estabelecer relacionamentos e hierarquias dentro de cada bloco, de acordo com as características das informações, que facilitem a navegação e a construção de sentido – quanto menos links o usuário precisar selecionar entre páginas, melhor a orientação interna e menos dispersão em relação a outras opções de percurso.

Garrett (2003) define a navegação global como a composta pelos links para a página Principal e principais categorias da taxonomia; a navegação local como a que provê acesso para as páginas de nível mais alto, do mesmo nível e para elementos subordinados; a navegação suplementar (como os "links relacionados") como a que provê atalhos para conteúdo não diretamente acessável pela taxonomia principal; a navegação contextual corresponde a navegação no mesmo nível; e a navegação "de cortesia" é a que contém links para páginas de conveniência como informações para contato e declarações políticas internas e termos de uso.

Nos diferentes modos de navegação, as informações são acessadas tanto por seus aspectos objetivos quanto por seus aspectos subjetivos (passíveis de interpretação); os relacionamentos entre níveis e blocos de informações facilitam a localização de assuntos que o usuário muitas vezes não explicita. → Exemplos

F5. Avaliar a necessidade de criar mapas conceituais e taxonomias, o que pode alterar as etapas seguintes em relação aos contextos de informação.

F6. Desenhar o mapa do site, diagrama de informações com uma visão topológica das relações entre principais áreas de informações e entre a extensão e a profundidade a partir da página Principal. Os diagramas de informações permitem o estabelecimento dos principais percursos dos usuários em cada canal.

F7. Elaborar o design estrutural (wireframe) para visualizar as relações entre as informações e os percursos para chegar a cada uma. O design estrutural inclui também a descrição e a representação gráfica das principais funcionalidades do sistema.

Em alguns projetos, para simplificar o processo geral, o protótipo funcional (abaixo) é realizado também com função de wireframe.

F8. Confeccionar um protótipo funcional, com os rótulos e links das páginas principais, a ser testado com usuários representativos do público-alvo (em papel, HTML ou com programas que permitam a estruturação entre arquivos com hiperlinks).

Este é um momento adequado para realizar testes dos percursos dos usuários em cada canal. Testes com cartões (card sorting ou "cartões para seleção", podem ser realizados também online) ou com protótipos em papel permitem uma ideia geral sobre a organização das informações de modo simples e barato. Permitem a compreensão de modelos mentais de pessoas representativas do público, para aperfeiçoar percursos e os rótulos atribuídos, bem como a suavização das impressões subjetivas que os projetistas imprimem ao sistema de classificação.

Nestes testes, os usuários agem sobre as informações de acordo com a sua percepção e percorrem os percursos da navegação através das cartas ou páginas com os rótulos escritos.

O protótipo permite o toque e a interação com uma interface real e provê resposta mais realista do que a documentação estática sobre a estrutura de informações.

Permite também que os patrocinadores (sponsors) do projeto compreendam o resultado vendo algumas das funcionalidades sem precisar ler longos documentos. Além de uma ferramenta de teste, o protótipo é uma ferramenta de comunicação.

Pode-se unir a elaboração de wireframes e do protótipo funcional por meio de wireframes interativas. Estas também permitem a visualização da relação entre páginas e a realização de testes de usuários.

O protótipo deve conter o detalhamento das funcionalidades da interface, seja o funcionamento de formulários, ou o funcionalmento de processos automatizados. Nestes modelos, deve-se prever as situações que estarão presentes no produto final, de modo a orientar os desenvolvedores durante a produção.

F9. Ajustar a estrutura, refinando os "rótulos" ou "títulos", as subordinações, verificando sua adequação à linguagem habitualmente utilizada pelos usuários. Um nome ou expressão utilizada nos rótulos pode servir de chave para a sua localização em buscadores e é pensado como uma representação simbólica genérica do conteúdo informativo.


Outras atividades da arquitetura da informação

Definir um enfoque conceitual e editorial para o conteúdo a ser publicado, em torno do qual as informações serão estruturadas. Pode levar em conta a análise das estatísticas de acesso de site existente, que mostra o que os usuários procuram e ajuda a estabelecer prioridades. O enfoque conceitual permite o estabelecimento dos principais modelos (templates) de interfaces necessários para o veículo.

Criar índices em ordem alfabética, de palavras-chave a partir de vocabulários controlados, para a orientação de usuários que procuram informações precisas, se necessário.

Esta atividade não é considerada na maioria dos projetos de sites, mas é útil para facilitar a indexação pelas ferramentas de busca, a priorizar os links nas páginas de resultados (SEO) e orientar usuários que saibam exatamente as informações que estão procurando.

Checar a qualidade da arquitetura da informação de acordo com requisitos pré-estabelecidos ou lista de referência já existente. → Lista de indicadores (formato xls, 47kb)

Planejar a escalabilidade ou as transformações futuras do site de acordo com transformações da organização/produto/serviço/área de atividade e das demandas dos usuários.

É importante considerar a mudança das características do conteúdo ao longo do tempo, para que a estrutura geral possa acompanhá-la.

Sites cujo conteúdo é em grande parte criado ou estabelecido por contribuições dos visitantes, precisam de vigilância permanente para que a estrutura informacional e funcional se mantenha adequada ao uso de acordo com as tendências e demandas dos visitantes/colaboradores.

-> Exemplos: Del.icio.us, Everything2, wikis, alguns blogs


Assuntos relacionados
Planejamento : Atividades da Criação de modelos (sequenciamento)
Wikis
A relação entre a extensão e a profundidade das áreas de informações
Tipos de testes
Indicadores de qualidade – exemplo de lista de checagem

Referências
Livro: Ergodesign e arquitetura de informação, trabalhando com o usuário – como melhorar a usabilidade de seus projetos na internet, de Luiz Agner. Rio de Janeiro: Quartet, 2006
Livro: Information architecture for the World Wide web, designing large-scale web sites, de Louis Rosenfeld e Peter Morville. OáReilly, 2003
Analysing the results of a websort study, de Larry Woods (PDF, Websort, acesso em 9.8.2008)
Cluster analysis (Statsoft, acesso em 9.8.2008)
Information architecture heuristics, de Louis Rosenfeld (LouisRpsenfeld.com, acesso em 9.8.2005)
Measuring the success of a classification system (Boxes and Arrows, acesso em 7.5.2007)

Ferramentas
UxSort ferramenta de card sorting (acesso em 20.6.2012)
Card sort analysis spreadsheet (Rosenfeld Media.com, acesso em 27.11.2011)
WebSort.net ferramenta de card sorting (acesso em 14.7.2009)
Optimal sort ferramenta de card sorting (acesso em 20.2.2009)
Treejack ferramenta de card sorting (acesso em 20.2.2009)
Teste de protótipo funcional: Chalkmark (acesso em 20.2.2009)

Glossário
Relevância – Seleção de informações úteis, pertinentes para uma necessidade de informação. Um documento é relevante se contribui para satisfazer a necessidade de informação de um determinado usuário. É um termo aplicado às buscas online, que procuram situar os resultados mais relevantes no alto das listas de resultados.
Revocação – Capacidade de um sistema de arquivamento digital de recuperar documentos/ informações relevantes.

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