Arquitetura da informação
Atividades relacionadas (etapas de projeto)
Enfoque conceitual e editorial*
Atualizado em 30.10.2009A estruturação das informações para o deslocamento dos usuários de um web site não considera apenas as características intrínsecas às unidades de conteúdo publicado. Inclui também aspectos conceituais e editoriais que orientam o tratamento integrado das informações.
■ Para que usuários de diferentes interesses e objetivos se identifiquem com o conjunto de informações de um web site é preciso que a arquitetura da informação se integre à abordagem editorial, para seguir linhas gerais que conduzam as diferentes circunstâncias de navegação e acesso.
Estas linhas definem se os critérios da estruturação se baseiam em torno dos usuários, dos produtos, de serviços, de atividades comerciais, de pesquisas acadêmicas, da imagem institucional, da área de conhecimento.
-> Num site de notícias, por exemplo, é comum que as informações se organizem em torno de assuntos como "Política", "Internacional", "Lazer", "Esportes". O público, acostumado a usá-los como referência, procura as informações baseado nesta grade.
Além das convenções já consolidadas pelo uso, o público destes sites se identifica com um ou outro canal de acordo com enfoque mais popular ou mais "sério", mais aprofundado ou superficial. Estas linhas gerais de tratamento do conteúdo identificam o veículo junto a seu público.
Diferentes vetores conceituais
■ O enfoque editorial e comercial é resultado de uma soma de critérios, como:
◊ Os objetivos principais e secundários do web site (incluindo os objetivos da organização que o publica) – O site precisa vender produtos? Precisa “vender” a imagem da empresa? Oferece serviços?
-> Veja, por exemplo, o site do Governo do Canadá, em que a abordagem conceitual/ editorial é voltada à prestação de serviços para a população. ► Ver exemplo
◊ Características gerais do público (sob o ponto de vista demográfico, que leva em conta dados gerais como localização, renda, gênero, idade, grau de formação dos usuários, etc.). Que tipo de informação pessoas com determinadas características procuram neste site, o que diferencia as informações deste site das de outros sites afins?
Para isto, é importante conhecer o público e avaliar as suas necessidades. E uma vez feitos estes levantamentos, é preciso cruzar estes dados com os objetivos do web site.
-> O site da Dell, por exemplo, é organizado em função das necessidades de grupos específicos de usuários de seus equipamentos: “usuários domésticos”, “pequenas e médias empresas” e “segmento corporativo e público”. ► Ver exemplo
◊ Características de ordem cultural, de coletividades com interesses específicos – o interesse por um determinado tipo de música, ou por determinado conteúdo, por determinados tipos de produtos.
-> O site da Gucci, por exemplo, é estruturado em função da venda da marca dos seus produtos para clientes que precisam ter tratamento muito especial. ► Ver exemplo
◊ Características de caráter pessoal – conteúdo de acesso exclusivo, que faça com que cada pessoa seja atendida nos seus interesses pessoais.
-> O site da Amazon.com disponibiliza diversas ferramentas que permitem a personalização do conteúdo, como a página Principal com recomendações de compra baseadas nos hábitos de cada cliente, lista de itens selecionados para compras futuras (“wish list”).
Ao mesmo tempo, neste site, ferramentas de inserção de comentários e resenhas fazem que os leitores se sintam parte de comunidades de consumidores de produtos semelhantes.
■ Critérios como estes, aliados a metodologias específicas ajudam a estabelecer as diretrizes de caráter geral, tanto de ordem conceitual quanto editorial, que influenciam diretamente a topologia das informações publicadas e a navegação dos usuários, o tratamento da rotulagem dos links, a modelagem da ferramenta de busca.
■ Louis Rosenfeld e Peter Morville propõem alguns métodos para criar o conceito geral da arquitetura da informação:
◊ Explorações metafóricas – usar, como modelos de organização, metáforas de serviços (como o pagamento de um imposto), ou de processos (como o preparo de uma festa para 100 pessoas), ou de imagens (como a sinalização das ruas) já consagrados pelo uso.
Assim, o usuário pode seguir o passo-a-passo já conhecido destes modelos.
◊ Cenários – (já citados neste site em Construção de personas) com a simulação de diferentes usuários-personagens e, de como estes podem navegar pelo site, encontrar informações de interesse, realizar buscas por palavras-chave.
■ Enfoques gerais como estes influenciam a criação da arquitetura da informação de cada web site que, mesmo sujeita a tais condicionantes, é um processo de natureza criativa e sujeito a julgamentos de ordem subjetiva.
Estes julgamentos e escolhas da equipe de projeto precisam ser testados exaustivamente antes do lançamento e, a seguir, legitimados pelo público final.
■ De qualquer forma, mesmo depois do lançamento, a estrutura precisa ser revisada em bases regulares e se adaptar cada vez mais à demanda do público.
E se adaptar também às mudanças do público, do relacionamento do site com o público, dos objetivos da organização que publica o site, fatores influenciam, e atualizam sempre, o modelo conceitual e editorial do web site.
* Consideramos aqui como abordagem conceitual os aspectos comerciais e relacionados às características do público-alvo do web site. E como abordagem editorial os aspectos específicos ao tratamento do conteúdo para publicação.
Assuntos relacionados
► Modelo editorial entre canais
► Objetivos do projeto (briefing)
► Conceito editorial e comercial
► Conhecimento do público e avaliação de necessidades
► O ambiente de publicação
► Construção de personas
► Ferramenta de busca (interna)
Referências bibliográficas
► Livro: Information architecture for the World Wide web - designing large-scale web sites, de Louis Rosenfeld e Peter Morville. O´Reilly, 2003
► Centrando a arquitetura da informação no usuário (Guilhermo.com, acesso em 2.9.2007)
Mais informação sobre o assunto
► Caso do redesenho do site Globo.com (apresentação de slides, acesso em 31.1.2009)