Arquitetura da informação

Tipos de estruturas (de informação)

Atualizado em 3.4.2013

A estrutura de navegação de um web site é organizada para que cada visitante possa compreendê-la com rapidez e se desloque facilmente entre páginas e seções. Quanto mais rapidamente o visitante construir um modelo mental de resposta a esta estrutura, mais fácil será o seu deslocamento.

A arquitetura de um web site pode seguir diversos modelos:

Linear ou sequencial (flat model) – define o deslocamento de página a página com botões tipo "Próxima página" e "Página anterior". O processo de compras em um site de comércio, por exemplo, segue uma ordem que vai desde a identificação do usuário e dos produtos que quer comprar até a confirmação da compra. O início e o final são previsíveis dentro da lógica que os encadeia.

Hierárquica ou arborescente – liga tópicos genéricos a tópicos mais específicos, com base na construção de uma taxonomia. As informações podem se estruturar de alto para baixo como os ramos de uma árvore ou de baixo para cima, segundo a estrutura de um banco de dados hospedado num servidor, que atende às solicitações dos usuários.

A estrutura hierárquica pode apresentar diversas estruturas dominantes, com subordinações e superposições para cada uma delas e neste caso se configurar como uma estrutura Polihierárquica (multi-dimensional hierarchy model).

Segundo este modelo, pode-se acessar o conteúdo através de diversos modos, dependendo do ponto de partida. Este tipo de estrutura pode ser encontrado em sites como Amazon.com, em que as buscas e percursos podem se organizar em torno de tópicos, autores, assuntos, títulos, gêneros, palavras-chave.

Matricial ou em grade – neste caso, a estrutura não é hierarquizada e segue um modelo horizontal, porém o deslocamento entre páginas não é necessariamente linear.

Os "Links relacionados" (ou "Veja também") que unem diversas páginas de um mesmo site segundo algumas afinidades temáticas entre informações podem estabelecer uma estrutura matricial.

Híbrida – tópicos genéricos se ligam a tópicos mais específicos, ou vice-versa, de acordo com conteúdo gerado dinamicamente pelo usuário.

Diversos critérios de organização, entre horizontais e verticais, se combinam para criar uma experiência de uso integrada.

Personalizada – o usuário define as informações que quer receber ou as ferramentas do próprio site rastreiam o percurso que o usuário percorreu durante uma visita e selecionam o conteúdo de sua preferência (normalmente o mais acessado).

Participativa – estruturada em torno das ações dos usuários e dos objetos sociais criados ou modificados durante estas ações.

Ad hoc, "caótica" ou em teia – não apresenta uma ordem aparente, é uma estrutura em que os relacionamentos entre itens são mais editoriais que estruturais.

Os percursos são definidos pelos usuários que se deslocam de acordo com os seus interesses, seguindo hiperlinks que encontram nas páginas, ou ordenações baseadas nas características das próprias informações. Ou então por um editor, ou especialista em conteúdo, que determina os relacionamentos entre links.

É a forma de estrutura que oferece mais risco de desorientação que as outras, no entanto permite o cruzamento total e irrestrito de informações, pois não está condicionada a nenhum modelo pré-definido. Testes de usabilidade mostram que há uma relação negativa entre os links inseridos dentro de textos e os agrupados em barras de navegação. Neste caso, muitos usuários passam por links durante a leitura sem mesmo notá-los. O uso de modelos híbridos neste caso é mais efetivo. (4)

Cross-media (mídias cruzadas) – segue os encadeamentos de um ambiente amplo de informações, composto por um conjunto de ambientes mais restritos, mídias e canais interligados, que se complementam e dependem um do outro para compor uma experiência de uso ou completar uma ideia ou tarefa. Considera a experiência de acesso e uso fragmentada ou parcial em cada um, sendo que nenhum produto em si provê a experiência completa. (1)

O cadastro de um email para receber uma mala direta é uma experiência cross-mídia quando há o envio de mensagem para a caixa postal do assinante e este precisa clicar num link para confirmar o cadastro. O cadastro não é finalizado caso não haja confirmação.

Cross-channel (ou transchannel, canais cruzados) – considera uma estrutura de informações de composta por elementos dispersos de maneira estruturada (criação, publicação, ação, relacionamento, recriação). O conjunto dos elementos individuais, cada um contribuindo à sua maneira, compõe uma experiência integrada, entre canais.

Um único canal pode ou não prover uma porta de entrada ao ambiente, e a maioria dos usuários não percorre todos os seus pontos de contato do início ao fim. Alguns canais permitem que os usuários completem a sua experiência sem precisar de outros.

A HarperCollins publicou o livro Dark Eden junto com app do game, que é baixado do web site, onde se encontram também imagens, vídeos, making of do game. A estrutura do site dá suporte ao app – que também pode ser jogado via web –, à história, e vende o livro. O conjunto integrado de livro+web site+app+vídeo compõe uma experiência cross-channel. (2)

O filme Angry Birds será lançado em 2014, mas o game é um sucesso há anos. A Rovio, empresa criadora, oferece também séries de vídeos através dos apps móveis do jogo. A criação dos subprodutos da marca é diretamente influenciada pela experiência de uso do jogo, bem como pelo conhecimento do público (global, de diversas idades) e suas demandas. Embora relacionados, jogos, séries e filme compõem experiências independentes entre si. (3)

Multi-channel (multi-canais) – Oferta de serviços ou experiências da mesma natureza que podem ser acessados ou usados a partir de inúmeros canais. Os usuários acessam um ou outro e podem realizar a mesma tarefa ou acessar a mesma informação completa.

Ou seja, um correntista de um banco acessa a sua conta através do web site e obtém o seu extrato, mas pode fazê-lo também num caixa eletrônico, pelo seu celular, ou pelo caixa do banco. A realização destas tarefas inteiras independe do acesso a outros canais complementares, como o recebimento de mala direta postal ou o recebimento de mensagens telefônicas.

Web sites normalmente combinam vários dos modelos de estruturas citados acima, de acordo com as características do conteúdo que publicam, com os seus objetivos (conceituais, comerciais) e com os modos como se relacionam com o público.

Sob o ponto de vista dos usuários, cada tipo de estrutura contribui para a construção de uma narrativa que reflete como os interesses e modelos mentais de cada um se relacionam com os princípios gerais que regem a sua organização. → Exemplo



Assuntos relacionados
Narrativas interativas: Percursos e ações dos usuários

Cross-channel

Referências
4) Types of navigation systems (O'Reilly's; Information Systems for the World Wide Web, acesso em 3.4.2013)
Website conceptualization and information architecture (IA), de Ryan Boudreaux (TechRepublic, acesso me 21.6.201)
Livro: Pervasive information architecture, de Andrea Resmini and Luca Rosati. Burlington, MA: Morgan Kaufman, 2011
3) @ pcE11: Angry Birds 'The Movie' Or 'The App'? It's just 'The Experience' (paidContent, acesso em 11.3.2012)
2) James Frey's post-apocalyptic wasteland (paidContent, acesso em 11.3.2012)
1) What is cross-channel (Andrea Resmini, blog, acesso em 11.3.2012)
Cross-channel, cross-media, multi-channel: Where’s the difference, a partir do livro, citado abaixo, de Andrea Resmini and Luca Rosati (Pervasive Information Architecture, acesso em 11.3.2012)
The transmedia challenge: Co-creation, de Donald Norman (JND.org, acesso em 11.3.2012)

Mais sobre o assunto (links externos)
Optimal Sort, programa para teste de estruturas, fluxos de trabalho, menus, caminhos dos usuários em web sites (acesso em 8.9.2012)
The revenge of the origami unicorn: Seven principles of transmedia storytelling (well, two actually. Five more on Friday), de Henry Jenkins (Confessions of a Aca-Fan, acesso em 11.3.2012)

Designing for bridge experiences, de Joel Grossman (UXmatters, acesso em 18.3.2012)
Game design as a narrative architecture, de Henry Jenkins (Publications, acesso em 18.3.2012)

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