Arquitetura da informação
Exemplo – Estrutura de site institucional centrada na organização
É comum a estruturação de sites institucionais em torno dos interesses da organização em detrimento do interesse dos usuários e das informações que publica. Descrevemos aqui, como exemplo, o site fictício e bastante simplificado, de um museu de arte moderna.
■ O site do museu se divide nas seguintes áreas:
▪ Sobre o museu
▪ Nossa equipe
▪ Histórico
▪ Espaço do museu
▪ Visita virtual
▪ As obras de arte (acesso a banco de dados)
▪ Programação
▪ Exposições
▪ Visitas guiadas
▪ Cursos e palestras
▪ Cinema
▪ Projetos especiais
▪ Para as crianças
▪ Terceira idade
▪ Loja online
• Na estrutura acima, apenas a Programação, procura atender efetivamente os interesses do público, pois se propõe a publicar informações atualizadas sobre os serviços oferecidos.
■ As outras áreas refletem apenas a (auto) imagem institucional para o público externo:
▪ Sobre o museu descreve as prioridades administrativas da instituição. O público fica sem saber o que caracteriza um museu de arte moderna em compensação conhece a equipe e a história do museu.
▪ Espaço do museu descreve as áreas de exposições, o patrimônio imobiliário disponível, informação que interessa mais ao público de corretores de imóveis que a espectadores de obras de arte. A Visita virtual exige a instalação de um plug-in que poucos usuários se dispõem a baixar.
▪ Em As obras de arte o usuário é conduzido a um banco de dados, com campos que deve preencher para acessar o acervo. Mas se não se conhece as obras e os artistas, como é possível consultar o banco de dados?
▪ Projetos especiais explica que o museu se preocupa com as crianças e os idosos, por isto cumpre a sua missão social. Os interessados nos projetos devem por favor escrever para os emails indicados.
▪ A Loja online descreve produtos à venda na loja do museu, mas não oferece qualquer recurso para compras online.
■ Este exemplo é naturalmente uma caricatura simplificada e ilustra apenas uma situação em que o web site é criado para descrever a estrutura institucional, sem qualquer comprometimento em atender o público externo.
■ Mas a instituição não foi escolhida por acaso: um museu de arte moderna possui um potencial inestimável de produzir conteúdo especializado sobre assunto editorial e visualmente muito rico: arte moderna!
O projeto do site poderia incorporar questões estéticas, conceituais, deste momento da produção da arte ocidental com uma estrutura de informações que refletisse a experiência do espectador da obra de arte moderna, como por exemplo a crise dos suportes (o que é pintura, o que é música, o que é literatura, num momento em que todas as artes colocaram em xeque seus formatos e seus processos de criação?).
Poderia oferecer coletâneas temáticas sobre as obras, com recortes históricos ou geográficos, ou divididos por autor, ou por linha de produção artística. Ou então publicar resumos críticos das exposições, resenhas e comentários dos visitantes. Ou publicar subsites relacionados às exposições temporárias, com material de suporte ao visitante.
E para as crianças, um museu virtual com uma iniciação à arte moderna e explicações em linguagem coloquial, numa interface divertida e amigável.
■ As possibilidades de invenção são muitas, mas não podem ser aplicadas porque o veículo está formatado para refletir a estrutura organizacional e os seus relacionamentos internos.
O assunto principal, a arte moderna está ausente da estrutura de informações do site deste museu... de arte moderna, tanto sob o ponto de vista visual quanto editorial.
■ Mas a questão aqui não é discutirmos a arte moderna e sim pensar na criação de web sites que priorizem a natureza das informações e estabeleçam modos criativos destas informações se relacionarem com o público.
Ou seja, pensar em processos de criação de sites que se relacionem com cada um dos seus usuários, isentas de seu peso institucional interno, comprometidas em fornecer as informações/ experiências de uso que afinem ofertas e demandas legítimas de quem vê, usa e interage com suas interfaces.
■ Mas como incorporar conteúdos que não são sequer considerados pelos gestores da organização ao processo de criação de um web site? Ou estabelecer linhas editoriais que a organização não tem condições de acompanhar depois que o site for lançado?
■ Inicialmente, é importante o entendimento profundo dos usuários, bem como das características inerentes às próprias informações a publicar, para a estruturação e a edição adequada do conteúdo.
A equipe interna deve participar deste processo, para que, como co-autora da estrutura, possa defendê-la e aperfeiçoá-la ao longo do tempo.
■ A partir do estabelecimento e da aprovação de linhas conceituais gerais e da sua aplicação em situações práticas claras, fica viável negociar com as gerências responsáveis internamente pelo site como a atualização e o tratamento adequados do conteúdo podem ser feito em bases regulares.
Neste caso, o desenho de processos e a criação de modelos ajudam a equipe interna a ir aos poucos se adaptando de uma cultura auto-centrada para uma cultura voltada ao estabelecimento de relações entre o usuário e o conteúdo.
E podem assim ser implementados gradualmente verdadeiros processos de comunicação e interlocução em que o público contribua cada vez mais com novos textos, imagens.
■ Pode-se criar linhas gerais para este planejamento, mas sua implementação varia a cada caso, de acordo com as forças internas e externas envolvidas na publicação do web site insitucional, nos recursos disponíveis, na flexibilidade da estrutura organizacional a mudanças.
Assuntos relacionados
► Conceito editorial e comercial
► Mudanças do escopo
► Atividades relacionadas (produção editorial)
Referências
► Enterprise IA methodologies (Boxes and Arrows, acesso em 8.5.2007)
► The knowledge-model driven enterprise (acesso em 11.2004)