Atualizado: 23.7.2008
 
Projetos web
Dispositivos móveis

Modelos de negócios

 

Publicidade nos telefones

 

A publicidade móvel exige capacidade de invenção e sensibilidade apurada das operadoras de telefonia e empresas de comunicação, pois o público demanda anúncios informativos e úteis, opcionais (não-invasivos), mas também de rápido acesso e uso imediato.

Em 2007, o mobile marketing no Brasil correspondeu a 7% da receita de serviços de valor agregado das operadoras, o equivalente a cerca de R$ 4 bilhões. Na Europa, essa medida está em 25%, nos Estados Unidos, 17% e na Ásia, 35%. (1)

No entanto, muitas operadoras de telefonia móvel ainda relutam em inserir publicidade em suas redes de dispositivos móveis, pois:

Muitos consumidores reagem negativamente aos anúncios - pois não querem receber conteúdo não solicitado. Nos EUA, 79% dos usuários rejeitam anúncios nos telefones, segundo a Forrester Research (O Globo, 9.1.2007).

Mas a resistência está diminuindo. Estudos da Online Publishers Association mostram que os clientes aceitam os anúncios se ganham alguma coisa, como conteúdo gratuito ou serviços mais baratos.

Algumas operadoras já organizam em bancos de dados os interesses dos usuários, coletados na hora do contrato, identificando que tipos de publicidade e assuntos estariam dispostos a receber ou não. Segmentam assim o público e podem oferecer estes dados para as empresas de mobile marketing.

Os modelos comerciais ainda não estão claros - os anúncios devem ser diferentes dos publicados nos PCs, mas o acesso em deslocamento e a relação personalizada com os usuários pedem soluções diferenciadas.

Apesar das possíveis reações negativas, as operadoras não podem prescindir da renda dos anúncios para compensar as perdas causadas pela competição acirrada, pelas novas regulamentações, pela redução das tarifas de voz e pelos altos investimentos em tecnologia. Para isto, superam as barreiras da cultura comercial e criam oportunidades de publicar conteúdo em forma de texto, anúncios, vídeo e áudio.

As operadoras oferecem serviços de conteúdo diversificados:

A Vivo e a Oi apostam na criação de canais de conteúdo para veicular publicidade. Provêm notícias e esportes em tempo real, com transmissão de jogos, gols, e estatísticas de campeonatos. Enviam notícias sobre os eventos por torpedos (SMS), publicam jogos e músicas.

A Claro oferece anúncios classificados para seus assinantes. A Tim apresenta papéis de parede e toques com mensagens indiretamente publicitárias de grandes empresas de conteúdo, como Universal, Warner e Sony.

Nos EUA, a Sprint Nextel foi uma das primeiras operadoras a publicar anúncios. A Cingular Wireless desde o início de 2007 publica em seus aparelhos banners com notícias, notas sobre esportes e previsão do tempo.

Telefonia e conteúdo: parceria e competição

Neste contexto, o clima é tenso entre as operadoras e as empresas tradicionais de criação de conteúdo, que podem ser competidoras em algumas situações, mas também estabelecer parcerias proveitosas: as companhias telefônicas têm informações sobre os clientes (idade, gênero, CEP, conteúdo acessado, palavras-chave procuradas) que podem fornecer às empresas de comunicação para a publicação de conteúdo e publicidade adaptados ao interesse de cada um.

As telefônicas podem fornecer também informações sobre a localização dos clientes, para que os anunciantes enviem SMS (Short Message Service) aos celulares com sugestões de serviços disponíveis naquela área. O conteúdo é assim publicado em contexto favorável e preserva a experiência de uso.

É importante observar que o fato do usuário estar próximo a um restaurante não significa que esteja procurando por um, ou que esteja com fome. Oferecer o produto não é o diferencial, mas atender às demandas na hora certa.

Estratégias de empresas que veiculam anúncios nos celulares:

-> A Microsoft comprou, em abril de 2007, a ScreenTonic, especializada em publicação de anúncios móveis, para reforçar a estratégia de publicar anúncios relacionados à localização do usuário.

->A Fox News, em parceria com a Third Screen Media publica banners no seu site móvel. A médio prazo, publicará vídeos e arquivos em outros formatos.

-> O Yahoo começou, em novembro 2006, a publicar anúncios ilustrados de organizações como Embassy Suites, Intel, Nissan, Pepsi e Singapore Airlines. As peças têm 150×21 pixels e aparecem no alto da janela do browser.

Em fevereiro 2007 lançou oficialmente o Panama, programa no qual anunciantes pagam por palavras-chave baseados na popularidade. Os anúncios aparecem com os resultados das buscas. Cada vez que um anúncio é selecionado, o Yahoo coleta uma taxa.

A empresa firmou um acordo no Reino Unido que a torna sócia exclusiva da Vodafone para fornecer publicidade nos serviços de conteúdo da operadora. Os clientes que aceitam anúncios nas telas ganham descontos em serviços.

-> A Google testa a publicação de anúncios em formato texto, que aparecem acima e abaixo dos resultados de buscas, com links para websites ou números de telefones. Um serviço aos anunciantes permite visualizar como os anúncios aparecem em celulares.

O AdSense for Mobile direciona anúncios para websites móveis, permitindo aos parceiros obter receita a partir da publicação contextualizada. Como no AdSense na web convencional, o sistema verifica o conteúdo do site e publica anúncios de texto relevantes para a audiência. Os anúncios são através de leilões e os parceiros ganham quando um usuário seleciona um anúncio.

A empresa está negociando a criação de uma rede sem fio aberta nos EUA, competindo diretamente com as operadoras de telefonia móvel tradicionais.

-> A Nokia oferece dois serviços de publicação de anúncios: o Ad Service, que permite aos provedores de conteúdo e de anúncios criar e monitorar campanhas publicitárias, e o Nokia Advertising Gateway, que seleciona automaticamente conteúdo em diferentes formatos (texto, imagem, aúdio e vídeo) para cada tipo de dispositivo. (e-consultancy, 12.3.2007)

A Informa Telecoms & Media afirmava no final de 2006 que o investimento mundial em publicidade móvel deveria passar de 871 milhões de dólares naquele ano para 11,35 bilhões, até 2011 (InfoOnline, 21.11.2006).

Em 2008, a Juniper Research afirma que estes investimentos chegarão a 1.3 bilhões de dólares, sendo o SMS o formato mais popular. A publicidade para TV móvel crescerá de $335 million em 2008 para mais de 2.5 bilhões de dólares em 2013. (WebProNews, 17.4.2008)

-> Pesquisa da Advertiser Perceptions com 2.000 executivos nos EUA verificou que 51% dos entrevistados acham que vão clicar em banners no telefone nos primeiros meses de 2008, 5% a mais que em 2007. (WebProNews, 13.1.2008)

A veiculação de marcas em dispositivos móveis é efetiva quando feita de maneira sutil e não agressiva. A publicação de anúncios no momento em que os usuários precisam e o uso de cores e elementos das identidades visuais ou de símbolos na interface, podem ser feitos de modo a não atrapalhar o seu uso e a criar uma identificação atraente e amigável.

 

Assuntos relacionados
Serviços web
Negócios eletrônicos

Fontes (links externos)
1) Fôlego para o marketing móvel nacional (B2B, 4.6.2008)
Google CEO bullish on mobile internet advertising (internet.com, 27.1.2008)
Microsoft grabs ScreenTonic for mobile ads (WebProNews, 3.5.2007)
Mobile advertising hits wireless Web first (CNet, 13.3.2007)
Yahoo! launches mobile ad platform globally (e-Consultancy, 14.2.2007)
Yahoo! testa anúncios em conteúdo de celular (InfoOnline, 16.11.2006)
Yahoo sees mobile image ads (WebPro Blog, acesso em 7.11.2006)
Google prevê celular pago por anúncios (InfoOnline, acesso em 13.11.2006)
Google expands mobile text ads beta (Blog SearchEngineWatch, 15.11.2006)

Mais informação sobre o assunto
Mobile advertising: cliquei, e agora?, de Eric Santos (WebInsider, acesso em 12.4.2008)
Mobile Web ads may be at critical mass (WebProNews, acesso em 23.7.2008)


 ▲  
Alto