Atualizado em 9.10.2008
 
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Vídeo móvel

Para reduzir a dependência do lucro baseado nos serviços de voz, oferecidos a preços cada vez mais baixos, as operadoras de telefonia móvel oferecem cada vez mais conteúdo em vídeo, bem com imagens e sons. E os usuários já podem também publicar suas próprias produções.

Apesar da grande demanda por vídeo na Internet, sua distribuição pelo celular ainda é limitada. Em 2006, este mercado gerou uma receita de 58 bilhões de dólares no mercado mundial, que até 2010 deve chegar a 125 bilhões de dólares. Os assinantes dos serviços devem passar de poucos milhares para 58,6 milhões. (ComputerWorld, 5.11.2007)

Pesquisa da 3-ple aponta no mesmo sentido: cerca de 58% dos entrevistados afirmou que em 2010, arquivos multimídia serão solicitados pela maioria dos usuários (31-50%+). (ZDNet, 4.4.2008)

Visando ao posicionamento no mercado a médio prazo, as operadoras estão testando diferentes modelos comerciais para estes serviços:

A Tim e o Google fizeram uma parceria para lançar no Brasil a versão móvel do YouTube. O cliente encontra vídeos no portal Tim e os assiste em streaming. O pagamento, R$ 1,50 mais impostos por megabyte, é feito através da conexão para streaming. Conta com milhões de vídeos e funcionalidades da web. (1)

A Claro lançou em março de 2008 um sistema de chamada que inclui vídeo para usuários de celulares e da web.

A Oi lançou novembro de 2007, o Oi TV Móvel, serviço de streaming de nove canais de TV, como MTV, ESPN Brasil, TV Sexy Club, Play TV e Woohoo. Um canais veicula conteúdo específico para o telefone móvel - Humanóides, peças cômicas com cerca de três minutos.

O serviço pode ser contratado por 2 horas ou 24 horas corridas, a 5,90 reais e 9,90 reais, respectivamente. Está disponível para os usuários pós-pagos.

A empresa pretendia lançar no primeiro trimestre de 2008 um serviço de TV sob demanda pela Internet (IPTV), testado em dezembro de 2007 no Rio. Segundo o projeto, o modelo de negócios se baseia no compartilhamento de receitas com os produtores - cerca de 200 títulos de filmes, seriados, documentários e curtas.

A Vivo lançou no terceiro semestre de 2007 um serviço para os assinantes divulgarem seus vídeos pelo celular, com prêmios aos autores das peças com maior audiência. Por enquanto oferece vídeos para download a R$ 3,00, por uso, e assinatura mensal para acesso a dois canais de TV.

Nos EUA, a AT&T planeja inserir o celular em sua estratégia de “três telas”, ou seja os clientes acessam PCs, TVs ou dispositivo móvel bem como a programação de TV, além de músicas e emails.

A companhia está trabalhando também em outros serviços: o videofone, que permite transmitir vídeo ao vivo de aparelho para aparelho; o acesso anual ilimitado a mais de 3 milhões de música, viabilizado por uma parceria com o Napster; o acesso aos serviços oferecidos na Internet, como trailers, cobertura de campeonatos esportivos.

O iPhone, que começou a ser vendido nos EUA em julho de 2007, também faz parte da estratégia de comunicação digital da AT&T. O dispositivo permite que assinantes vejam vídeos do YouTube em tempo real. Para isto, o YouTube passou a formatar seus arquivos em um formato que melhora a qualidade das imagens e economiza a carga da bateria dos dispositivos.

Também as empresas de produção de conteúdo se mobilizam para oferecer vídeo pelos dispositivos móveis:

A Fox, que reúne sete canais de televisão como Fox, FX e National Geographic, criou a My Fox para vender o download de "papéis de parede", opções de toques e vídeos curtos dos seus programas.

Para distribuir seu conteúdo, a empresa fechou contrato com a Claro e com a Oi. No ano passado, a empresa fez uma experiência com a Vivo, que transmitiu vídeos de até dois minutos baseados no seriado 24 horas.

Nos EUA, a Sony BMG Music Entertainment firmou acordo para incluir mais de 2.500 vídeos de música no serviço da MobiTV (plataforma de distribuição de conteúdo por redes móveis e de banda larga, que transmite a ABC News Now,  Discovery, ESPN 3G e The Weather Channel).

A MobiTV disponibilizará os vídeos da Sony em seus canais de música, que dispõem de mais de 7.000 vídeos de música. As duas organizações firmaram uma parceria para criar canais personalizados com programação de vídeos, incluindo concertos, shows e séries baseadas em gênero e artistas.

E na concorrência pela produção os usuários também criam e publicam seus vídeos:

Em 2007 a Claro lançou o VideoMaker, que permite o compartilhamento de vídeos criados pelo público, ao modo do YouTube. Os arquivos podem ser assistidos, baixados e arquivados mediante pagamento de R$ 1,10 por vídeo. O serviço oferece aos autores um pagamento proporcional ao número de acessos: R$ 0,10 por acesso.

Serviços como Daily Mugshot e Flickaday permitem que os usuários capturem vídeos nos seus celulares e os publiquem pelos mesmos dispositivos.

 

Cenário tecnológico

O mercado está ainda bastante fragmentado, diversas tecnologias estão sendo usadas para transmitir TV via celular:

Nos EUA, a tecnologia MediaFlo, da Qualcomm está sendo adotada pela AT&T e pela Verizon Wireless.

Na Europa, a Nokia e a Samsung  implementam a DVB-H para transmissão de TV aberta, com suporte para padrões OMA BCAST (Open Mobile Alliance Mobile Broadcast Services Enabler Suite), que permitem às operadoras a oferecer o serviço em escala global.

Estes padrões foram desenvolvidos pelo Broadcast Mobile Convergence Forum, do qual fazem parte mais de 12 grandes fabricantes de celulares, desenvolvedores de tecnologia e operadoras de telefonia.

O Forum define as diretrizes para desenvolver grades de programação, para o suporte a tecnologias de transmissão e para a proteção de conteúdo e serviços, com uso de cartões SIM (subscriber identity module) ou DRM.

Para prover conteúdo como mapa do tempo, cotações de ações, bilhetes de viagens, a Nokia disponibilizou em 2007 recursos de programação para a criação de pequenos aplicativos de desktop que permitem que as informações sejam acessadas via web, sem que seja necessário abrir um browser.

Os desenvolvedores poderão usar tecnologias web baseadas em padrões como Ajax, JavaScript, CSS (Cascading Style Sheets) e HTML para criar os aplicativos e para fazer a migração de aplicativos já existentes para a plataforma móvel.

O Mini, versão do browser Opera para celular, está sendo aperfeiçoado para rodar vídeo diretamente do browser. Terá também um novo plug-in para o Flash, a ser implementado nas suas futuras versões. A substituição é necessária porque a versão antiga exigia muita capacidade de processamento e memória RAM para rodar, limitando a velocidade e aumentando o consumo de energia da bateria.

Os formatos para a distribuição destes arquivos ainda não estão devidamente implementados. Embora a velocidade de transmissão esteja cada vez maior, a carregação dos arquivos ainda é lenta, com qualidade heterogênea, e a experiência do usuário não fica bem integrada ao uso do telefone.

Com investimentos de bilhões de dólares em tecnologias, as operadoras de telefonia sem fio já são capazes de prover todo tipo de serviço a celulares, de navegação pela web e jogos a música e vídeos. No entanto, apesar da ofensiva agressiva, as recompensas financeiras destes projetos ainda não são significativas.

Embora procurem se manter preparadas para o momento em que os consumidores desejarem ver em seus celulares os programas que veem na TV, por enquanto estas empresas direcionam a maior parcela das atividades de novas mídias ao reforço das atividades na Internet.


Assuntos relacionados
WAP (Wireless Application Protocol)
DRM (Digital Rights Management)
Vídeo online

Fontes
1) Acordo entre TIM e Google oferece YouTube móvel (B2B, 30.1.2008)
Oi lança seu serviço de TV móvel (B2B, 8.11.2007)
Venda de vídeos pelo celular vai gerar US$ 125 bi em 2010 (ComputerWorld, 5.11.2007)
Oi vai oferecer TV no celular em 2008 (Info, 23.10.2007)
Opera developing Flash replacement for mobile browser (ars technica, 15.6.2007)
5 trends to watch in mobile video (WebVideoUniverse.com, 21.6.2007)
Vídeos de usuários viram fonte de receita no celular (ValorOnline, 5.6.2007)
Nokia makes push for mobile TV, widget development (CNet, 6.4.2007)
Fox expande atuação da TV para o telefone móvel e a Internet (ValorOnline, 18.4.2007)
Getting in on the 'Mobile' Internet (WebReference)
AT&T touts mobile video, music capabilities (CNet, 27.3.2007)
Vídeo no celular é mercado incerto (InfoOnline, 4.12.2006)
Brasil supera marca de 97 mi de celulares, InfoOnline, 19.12.2006
TelaViva, acesso em 23.6.2007