Usabilidade
Autonomia orientada
O equilíbrio entre o que o usuário procura em um site e o que se espera que procure (ou faça) é delicado. A prioridade fica com a satisfação da demanda do usuário, que, embora deva ter controle e autonomia sobre a sua experiência, deve ser orientado pela interface para realizar o que procura.
Normalmente os usuários navegam em diversos sites quando estão procurando informações ou produtos para compra. Quanto mais fácil e imediato for o aprendizado de uso da interface, mais rapidamente podem se concentrar naquilo que procuram. ► Exemplo
O rápido aprendizado também permite ao usuário antecipar o que vai encontrar antes de selecionar um link ou apertar um botão (comprar um produto, jogar um jogo).
No Brasil, o total de usuários cresceu 18% de dezembro de 2005 a dezembro de 2006 (B2B, 23.1.2006). Foram 2.592.000 usuários novos. Para que estas pessoas sintam maior conforto na experiência de uso, é importante não incluir nas interfaces elementos cujo uso não seja muito simples ou auto-explicativo. O aprendizado imediato da interface deve ser uma preocupação permanente dos desenvolvedores web.
Fatores a considerar em relação à autonomia de ação dos usuários:
■ Quando o uso é sujeito a erros frequentes, colocar condicionantes que forcem a adaptação dos usuários para que a tarefa seja realizada corretamente. Este princípio, conhecido como Poka-Yoke, foi criado pela Toyota em 1961, pelo especialista em qualidade Shigeo Shingo.
->Para a realização de uma compra online, é preciso preencher uma série de dados cadastrais. Se o preenchimento dos formulários estiver incompleto, o sistema deve avisar que os dados estão incompletos e o processo não deve ser consumado.
■ Grau de familiaridade do usuário médio do site com o uso da internet e suas ferramentas.
Considerar o uso não só por usuários novatos, mas também por especialistas, usuários ocasionais, frequentes, crianças, idosos, pessoas com deficiência física, etc.
■ Adaptação da interface às condições físicas ou de acesso do usuário.
-> Prover recursos como a possibilidade de aumentar o corpo de letra dos textos (para usuários com deficiência visual) ou de adaptar o layout a diferentes resoluções de tela (layout líquido).
■ Uso de convenções já aceitas em grandes sites e portais, que facilita a localização de informações. Por exemplo, o uso do símbolo e do logotipo da organização no alto da página informa o nome do site ou da organização aos usuários que chegam nas páginas internas através das ferramentas de busca.
■ Clareza da localização das páginas de abertura das seções principais em relação à página Principal.
■ Orientação visual dos percursos a seguir, dos caminhos percorridos e pontos de chegada – Deve haver mais de um caminho para chegar a uma informação, um mais curto e outro mais detalhado. ► Exemplo
■ Sinalização visual dos pontos onde os usuários devem permanecer mais tempo, com elementos visuais estáveis, menos elementos animados, menos opções de uso, que ajudam o usuário a achar as informações que está procurando.
■ Sinalização do status de uma tarefa durante a sua realização (como o download de um arquivo ou a compra de uma mercadoria). ► Exemplo
■ Manutenção da continuidade da ação entre etapas – O usuário não deve ficar esperando pela carregação das páginas, arquivos ou aplicativos por muito tempo.
Segundo Jakob Nielsen, 0,1 segundo é o limite de tempo que o usuário espera de um sistema para realizar uma tarefa. 1 segundo é o limite de tempo para que sua ação permaneça ininterrupta. E 10 segundos é limite para que se mantenha concentrado na tarefa.
Portanto, longas esperas para realizar um processo online levam o usuário a abandoná-lo incompleto.
■ Possibilidade de opção sobre a instalação de plug-ins e programas no computador ou no browser do usuário para a visualização de imagens e animações, de forma que se o usuário não quiser fazê-la pode sair da página ou do site. ► Exemplo
Assuntos relacionados
► Acessibilidade
► Antecipação da experiência
► Conhecimento do público e avaliação das características
Mais informação sobre o assunto (livro e links externos)
► Livro: Designing for interaction – Creating innovative applications and devices, de Dan Saffer. Berkeley: New Riders, 2010
► Heurísticas para avaliação de usabilidade de portais corporativos (documento elaborado por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de mestrado, acesso em 2.11.2008)
► Tá difícil, site sobre a usabilidade de interfaces, objetos, serviços difíceis de usar. Contém fotos ilustrativas dos problemas e é alimentado pelo público
► Alertbox, publicado por Jakob Nielsen
► Núcleo de Informação e Coordenação – Nic (acesso em 21.3.2006) – Órgão do Comitê Gestor da internet no Brasil que coleta e dissemina dados e indicadores sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil
Manuais e cartilhas de usabilidade
► Patterns for sign up & ramp up – Inspiration and guidelines from the web 2.0 landscape, da Adaptive Path (acesso em 23.4.2010)
► Cartilha de usabilidade para sítios e portais do Governo Federal, editada pelo Comitê-Técnico de Gestão de Sítios e Serviços On-line do Governo Eletrônico
► Manual de usabilidade dos serviços públicos (PDF, 24 páginas), do Governo do Estado de São Paulo – regras básicas sobre acessibilidade em web sites