Usabilidade | |
Contextos culturais |
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Ligada diretamente à experiência de uso de interfaces digitais, a usabilidade de um site ou portal influencia o relacionamento direto de uma organização com os clientes, os colaboradores diretos, parceiros, fornecedores. ■ A usabilidade de um web site reflete o contexto cultural em que este relacionamento se estabelece, que começa na organização que publica o site e se estende a ambientes culturais mais amplos, como os da cidade e do país onde se encontra o seu público. -> O Brasil, por exemplo, tem características de uso da Internet muito diferentes das européias e dos EUA, na medida em que 54,4% da população brasileira nunca usou um computador e 67% nunca navegou na Internet (B2B, 9.11.2006). Os sites para público amplo, menos especializado, precisam levar em conta que grande número de usuários não está familiarizado com recursos de usabilidade amplamente consagrados na Internet comercial. ■ A qualidade da experiência de uso das interfaces web, em sites de organizações, em serviços comerciais prestados ao público aberto, ou em sites de comunidades, se estende desde o conjunto de experiências compartilhadas às experiências subjetivas de cada usuário. O estabelecimento de consensos sobre o seu uso está ligado à recepção das interfaces em cada ambiente online ao modo como as pessoas e os grupos se comunicam e como estabelecem identidades coletivas que as diferenciam em qualquer outro ambiente. -> Por exemplo, se um grupo de pais de adolescentes de um colégio se reúne online para trocar idéias e informações, a interface tem não só um layout, mas provê funcionalidades adaptadas ao perfil destas pessoas, aos modos de congregação e ao acervo de informações que o grupo vai construindo a partir da sua convivência. A interface e a usabilidade deste site vai aos poucos a se adaptando às demandas funcionais e afetivas do seus usuários, podendo ganhar recursos como quadro de avisos, ferramenta de busca, acesso via senha, novo layout. Pode acontecer que o resultado seja uma interface cujo uso seja consolidado pelo grupo, mas não seja a melhor solução em outros contextos. Neste caso, se a solução funciona e é bem recebida pelo seu público, deve ser aperfeiçoada baseada nos mesmos critérios. ■ A identidade cultural da interface pode ser prevista no seu projeto, junto com a sua funcionalidade, e se consolidar (ou não) na medida em que o público e os colaboradores envolvidos vão deixando as marcas da sua participação. O ideal é que a participação seja tão intensa que os colaboradores se tornem co-autores da interface. Os melhores requisitos de usabilidade se estabelecem por consenso. ■ O importante é que os usuários se sintam confortáveis e atendidos nas suas necessidades funcionais, e também no controle das ações relativas ao canal, que incluem fatores que vão desde a atualização do conteúdo, a funcionalidade dos recursos tecnológicos, até a facilidade de entrada e saída de dados. Nas organizações ■ Dentro do ambiente organizacional, a legitimação das soluções de usabilidade ocorre se o público e os colaboradores aderem aos recursos online oferecidos (de uso, edição, atualização), se forem atraídos pelos efeitos positivos da utilização. ■ Os fatores culturais e subjetivos que influenciam a usabilidade da interface são criados pela atuação de pessoas, grupos, ou líderes, que consolidam o resultado de suas experiências em políticas de publicação online, linguagens multimídia, processos de criação dinâmica de conhecimento tácito e explícito, utilização de tecnologias. ■ Este conjunto de valores, crenças, comportamentos, são acompanhados de perto também por fatores políticos, que apontam para soluções de usabilidade que muitas vezes funcionam em função de vetores de forças multidirecionais que atuam em contextos específicos. -> Por exemplo, em 16.1.2007 o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou uma resolução que que prevê penalidades para o "uso indevido" do correio eletrônico da organização pelo seus servidores. De acordo com a resolução, o grau de sigilo das informações enviadas por correio eletrônico e a identificação do documento como sigiloso passariam a ser de responsabilidade exclusiva do remetente. Assim, as mensagens passaram a ser monitoradas sem que isto represente violação de correspondência. Caso a administração do correio eletrônico verifique que o conteúdo da mensagem não é institucional, poderá copiá-lá - identificando o remetente e o destinatário - e encaminhá-la ao Oficial de Segurança da Informação do INSS. Para o INSS, as mensagens veiculadas por email são públicas devido à natureza pública da instituição (INSS vai monitorar e-mail de funcionários, Info, 16.1.2007). Diante desta situação pode-se argumentar que algumas regras na titulação e identificação dos arquivos podem facilitar sua identificação/ recuperação e a consolidação da sua "legitimidade" no ambiente organizacional. Ou seja, o tratamento dos arquivos precisa ser adaptado para estes procedimentos. ■ A heterogeneidade das reações do público em relação a cada decisão reforça a necessidade de realização de testes de usabilidade e eventualmente de programas para o preparo do público (interno, no caso do INSS). Testes relacionados a comportamentos de grupos podem ser realizados com a monitoração de diversos usuários ao mesmo tempo, em diferentes localizações, em comunicação entre si ou não. Conversas formais com clientes ou grupos focais também provêm bom retorno sobre as soluções de usabilidade, embora gerem resultados diferentes dos descritos nos resultados financeiros e estatísticas de acesso. Eventualmente um site pode se mostrar rentável, mas seus usuários seriam melhor atendidos e estabeleceriam relações mais sólidas com o fornecedor se a interface fosse mais amigável. As conversas revelam às vezes aspectos que podem não aparecer mesmo nos testes e também são úteis para que as equipes de gestão e atualização do site discutam as soluções adotadas com o público e negociem soluções que atendam suas necessidades tanto operacionais, quanto afetivas. ■ Os requisitos de usabilidade de um web site estão fortemente ligados às identidades culturais e pessoais das pessoas que os publicam e das pessoas que os acessam. Estes traços, em contínua atualização, condicionam os relacionamentos que se estabelecem pelas interfaces web e influenciam diretamente as ações e emoções a elas associados. Referências bibliográficas (Interface web) Mais informação sobre o assunto (links externos) |
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