Usabilidade

Contextos culturais

Atualizado em 10.1.2012

Ligada diretamente à experiência de uso de interfaces digitais, a usabilidade de um site ou portal influencia o relacionamento direto de uma organização com os clientes, os colaboradores diretos, parceiros, fornecedores.

A usabilidade de um web site pode levar em conta o contexto cultural em que o relacionamento com os clientes se estabelece, que começa na organização que publica o site e se estende a ambientes culturais mais amplos, como os da cidade e do país onde se encontra o seu público.

-> O Brasil tem características de uso da internet muito diferentes das europeias e dos EUA, na medida em que 49% da população urbana brasileira nunca usou um computador e 57% nunca navegou na internet (TIC Domicílios 2008). Por isto, sites para público amplo, menos especializado, precisam levar em conta que grande número de usuários não está familiarizado com recursos de usabilidade consagrados na internet comercial.

-> Pesquisa realizada nos EUA em 2009 na Southern Illinois University, mostra que homens gostam de interfaces rápidas e rápidos downloads, enquanto as mulheres preferem a facilidade de uso e navegação, bem como interfaces acessíveis. Os pesquisadores atribuem as diferenças possivelmente ao modo de uso da web por homens e mulheres (1) A diferença de preferências entre gêneros pode estar também relacionada a questões culturais no contexto examinado.

A qualidade da experiência de uso das interfaces web em sites de organizações, em serviços comerciais prestados ao público aberto, ou em sites de comunidades, se estende desde o conjunto de experiências compartilhadas às experiências subjetivas de cada usuário.

O estabelecimento de consensos sobre o uso está ligado à recepção das interfaces em cada contexto, ao modo como as pessoas e os grupos se comunicam e como estabelecem identidades coletivas que as diferenciam de outros ambientes.

-> Por exemplo, se um grupo de pais de adolescentes de um colégio se reúne online para trocar ideias e informações, o site do colégio pode prover funcionalidades adaptadas ao perfil destas pessoas, aos modos de agrupamento e ao acervo de informações que o grupo vai construindo a partir da convivência.

A interface e a usabilidade deste site vai aos poucos a se adaptando às demandas funcionais e afetivas do seus usuários, podendo ganhar recursos como quadro de avisos, ferramenta de busca, acesso via senha, novo layout.

Pode acontecer que o resultado seja uma interface cujo uso seja consolidado pelo grupo, mas não seja a melhor solução em outros contextos. Neste caso, se a solução funciona e é bem recebida, acaba sendo aperfeiçoada baseada nos mesmos critérios.

A identidade cultural da interface pode ser prevista no seu projeto junto com a sua funcionalidade, e se consolidar (ou não) na medida em que o público e os colaboradores envolvidos vão deixando as marcas da sua participação.

O ideal é que a participação seja tão intensa que os colaboradores se tornem co-autores da interface. Os melhores requisitos de usabilidade se estabelecem por consenso.

Os usuários que se sentem confortáveis, atendidos nas suas necessidades funcionais, e no controle das ações relativas ao canal, ficam mais receptivos à atualização do conteúdo e à funcionalidade dos recursos tecnológicos.

De qualquer forma, quando não houver um contexto cultural definido – o que acontece especialmente em produtos com público amplo e indiferenciado, especialistas em design e experiência do usuário, como Don Norman, afirmam que é preciso priorizar a eficiência funcional: "a tecnologia define a atividade. Por sua vez, a atividade define o design. Quando o design é apropriado à tecnologia, as pessoas o aceitam, independentemente da cultura."  (2)

Os argumentos de Norman geram polêmica, e cabe a cada projetista examinar o contexto de criação e uso de cada produto para decidir a importância do ambiente social em seu layout e suas funcionalidades.



Referências (Interface web)
2) Does culture matter for product design? (Core77, acesso em 10.1.2012)
1) Usability study: Men need speed – Study: Web users prefer speed over customization (Optimization Week, acesso em 28.4.2009)
Livro: Coordinating user interfaces for consistency, Jakob Nielsen. Morgan Kaufmann Publishers, San Francisco, 2002
Enterprise usability, de Jakob Nielsen (UseIt, acesso em 12.11.2005)
Digital divide: The three stages, de Jakob Nielsen, sobre questões de usabilidade a observar em relação à exclusão digital (UseIt, 20.11.2006)
Lower-literacy users, de Jakob Nielsen, sobre a usabilidade na web para usuários pouco habituados a ler (UseIt, 14.5.2005)

Mais informação sobre o assunto (links externos)
Heurísticas para avaliação de usabilidade de portais corporativos (Documento elaborado por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de Mestrado, acesso em 2.11.2008)
Tá difícil, site sobre a usabilidade de interfaces, objetos, serviços difíceis de usar. Contém fotos ilustrativas dos problemas e é alimentado pelo público

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