Gestão da produção editorial
Atualização de site institucional
O projeto de um web site institucional em organizações sem plano de comunicação ou estratégia de mídia consolidada pode desencadear processos que vão além do desenvolvimento, como os relacionados à adaptação da cultura interna à produção editorial e à interlocução direta com o público.
Sob o ponto de vista temporal, o conteúdo de web sites institucionais pode ser programado de duas maneiras:
1) A organização publica um web site com informações que serão pouco atualizadas e permanencerão no ar por tempo indeterminado.
2) A organização publica conteúdo atualizado permanentemente, produzido pela equipe interna ou por equipe externa contratada. Em alguns casos, a organização publica também algum conteúdo produzido pelo público.
Embora as equipes de projeto defendam mais comumente o segundo caso, o primeiro caso ainda é muito comum. O canal online procura marcar a presença na web mesmo de organizações que não estabelecem processos intensivos de comunicação online com o público dos seus produtos ou com seus pares de negócios.
Neste caso, o site existe como um apêndice, independente da organização. Não há muitos trânsitos de informação com o público e o site não repercute nos processos internos, nem os processos internos ficam refletidos no site.
Já no segundo caso, em que políticas internas definem que o site deve ser atualizado com frequência, este passa a fazer parte do cotidiano dos colaboradores, ou pelo menos, de alguns colaboradores.
E mesmo que estes não elaborem diretamente o conteúdo publicado (no caso do serviço ser terceirizado), de uma forma ou outra o site acaba fazendo parte do dia-a-dia de trabalho.
■ Um web site atualizado com frequência traz questões que atravessam a estrutura operacional e de inteligência organizacional, como:
▪ Que conteúdo é publicável no web site? Está relacionado às atividades de planejamento, operacionais, comerciais? Com que restrições?
▪ Como profissionais que não têm qualquer experiência de produção editorial podem publicar textos e imagens de qualidade, que despertem o interesse de outras pessoas?
Ou, no caso de haver profissionais dedicados à realização destas tarefas, como aqueles podem ajudar a seleção, a produção e a edição do conteúdo?
▪ Como a produção de conteúdo ou a colaboração na produção de conteúdo são incorporadas à jornada de trabalho cotidiana? Os colaboradores deixam de fazer suas tarefas habituais para escrever, ou editar fotos, vídeos, áudios? Como este tempo é contabilizado? Como estas tarefas são avaliadas?
■ Questões como estas evidenciam que, para manter um site atualizado, a organização que não tem ações articuladas de publicação vai precisar passar por mudanças operacionais, estratégicas, mas acima de tudo culturais, para fazê-lo.
Um web site sempre atualizado transforma qualquer organização numa empresa de comunicação. Seja qual for a sua atividade-fim.
Processos editoriais
Os processos editoriais incluem uma estratégia de comunicação, mesmo que esta se limite à atualização do web site. Nesta estratégia, a organização define aspectos como:
▪ Os objetivos da publicação do conteúdo online.
▪ O tipo de conteúdo publicável e o enfoque (coloquial ou pessoal, num blog ou comunidade, ou técnico, formal, erudito, popular).
▪ Modos de operacionalizar estes processos/ produtos (treinamento da equipe, contabilização do tempo de criação no tempo de trabalho, valorização da produção editorial na avaliação funcional, arquivamento e acesso ao conteúdo antigo).
▪ Como avaliar os resultados destes processos/ produtos? Que retorno provêm, como as pessoas se sentem ao fazer estas atividades, que mudanças encadeiam?
■ A temporalidade com que o conteúdo será atualizado e o tempo dos colaboradores internos e terceirizados necessário para a sua criação.
■ A atualização permanente de um web site com conteúdo criado por colaboradores internos não é um processo simples, que aconteça apenas a partir de decisão política ou da aquisição de ferramentas.
É um processo que demanda foco definido, competências específicas, mudanças internas, redesenho de processos, treinamento. E também o entendimento claro das demandas do público em relação às informações publicadas. Porque se o público, em última instância não legitimar o conteúdo com a sua aceitação, toda a ofensiva pode resultar apenas numa tentativa bem intencionada.
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