Testes

Usabilidade

Técnicas e condições (para testes de usabilidade)

Atualizado em 1.10.2012

Dependendo da etapa do projeto em que são aplicados, testes de usabilidade podem ser realizados a partir de modelos em papel (para avaliar decisões estruturais), modelos conceituais estáticos (wireframes) ou interfaces em HTML, com ou sem o layout definido. O critério para a aplicação de cada método depende do grau de precisão dos resultados esperados, do tempo disponível (sempre menor do que o desejável) e dos custos envolvidos.

Durante a realização do projeto, quanto mais rápidos os testes de rotina, maiores as chances de proverem informações úteis para o ajuste das interfaces.

Os testes podem ser feitos remotamente (através da web, num passo-a-passo de etapas sequenciadas) ou na presença de técnicos responsáveis por sua aplicação. Estudos comparativos mostram que os testes presenciais costumam apontar mais problemas de usabilidade que os registrados nos testes remotos, sendo portanto mais completos.

Tanto os testes de usabilidade como os seus critérios de avaliação são sempre únicos e variam de acordo com os objetivos e o escopo de cada site (e de cada aspecto testado). Os resultados obtidos não devem ser reutilizados em outro projeto.

Algumas técnicas utilizadas

Diferentes técnicas, métodos e práticas podem ser aplicadas em diversas etapas do projeto de web site ou com o site já publicado e variam de acordo com os objetivos da publicação:

Teste não moderado – Parte pesquisa, parte teste, em que na maioria dos casos um pequeno painel de controle flutua sobre a janela principal do browser, apresentando as tarefas e gerenciando o fluxo do teste. As vantagens deste tipo de teste são a sua facilidade de alcançar grandes grupos de participantes, o que facilita a realização de avaliações quantitativas do tempo de duração de algumas tarefas e a taxa de sucesso na sua realização. (ver algumas ferramentas no pé deste texto)

Design participativo – comum no projeto de intranets, inclui um ou mais representantes do público-alvo no próprio projeto, para manter nos usuários o foco do desenvolvimento. Este modelo leva em conta desde informações genéricas (como dados demográficos dos usuários), como também as reações e opiniões pessoais. Os participantes devem manter alguma distância dos processos operacionais do projeto, para evitar que acabem estabelecendo cumplicidades com a equipe que atrapalhem a neutralidade das suas interferências.

Pesquisas com grupos focais – realizadas mais frequentemente na etapa da conceituação, permitem o detalhamento das características do público-alvo do web site e a consideração em profundidade de opiniões, percepções, sentimentos observados ou relatados. Seu objetivo é identificar se os conceitos básicos do projeto estão claros para o público.

Protótipo funcional ou percurso estruturado – permite acompanhar o deslocamento dos usuários num protótipo do web site em projeto. O moderador do teste estabelece algumas tarefas para o usuário realizar e verifica como são realizadas.

Pesquisas de opinião – também realizadas nas etapas inicias do projeto, são aplicadas para o conhecimento das preferências e hábitos de uma base maior de usuários sobre um produto. Seus resultados são genéricos, mas permitem a tomada de decisões sobre as características gerais (de caráter mais estratégico) do web site.

Protótipo em papel – o usuário é apresentado a alguns aspectos, representados em papel, do site em projeto e a partir daí, responde a algumas perguntas sobre a sua organização, layout, ou como usaria uma interface com aquelas características. Tem a vantagem de que muitas informações importantes podem ser coletadas rapidamente, a custos muito baixos, antes de qualquer programação.

Avaliação heurística, ou de especialistas – realizada por um ou mais especialistas em interação humano-computador não diretamente envolvidos no projeto, leva em conta metodologias ou listas de referência amplamente aceitas para examinar a documentação do projeto e o programa. Gera um relatório ou lista de problemas, às vezes com recomendações para serem aplicadas no aperfeiçoamento do produto.

Auditoria de usabilidade – exame analítico que segue o desenvolvimento do web site, submetendo os resultados parciais a listas de checagem, padrões amplamente aceitos pela indústria ou padrões estabelecidos a partir de projetos de mesma natureza realizados anteriormente pela organização. (Ver Indicadores de qualidade - exemplo de lista de checagem).

Teste de usabilidade – Emprega diversas técnicas para a coleta de dados empíricos durante a realização de tarefas no web site por representantes do público-alvo. Há testes mais ou menos formais. Os testes formais são conduzidos de forma a gerar dados que confirmem ou refutem hipóteses sobre a interface.

Já os testes mais informais, realizados ao longo de todo o desenvolvimento, permitem o aperfeiçoamento gradual do web site em projeto.

Estudos de campo (testes alfa ou beta) – estudo da interface em lugar semelhante ao do uso regular, como uma residência, um escritório, café, carro (no caso de testes com dispositivos móveis). Coleta-se dados que permitam o aperfeiçoamento do site, como padrões de uso, dificuldades, improvisos e atitudes. Como precisam ser realizados já em etapas de fechamento do projeto, não resultam em mudanças estruturais. (2)

-> O YouTube em 2009 realizou diversos testes em campo para verificar como aumentar o número de registros. Com a mudança de 3 detalhes da interface o número de cadastros aumentou 15,7%. (3)


Apesar da sua importância, os resultados dos testes de usabilidade não são incontestáveis. Outros tipos de estudos devem ser realizados depois do lançamento do site, para o aperfeiçoamento gradual, como entrevistas, pesquisas de opinião ou outros testes formais que coletem dados sobre o produto nos seus contextos de uso.

Estes dados, em conjunto com as estatísticas de acesso, dados financeiros (em caso de site de comércio), dados da equipe de suporte ao público, permitem avaliações realistas do veículo e ajudam a compor uma perspectiva ampla da opinião e das ações dos usuários.

Se por um lado a popularidade de um site não informa se a interface é funcional e adequada aos usuários, por outro a boa usabilidade pode não se mostrar suficiente para garantir as vendas esperadas num site de comércio, por exemplo.

A boa receptividade do canal pelo público é resultado de uma série de fatores combinados, não só relacionados à sua usabilidade, que devem ser examinados separadamente para permitir o controle e ajuste adequado de cada um.
Texto publicado em 14.9.2008.

Assuntos relacionados
Usabilidade
Interpretação dos dados de acesso (web analytics)
Indicadores de qualidade - exemplo de lista de checagem

Referências sobre técnicas e condições para a realização de testes de usabilidade
How to run an unmoderated usability test, de David Travis (acesso em 1.10.2012)
3) Look inside a 1,024 recipe multivariate experiment (YouTube, acesso em 27.12.2009)
Usability Body of Knowledge (acesso em 20.3.2009)
2) Livro: Handbook of usability testing – How to plan, design and conduct effective tests, de Jeffrey Rubin. New York: Wiley, 1994.
Livro: Prioritizing web usability, de Jakob Nielsen e Hoa Loranger. New York: New Riders, 2006
Risks of quantitative studies, de Jakob Nielsen (AlertBox, acesso em 26.8.2005)

Mais sobre o assunto (links externos)
Involving stakeholders in user testing (Alertbox, acesso em 25.5.2010)
The $300 million button, de Jared Spool (User Interface Engeneering, acesso em 27.12.2009)
Integrating prototyping into your design process, de Fred Beecher (boxesandarrows, acesso em 20.10.2009)
Search experiments, large and small (The Official Google Blog, acesso em 27.7.2009, publicado em 26.8.2008)
Guesses vs. data as basis for design recommendations (Alertbox, 8.6.2009)
Usability.net - Methods table
Ten usability heuristics de Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de mestrado (acesso em 2.11.2008)
Agile development projects and usability (AlertBox, acesso em 17.11.2007)
Should designers and developers do usability? (AlertBox, acesso em 28.6.2007)
Fast, cheap, and good: Yes, you can have it all, de Jakob Nielsen, sobre a relação entre preço, qualidade e tempo de realização de testes de usuários (AlertBox, acesso em 2.1.2007)

Ferramentas para testes de usabilidade
Project, desenvolvida pela empresa Revelation para a realização de pesquisas qualitativas de usuários e testes conceituais (acesso em 18.12.2011)
User Testing, permite a escolha de usuários com determinados perfis demográficos, como gênero, idade, renda, país, experiência na internet. As tarefas são indicadas aos usuários e as ações são gravadas em vídeo (com áudio) - US $ 39,00 para cada teste (acesso em 28.3.2010)
Feedback Army, provê agilidade e flexibilidade para aplicar questionários, as respostas de cada usuário são apresentadas num conjunto de respostas numeradas – US $ 10,00 para cada teste (acesso em 28.3.2010)
Silverback, aplicativo para Mac que pode gravar a tela do computador e vídeos e áudios do iChat, gravar as reações dos usuários (com áudio), controle remoto das gravações, que podem ser exportadas em QuickTime - US $ 50,00 (acesso em 28.3.2010)
Morae, pacote de alto nível com suporte para trabalho em equipe, relatórios detalhados, estudos de campo, protótipos de papel, testes de dispositivos móveis – US $ 1.500,00 (acesso em 28.3.2010)
Google Website Optimizer, programa para avaliação de layouts de web sites a partir do teste de diversos modelos publicados ao mesmo tempo (acesso em 27.12.2009)
genetify, programa para avaliação de layouts de web sites a partir do teste de diversos modelos publicados ao mesmo tempo (github, acesso em 27.12.2009)
AttentionWizard, programa que pode ser usado para avaliar layouts de web sites a partir da simulação dos movimentos do olho humano e da verificação dos principais pontos de atenção (SiteTuners.com, acesso em 4.12.2009)

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