Seres humanos sempre produziram inteligência de maneira coletiva. Um desafio contemporâneo é produzi-la online. E no ambiente corporativo. A web 2.0 está diretamente associada a este esforço, apesar das dificuldades de definir a expressão. Tim O’Reilly, seu criador, recorre a exemplos: “DoubleClick é Web 1.0 e Google AdSense é web 2.0; Ofoto é Web 1.0 e Flickr é web 2.0; Akamai é Web 1.0 e BitTorrent é web 2.0… ” (1)
A web 2.0 se estende a boa parte da internet comercial, por plataformas baseadas em diferentes tipos de atividades, como:

A Amazon.com oferece um ranking de vendas dinâmico atualizado pelos usuários, que enviam opiniões e publicam resenhas sobre os produtos à venda. Mantém um extenso banco de dados sobre livros e publicações do mundo inteiro que serve de referência para a produção acadêmica e é utilizado por outros sites.

No eBay, plataforma em que compradores e vendedores se envolvem diretamente na oferta de produtos de leilões, as intensas trocas de informações facilitadas por serviços web atualizam permanentemente as ofertas.

Pela Wikipedia, os usuários criam e editam o conteúdo publicado, estabelecendo um controle de qualidade espontâneo que garante seu aperfeiçoamento em tempo real.

A InnoCentive facilita cientistas e desenvolvedores de produtos a compartilhar ideias abertamente, resolver problemas e propiciar novos avanços.

Pelo Marketocracy.com milhares pessoas criam carteiras de investimentos virtuais e os 100 participantes de melhor desempenho estabelecem as linhas de ação para um fundo mútuo que costuma ter desempenho superior ao índice da Standard & Poor’s.

Com o uso de plataformas web 2.0, programas e serviços heterogêneos de uso coletivo tornam-se opções baratas, fáceis de implementar e incorporar ao ambiente funcional. Aplicativos utilizando tecnologias como AJAX são amplamente aceitos pelo público e abrem caminho para soluções que vão desde calendários compartilhados a sistemas de gestão de projetos. Para aumentar o poder dos usuários e colaboradores interns, aplicativos com funcionalidades antes restritas ao desktop de cada PC são disponibilizados como alternativas a plataformas proprietárias. Os grandes desenvolvedores de software competem para ganhar a preferência dos usuários na nuvem.

Em setembro de 2007 a Microsoft lançou o Office Live Workspace, ferramenta gratuita para visualização, compartilhamento e arquivamento online de arquivos do Office. A solução, no entanto, não permite a edição dos arquivos. (ZDNet, 30.9.2007, não está mais disponível)

No mesmo mês, a IBM anunciou o lançamento do Lotus Symphony, conjunto de aplicativos gratuitos baseados no Open Office (editor de texto, de planilhas e de apresentações), desenvolvidos em código aberto. (CNet, 18.9.2007)

Ainda em setembro de 2007, a Google lançou, como parte do Google Docs, hoje Drive, o Google Presentations, para a edição de documentos do PowerPoint com até 10MB.

Em junho de 2006, a empresa lançou o Google Planilhas, para a visualização e edição por usuários simultâneos, durante chats no ambiente de cada arquivo. Pode-se importar e exportar arquivos.xls e.csv em que os valores são separados por vírgulas. (CNet, 11.6.2006)

As ações em direção aos aplicativos online começou em agosto 2006, quando a empresa adquiriu o Writely, editor de texto para o trabalho colaborativo e a publicação direta de textos em blogs. Funciona tanto online quanto offline.

Em 2010 a Microsoft, em parceria com o Facebook, criou o Docs, serviço online gratuito que permite criar arquivos do Word, Excel e PowerPoint. Permite também o upload de arquivos. O usuário precisa ser cadastrado na rede social.

O aumento exponencial do desenvolvimento e do uso destes serviços, sua adoção pelos maiores desenvolvedores de software, levanta discussões sobre a possibilidade dos programas com cópias instaladas em cada PC serem substituídos pelos serviços online. Os programas online (baseados no conceito de software como serviço, ou SaaS) têm, além das funcionalidades de desktop, vantagens como a possibilidade de compartilhar informações e conhecimento entre pessoas e comunidades. Como são atualizados regularmente, não ficam ultrapassados e podem ser acessados de qualquer computador conectado ou não à internet. No entanto, muitas empresas relutam em confiar no ambiente online para hospedar seus aplicativos de uso do dia-a-dia, não só por questões de segurança como pelas dificuldades de ficarem sujeitas a estratégias dos desenvolvedores. (1) (Atualizado em 3.3.2011)  

Referências

What Is web 2.0 – Design patterns and business models for the next generation of software, Tim O’Reilly (OáReilly, acesso em 19.8.2010) Web 2.0 Collective Intelligence – How to use collective intelligence techniques in your web application, Hélio Teixeira (SlideShare, acesso em 21.7.2010) Internet Comercial, Ministério da Ciência e Tecnologia e Secretaria de Política de Informática (PDF) Livro: O conhecimento em rede, como implantar projetos de inteligência coletiva, de Marcos Cavalcanti e Carlos Nepomuceno. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2006 The next step in open innovation (McKinsey, acesso em 14.5.2009, mediante assinatura gratuita) 1) Can you trust your business to Google’s cloud? (CNet, 11.7.2008)

Ferramentas relacionadas à web 2.0

Imaginatik, plataformas para a criação e compartilhamento de ideias que podem virar projetos, e neste caso, a ferramenta pode também fazer o gerenciamento do projeto. A plataforma IdeaCentral permite que ideias sejam registradas e quando atingem certa popularidade sejam encaminhadas para implementação (acesso em 31.7.2010) Accept, plataformas para a criação e compartilhamento de ideias que podem virar projetos (acesso em 31.7.2010) Element8, com a arquitetura que denominam Xpont, favorece a conexão de usuários ao ciclo completo que envolve desde a criação de ideias ao uso do produto que dela resulta (acesso em 31.7.2010)