O tráfego de vídeo online representa 50% do tráfégo de dados móveis e 69% de todas as redes. (1) Os provedores aperfeiçoam continuamente diferentes modelos econômicos de distribuição, para um público que fica cada vez mais requintado, na busca de alternativas para as TVs aberta e por assinatura.

O Youtube afirma que atrai 1 bilhão de espectadores por mês, que passam mais de 4 bilhões de horas assistindo vídeos.(1) Dados da comScore mostram que em dezembro de 2011 nos EUA, 182 milhões de pessoas viram, cada um, 23,2 horas de vídeo. Em dezembro de 2010 eram 14,6 horas por pessoa. (5) Pesquisas da Cisco sobre o mercado de vídeo online mostram que o tráfego da internet vai quintuplicar até 2015 e que 90% dos acessos estarão relacionados a vídeo (TV, assinaturas, compartilhamento de arquivos).

Os produtores de vídeo online tendem a adotar um modelo semelhante ao das TVs, disponibilizando programas patrocinados, gratuitos ou transmitidos mediante pequeno pagamento (pay-per-view ou assinatura).

 Há anos a TV Cultura exibe conteúdo do programa Roda Viva na internet antes da transmissão pela TV e disponibiliza ferramentas para a participação do público nas entrevistas. Esta prática é hoje comum em programas ao vivo.

O Sports Illustrated em parceria com o Yahoo, publica vídeos de esportes em troca de anúncios no canal de TV. Tem assim um canal para competir com o principal concorrente, a ESPN, que oferece a provedores de conteúdo vídeos em 360 graus.

A tecnologia para a distribuição de vídeo online está madura, mas a linguagem desenvolvida para veículos interativos, a usabilidade das interfaces, a proteção de direitos autorais e a segurança das redes ainda estão sendo aperfeiçoados.

Novas soluções tecnológicas procuram incluir o espectador no processo de criação das peças de vídeo, o que gera novas possibilidades de interlocução com o conteúdo.

A empresa israelense Plymedia o BubblePly Sunday, recurso que permite aos usuários acrescentar camadas de conteúdo aos vídeos, como informações geográficas, anúncios, músicas ou vídeos adicionais, selecionáveis pelo usuário durante o vídeo principal.

Cada vez mais o vídeo isolado, o arquivo que é visto ao modo de uma foto ou áudio, se integra ao conteúdo relacionado e selecionado pelo usuário, como textos, imagens, gráficos, apresentações, para compor a experiência de uso.

Usos comerciais de vídeo online

Em junho de 2005, o Google lançou um serviço para a procura de vídeos, que vão de produtos comerciais a peças experimentais e domésticas. Pode-se hoje localizar conteúdo do YouTube tanto pelo buscador simples quanto pelo Google Video. Hoje a empresa oferece anúncios em vídeo nos vídeos publicados.

Em sites comerciais, formatos que combinam som, áudio e animação são dirigidos a públicos diferenciados para criar experiências relacionadas a marcas comerciais em banners, jogos, cadastros, informações sobre produtos.

Modelos de aplicações do vídeo para complementar conteúdo em formato de texto e imagem incluem:

 Transmissão de eventos em tempo real, com recursos participativos e de compartilhamento.

Eventos com vídeo em tempo real

Transmissão de evento em tempo real, com publicação de tweets, acesso ao Facebook e Google+, além do escore da competição com marcação de tempo. Acesso em 15.5.15

Promoção de filmes, músicas e programas de TV.

Recursos interativos dinâmicos para o desenvolvimento do sentido de branding – identidade em relação a uma marca

Em 2009, a página do Facebook do Pringles, fabricantes de batatas fritas, faz intenso uso de vídeos, que tem se espalhado em efeito viral pela internet.

No site da Louis Vuitton (acesso em 7.2.2006) o vídeo é usado não só para mostrar as coleções de roupas, mas também para valorizar o requinte da produção artesanal dos produtos. Os enquadramentos valorizam o trabalho manual e o acabamento dos vídeos e mantêm a palheta de cores consistente com o site e os produtos.

Ainda em 2004, o fabricante de calçados Converse pediu a fãs e realizadores que apresentassem pequenos filmes representativos “dos valores e do espírito da Converse”, que competiam por um prêmio de $10.000. A promoção selecionou inicialmente 24 filmes curtos (dos 250 apresentados), veiculados em campanhas da empresa, que continua estimulando a produção de novas peças.

Série de 8 filmes patrocinados pela BMW, feitos por diretores de cinema famosos, com histórias sem conotação publicitária explícita.

Ensino de procedimentos ou a demonstração do funcionamento de produtos – como o tutorial de um programa.

O site DriverTV produz vídeos de carros à venda, vistos de diversos ângulos internos e externos em que um narrador descreve as características e recursos de cada um. Neste caso, o site atende ao público que faz pesquisas online antes de comprar carros.

O site de busca de vídeo ClipBast verificou que os usuários cada vez mais procuram vídeos que ensinam a fazer alguma coisa, mesmo que não estejam interessados em comprar os produtos diretamente relacionados.

Exibição de imagens que valem pelo movimento (uma corrida, uma jogada em um partida de futebol, um passo de balé).

Complementação de notícias.

A maioria dos canais de notícias publica diversos tipos de vídeos, como pequenos cortes de vídeo (video podcasts), vídeos longos e conjuntos de fotos em sequência, de acordo com a notícia veiculada.

Exibição de produtos desenvolvidos para veiculação online.

A publicação de vídeo na web leva em conta que o usuário normalmente associa a interface às informações e ações que consulta ou realiza. O conteúdo se adapta a este ambiente em que o usuário se mantém sempre ativo.

Na contramão das tendências, um estudo da Forrester Resarch realizado defendia que o mercado de compra e aluguel de vídeos online teria seu pico em 2007.

Apenas 9% dos adultos online pagavam para baixar ou alugar um filme ou seriado televisivo. Eram pessoas motivadas e com alto poder aquisitivo. Mas como o percentual era baixo, possivelmente o mercado apostou em um modelo de streams com anúncios.

O modelo de downloads pagos deixa de ser preponderante especialmente para as empresas produtoras de audiovisual, como redes de TV aberta e fechada.

A publicação de vídeo na web diretamente relacionado ao conteúdo editorial dos sites e a seu modelo de negócios, com peças veiculadas em contextos que atendem às expectativas dos espectadores, representa um efetivo enriquecimento dos modos de comunicação e expressão online.

Chad Hurley, fundador e CEO do YouTube afirmou em setembro de 2008 que “em dez anos, acreditamos que a transmissão de online video via broadcast será a mais ubíqua e acessível forma de comunicação. As ferramentas para a gravação de vídeo continuarão a diminuir e a ficar mais baratas. Os dispostivos de mídias pessoais serão universais e interconectados.” (1)

(Atualizado em 15.5.2015)

 

Referências

1) 10 Tips for creating fast loading HTML5 videos, de Nathan Segal (HTML Goodies, acesso em 28.1.2014)

5) Average viewer watched 23.2 hours of online video content in December, de Greg Jarboe (Search Engine Watch, acesso em 20.1.2012)

3) 178 Million U.S. internet users watched online video during april (SearchEngineWatch, acesso em 1.6.2010)

2) ComScore: Online video scores another big month (CNet, acesso em 30.11.2009)

Talking-head video is boring online (AlertBox, acesso em 7.1.2006)

Termos utilizados

Impressão de stream (stream impression) –  Início da execução de um arquivo de mídia em tempo real (stream) enviado para um usuário válido, como resultado do recebimento, pelo servidor, de uma solicitação deste usuário.