Não se pode afirmar que há uma relação precisa entre a profundidade de um canal digital e a facilidade de se achar informações. Mas alguns estudos mostram que usuários pouco habituados a um site preferem a estrutura extensa – com mais links na primeira camada e menos aprofundamento nas outras camadas –, à estrutura profunda – com menos links na primeira camada e maior número de camadas.
Estes estudos desenvolvem o argumento de que em uma estrutura mais “extensa” é mais fácil encontrar menus e barras de navegação que conduzam à informação que se procura.
Na estrutura de navegação mais "extensa" é mais fácil encontrar menus e barras de navegação que conduzam os usuários à informação que procuram
Na estrutura de navegação mais “extensa” é mais fácil encontrar menus e links que conduzam os usuários à informação que procuram – o exemplo acima mostra uma segunda camada extensa. Os usuários se deparam não só com as opções de aprofundamento mas também com os relacionamentos visuais entre informações.
O visitante, mesmo que se desloque em cada um dos itens mostrados nas três áreas principais, “Ancêtres”, “Wantok” e “Maison”, desloca-se horizontalmente, percorrendo uma estrutura matricial, que o layout da interface ajuda a evidenciar. A estrutura relativamente “plana” destas três áreas de informações ajuda o visitante não iniciado nos assuntos a entender não só o conteúdo, mas os relacionamentos entre os traços culturais dos povos da Oceania.
Neste caso, o acesso aos primeiros níveis de um site estaria relacionado aos modelos mentais da maioria das pessoas (baseados no senso comum), enquanto o acesso aos níveis mais profundos está associado ao conteúdo mais especializado e detalhado.
Níveis superficiais e níveis mais profundos
Os exemplos acima e abaixo mostram áreas de produtos em três camadas:
A de cima oferece o tipo de produto (telefones celulares). A de baixo oferece uma marca ou acessório ligado ao produto. Uma terceira área, que não aparece aqui, oferece mais detalhes sobre o produto.
O aprofundamento nos assuntos é oferecido à medida que o visitante procura informações mais detalhadas.
sony1_desenvolv_aevD Ou seja, o usuário costuma procurar informação para navegação e orientação nos primeiros níveis. Se encontra um assunto que o interessa, dispõe-se a navegar nas camadas profundas, para encontrar conteúdo mais específico. Assim, as informações mais importantes de um site ou aplicativo precisam estar localizadas nas primeiras camadas, ou pelo menos o acesso a estas informações.

Profundidade e extensão nas diferentes camadas

Estudo realizado por Larson e Czerwinski (1998) verificou que um site com duas camadas em que a primeira continha 16 links em sequência e a segunda 32, gerou respostas mais rápidas que um site com três camadas de oito links em sequência. O motivo é que quanto mais profundo o nível, mais o usuário precisa usar a memória de curto prazo para manter seu sentido de orientação. Em sites com estruturas mais profundas (4 camadas ou mais), Norman e Chin (1998) viram que os usuários encontravam mais rapidamente as informações se a estrutura era côncava (páginas com extensão 8 x 2 x 2 x 8). Ou seja, a extensão era maior no nível mais alto e no nível mais baixo (com oito links) enquanto os níveis intermediários eram mais estreitos (com dois links apenas). Eles alegam que, quando o nível mais alto é extenso (com mais links), há mais informações para o usuário decidir o caminho a tomar. E quando o nível mais baixo também é largo, o usuário tem mais chances de se conduzir para lá se há poucos links para escolher nas camadas intermediárias – os níveis intermediários mais estreitos reduzem as chances de desorientação. (1)
Extensão maior nos níveis mais alto e mais baixo
O portal acima publica os links para a quarta camada em menus que saem de cada item principal loalizado na terceira camada. Esta solução permite a utilização de mais espaço da página para a publicação de conteúdo, na medida em que as barras de navegação e botões são “extensíveis”.
No entanto, nem todos os usuários acham as informações escondidas nos menus e podem sair da página sem encontrar o que procuram. Usários que se deslocam com browsers especiais, dispositivos móveis ou com Javascript desabilitado poderão não ver os menus descendentes.

Três variáveis combinadas

Outro estudo, de 2006, realizado por Dennis Galletta, Raymond Henry, Scott McCoy e Peter Polak, verificou que dois outros fatores se combinam ao número de links em cada camada para influenciar o comportamento e o desempenho do usuário: o tempo de carregação das páginas e a familiaridade com a terminologia dos links. (2) Os três fatores (profundidade, tempo e terminologia) atuam uns sobre os outros e podem ser ajustados para compensar os efeitos negativos que um ou outro apresente.
Se, por exemplo, a navegação é prejudicada por longos tempos de downloads de páginas, o desgaste do usuário pode ser atenuado com o aumento do número de links na mesma camada ou com o aperfeiçoamento do vocabulário dos links. Da mesma maneira, se o usuário se sente desestimulado a navegar em porque os termos utilizados são difíceis de compreender e as páginas carregam lentamente, o aumento do número de links na primeira camada pode diminuir os efeitos negativos causados pelos outros fatores.
Os testes realizados pelos pesquisadores mostraram que a familiaridade com a terminologia dos links, mais do que a extensão dos links, influencia as atitudes, o desempenho e o comportamento dos usuários e merece atenção especial dos arquitetos da informação. De qualquer forma, os autores verificaram que os três fatores poderiam ser equilibrados, sem priorização de um ou outro, para que os usuários se sentissem confortáveis. O tempo de carregação das páginas deve ser baixo, a terminologia dos links deve ser a mais familiar possível e a navegação deve ser facilitada por barras de navegação mais extensas. Quando um ou dois deste fatores não puder ser aperfeiçoado  procura-se melhorar especialmente os outros. Assim, se um site publica links facilmente identificáveis em poucas camadas hierárquicas, algumas imagens podem ser adicionadas à interface para que fique mais atraente, mesmo que as páginas demorem um pouquinho mais para carregar.
Poucas camadas hierárquicas
Esta tela mostra três camadas do site bem claramente visíveis: barra de navegação geral no alto, camada 2 (Meal, Location), e camada 3 (All, Brekfast, Lunch, etc.) o sentido de localização é reforçado pelo destaque em cor do local da página na estrutura. Fonte: http://www.snowbird.com/dining/?meal=dinner

Links profundos (“deep links”) e aplicativos

Links profundos ficam localizados em camadas superficiais de um site e vão direto para conteúdo localizado em camadas mais profundas. Muitos gestores costumam reclamar que estes links fazem com que os visitantes não passem por páginas intermediárias, diminuindo assim os números de visualizações de páginas. Mas para quem economiza tempo e cliques, os links profundos são e sempre foram bons facilitadores. Muitos desenvolvedores, procurando conectar aplicativos móveis, tentam estabelecer links entre conteúdo relacionado (“pulando” a navegação pela janela inicial de cada um). O objetivo é prover uma experiência cruzada, em que, se estamos num aplicativo para marcação de hospedagem numa cidade, um link profundo pode nos direcionar para a compra de passagem para essa cidade já com os dados sobre os dias de permanência pré-definidos. Nesse caso, os dados de um aplicativo se combinam aos de outro para atender as demandas funcionais por serviços e conteúdo. No entanto as tecnologias e modelos de negócios de links profundos entre aplicativos móveis ainda estão amadurecendo. (Atualizado em 15.4.2015)  

Referências

Will deep links ever truly be deep, Scott Rosenberg (Backchannel, acesso em 15.4.2015) The myth of “seven, plus or minus 2” (Dr.Drobb’s, acesso em 12.2.2012) 2) The Interactive effects of website delay, breadth, and familiarity (website Optimization, acesso em 29.11.2006) 1) How can I make my website’s structure more navigable? (Digital Web, acesso em 5.1.2005) The Interactive effects of website delay, breadth, and familiarity (WebSiteOptimization.com, acesso em 29.11.2006)