Tapscott, Ticoll e Lowy (1) definiram quatro tipos de redes de negócios através da web, que se baseiam no controle econômico e na integração de valor:
Ágora — redes que facilitam a troca entre vendedores e compradores, com a negociação de preços em tempo real através de propostas, leilões ou trocas. Os produtos e os serviços oferecidos estão disponíveis em um mercado acessível para todas as partes interessadas.

Exemplo: Priceline.com — empresa especializada na compra e venda de bilhetes para viagens aéreas, diárias de hotel, aluguel de carros. Para adquirir viagens aéreas, os compradores submetem uma oferta com um preço que avaliam conveniente para os vôos de seu interesse; a Priceline compara as ofertas com as tarifas confidenciais que as companhias lhe oferecem; se verifica que pode comprar um bilhete e vendê-lo ao interessado com lucro, realiza a transação.

Por Agregação — rede na qual uma companhia intermediária entre produtores e consumidores vende produtos ou serviços a preços pré-fixados, sendo que algumas variações de preços são possíveis, mas baseadas em linhas gerais previstas. É o modelo tradicional de varejo em que a adição de valor é baixa, a empresa apenas agrupa e exibe conjuntos de produtos e serviços.

Exemplo: A Amazon é uma empresa que seleciona, classifica estabelece o preço e vende produtos dentro de universos definidos.

Cadeia de valor — rede que propõe a integração de valor através de processos de gestão para atender a uma necessidade específica do cliente. A precificação usada para determinar o valor pode ser fixa (como um computador personalizado encomendado à Dell) ou negociável. Uma companhia normalmente lidera a rede, de maneira a maximizar a integração de valor através da eficiência operacional.

Exemplo 1: A Cisco Systems, que produz produtos para rede de computadores, durante a década de 90 criou uma rede de fornecedores interligados através de extranet, se desfazendo das partes da cadeia de valor que não apresentavam vantagem competitiva.

A empresa passou a liderar a “cadeia alimentar”, de marketing e gerenciamento de relações com os clientes (fluxo de informações desde a solicitação do produto no website à sua entrega) enquanto outras funções eram realizadas por parceiros — uma rede de produtores, distribuidores e fornecedores que competiam entre si por informação e inovação — até hoje, a Cisco produz apenas uma fração dos produtos que comercializa.

Exemplo 2: A companhia Li & Fung, de Hong Kong trabalha com 7.500 parceiros em 37 países, que podem produzir qualquer tipo de produto manufaturado, desde casacos de lã a cordas sintéticas. A empresa ainda está expandindo a rede de participantes, para aumentar a área de expertise e gerar relacionamentos multiplicadores.

Aliança — redes que propõem criar conhecimento ou compartilhamento de experiências e se estabelecem através de comunidades com objetivos definidos, que vão desde pesquisas integradas, até jogos e iniciativas de inovação (como a comunidade de desenvolvimento para Linux). Criam uma série de regras de convivência que balizam as interlocuções e ações dos participantes e a criação de valor para cada um. Os usuários finais têm um papel importante contribuindo com suas ideias e comentários ou mesmo ajudando a delinear um projeto de interesse comum mais amplo (como o Projeto de Genoma Humano).

Exemplos: 1) A Eli Lilly criou em 2001 a InnoCentive, subsidiária que recrutou desde então mais de 80.000 pesquisadores participantes em mais de 170 países para ajudar seus clientes a resolver problemas na área de pesquisa e desenvolvimento.

2) A InnoCentive tem também mais de 30 clientes “buscadores” (“seekers”) de soluções, como a Dow Chemical, a P&G. Para resolver problemas nas suas pesquisas, estes clientes procuram a rede da InnoCentive e oferecem uma recompensa para quem achar a solução. A margem de sucesso dos resultados chega a 50%.

3) A LAMP (Linux, Apache, MySQL e PHP/Perl/Python) reúne um conjunto de plataformas de código aberto desenvolvidas através da colaboração de agentes do mundo inteiro. A atuação destes voluntários acabou gerando componentes que viraram padrão de tecnologia da informações em muitas corporações.

A IBM adotou o Linux para alguns de seus computadores e sistemas e desenhou uma base de código que está em permanente aperfeiçoamento por uma grande comunidade global de desenvolvedores, dos quais muito poucos trabalham para a empresa.

Pesquisa da empresa de pesquisa da internet Netcraft mostra que mais da metade dos websites são hospedados em servidores Apache — 8 de 10 empresas de hospedagem usam o Linux.

4) A Boeing projeta aeronaves, mas milhares de fornecedores produzem e mantêm a propriedade intelectual da fabricação de muitos componentes.

5) A HP e o iPod da Apple também incluem centenas de peças inventadas e manufaturadas por companhias em mais de 20 países.

6) A Peugeot fez um convite público para o desenho de carros e teve mais de 4 milhões de visualizações de páginas no seu site. A companhia construiu um protótipo do carro vencedor para mostrar em uma feira especializada e fez parceria com uma empresa de software para criar um vídeo game com o modelo.

7) O navegador Mozilla, desenvolvido pela Mozilla Foundation, foi criado por uma comunidade de software. Enquanto o programa estava sendo desenvolvido, dois engenheiros da equipe, insatisfeitos com os rumos do projeto, usaram o código do programa para criar o navegador Firefox, também adotado por alguns desenvolvedores da comunidade.

8) Mais de 2.000 cientistas participaram do projeto do detector de partículas global ATLAS, um instrumento científico que será utilizado para detectar e medir partículas subatômicas. O esforço foi dividido em diferentes componentes e distribuído entre 165 grupos de trabalho, que se comunicavam via internet para realizar o trabalho cooperativo. (Atualizado em 14.12.2010)

Referências

From push to pull: The next frontier of innovation (McKinsey, requer inscrição gratuita – acesso em 19.10.2005) Leading change when business is good — entrevista com o presidente da IBM desde 2002, Sam Palmisano, para a Harvard Business Review, 2004 (link direto para o arquivo em PDF) The future of the networked company 1) The rise of the business web (página de artigos do site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial — Crie/Coppe/UFRJ) The next step in open innovation (McKinsey, acesso em 14.5.2009, mediante assinatura gratuita) Building better links in high-tech supply chains (McKinsey, requer inscrição gratuita — acesso em 9.12.2008) Livro: Webeconomia, Evan I. Schwartz. Editora Makron Books Livro: Pronto para a web!: Estratégias para o sucesso na economia, Amir Hartman e John Sifonis. Editora Campus Livro: Empresa turbinada pela web, David S. Pattruck. Editora Campus