Algumas ações fazem parte do planejamento de uma estratégia de mídias digitais. Não podem ser consideradas como um passo-a-passo ou receita para uso, na medida em que cada projeto tem objetivos e contextos diferentes, assim como recursos e condições de realização específicos. Mas podem ser adaptadas a cada situação.
A elaboração da estratégia de mídias digitais procura articular um ou mais canais online a seu contexto de publicação amplo, bem como integrar a experiência do usuário a seus objetivos. Exemplo de caso (lançamento de livro). Leva em conta o contexto em que é desenvolvida e avaliada internamente (certamente diferente da avaliação dos usuários finais dos produtos), o modo como pode aperfeiçoar a experiência dos usuários e aumentar o retorno financeiro ou de imagem de quem publica o veículo. Leva em conta também o contexto de produção, na medida em que numa grande organização há várias camadas estratégicas entre a visão geral, a visão da marca, e cada produto/setor de produção, enquanto numa pequena empresa a estratégia geral tende a convergir diretamente com a experiência dos usuários. Uma boa estratégia de mídias digitais considera práticas de projeto da experiência do usuário adaptadas a objetivos de negócios em diversos níveis.

Inclui processos como

1) Avaliar a visão geral, o valor para o usuário, o foco, o escopo, os objetivos e desafios do projeto a realizar, com uma perspectiva holística dos relacionamentos – para isto, é preciso considerar também o planejamento estratégico de diversas áreas da organização (como desenvolvimento, marketing, vendas, suporte ao usuário, manutenção evolutiva), se não foi feito no planejamento do projeto. 2) Avaliar o posicionamento da organização no ambiente de negócios, em relação a clientes e parceiros, às políticas de comunicação (interlocução) e vendas, à imagem organizacional geral. Quais são as áreas de foco? Quem são os clientes e parceiros? Como estabelecer a melhor interlocução com estas pessoas? 3) Verificar as forças internas, oportunidades, fraquezas e ameaças (FOFA) do contexto da organização que publica as mídias digitais, e, neste contexto, os problemas que a estratégia resolve. 4) Examinar os relacionamentos (online e offline) necessários entre os segmentos (colaboradores, gestores, parceiros e associados, clientes), com o desenho dos principais fluxos de informação e de realização de transações. Os relacionamentos podem ocorrer entre diversas áreas e canais (online ou não) da mesma organização, entre organizações, entre pessoas, etc. 5) Propor as soluções e produtos necessários para realizar ou incrementar estes relacionamentos, o conjunto de ações e canais a serem usados, com a descrição de cada um, suas funções no sistema e relacionamentos que estabelecem com o público. As soluções online incluem desde lojas e plataformas de relacionamento, até as redes de colaboração entre parceiros (comerciais ou acadêmicos, por exemplo), uso de redes sociais, intranets ou portais do conhecimento e extranets. Estas soluções precisam ser encadeadas de maneira simples e evidente, e especialmente, sucintas. São aprovadas pela equipe de criação e outros stakeholders relacionados. 6) Propor um plano informacional e editorial, para a publicação do conteúdo em cada um dos canais. O plano editorial se aplica também em plataformas de vendas de varejo, na medida em que estas incluem a publicação de conteúdo sobre os produtos e ao suporte para as vendas (ajuda, atendimento online e telefônico, política de privacidade, promoções, etc.). 7) Propor um plano de uso de tecnologias que tire partido dos seus recursos, incluindo programas, plataformas, bancos de dados, necessários para sustentar a rede de relacionamentos pessoais, comerciais, acadêmicos necessários, com uma breve explicação da função de cada uma. 8) Propor um plano para a gestão e a colaboração coordenada dos canais, incluindo, se necessário, soluções de logística, atualização, suporte técnico aos sistemas, atendimento ao usuário. 9) Propor um plano de marketing para inserir os produtos no mercado, com ações de publicidade online e offline, malas diretas, seleção de coachs e líderes, acordos de parcerias e afiliação, participação em eventos. 10) Propor um plano de avaliação da estratégia, com o estabelecimento de variáveis cruzadas entre resultados de naturezas heterogêneas (acessos, venda de publicidade, número de usuários cadastrados, criação de produtos, vendas de produtos, tweets, recomendações em redes sociais, seguidores com diferentes graus de interação, retorno sobre o investimento). 11) Comunicar as principais linhas de ação de maneira eficiente com as pessoas que realizam a estratégia. Caso contrário, deixa de ter utilidade. 12) Estabeler um “estado de projeto” constante, em que as redes, seus produtos, sejam revistos e aperfeiçoados baseados em resultados articulados ou casuais e na contribuição orgânica dos seus participantes. A estratégia se relaciona não apenas aos projetos imediatos, mas também a projetos futuros. Depois da elaboração de uma estratégia de mídias digitais geral, parte-se para o detalhamento de cada item e para a revisão das especificações do planejamento inicial, como o orçamento e os recursos necessários à realização, o cronograma, requisitos de qualidade e riscos envolvidos. (Atualizado em 17.9.2015)

Referências

2) ‘Transformer in chief’: The new chief digital officer, Tuck Rickards, Kate Smaje, Vik Sohoni  (McKinsey, acesso em 19.9.2015) The dirty dozen roadmap roadblocks, Jared M. Spool (User Interface Engeneering, acesso em 26.8.2015) The redesign of the design process, Jared M. Spool (acesso em 26.4.2015) UX strategy blueprint, James Kalbach (Experiencing Information, acesso em 27.9.2014) Jim Kalbach – Identifying a UX design strategy, Sean Carmichael (User Interface Engeneering, acesso em 27.9.2014) There is no such thing as UX strategy, Jeff Gothelf (Perception is the experience, acesso em 27.9.2014) Connecting the dots of user experience, de Gianluca Brugnoli (Journal of Information Architecture, acesso em 26.5.2009) When to use which user experience research methods (Alertbox, acesso em 21.11.2008) Web strategy, University of York – descrição da estratégia web da Universidade de York online, 2003 (PDF, acesso em 16.7.2007) Livro: Subject to change – creating great products and services for un uncertain world, de Peter Merholz, Brandon Schauer, David Verba e Todd Wilkens. Sebastopol, CA: O’Reilly, 2008