A diversidade de situações de acesso a mídias digitais muitas vezes leva, no seu projeto, à seleção de usuários e circunstâncias de uso prioritárias. É importante, para isto, manter em foco os interesses e objetivos tanto do negócio, quanto dos usuários.
A identificação dos segmentos prioritários do público de mídias digitais é feita durante a conceituação do projeto. Neste momento, diversos métodos, que variam de acordo com o escopo, ajudam a estabelecer o perfil do público, seus hábitos, seu vocabulário, suas principais características de acesso. Este conhecimento permite ao designer criar layouts que estabeleçam identidade afetiva, cultural, simbólica, com os principais segmentos a quem o canal se dirige. E facilita a estruturação de interfaces adaptadas às condições técnicas e contextuais de uso da maioria, ao levar em conta configurações técnicas como:

Plataformas e sistemas operacionais (Windows, Mac, Linux), em diversas versões

Dispositivos (desktops, laptops, tablets, smartphones), em diversas versões e resoluções

Programas dedicados ou adaptados a diferentes telas (design responsivo)

Browsers e programas de acesso em diferentes versões, diferentes configurações – ocupando diferentes áreas da tela do monitor, com ou sem ferramenta de busca, ícones, letreiros, funcionalidades especiais – como a barra do del.icio.us, por exemplo

Velocidades de conexão

Capacidade/ velocidade de processamento

Fatores como estes interferem no projeto das interfaces e precisam ser considerados antes mesmo que o designer comece a pensar o produto.
Por exemplo: A interface de comércio varejista ou de aplicativo do governo precisa incluir desde as resoluções de tela de desktop mais baixas até telas maiores e de alta resolução, as conexões de acesso lentas, com linhas discadas, conexões móveis, ou conexões ultra rápidas, na medida em que o canal atende a um público amplo e heterogêneo. Já o layout de um site de um grupo de estudos de física nuclear dentro de uma organização pode considerar o equipamento de uso mais comum entre estes profissionais e sua velocidade de conexão. E neste caso, o layout da tela, bem como o uso de imagens, vídeo e recursos dinâmicos, é dirigido para as condições de acesso e necessidade de conteúdo destes usuários. Milissa Tarquini, diretora de design de interface do usuário e arquitetura da informação da AOL em 2007, afirmou que a rolagem de tela não era permitida nos sites da empresa. Textos longos, artigos, listas, eram apresentados em caixas, estas sim, com rolagem vertical. A criação de conteúdo, o design e a programação das páginas eram rigidamente controlados, para se adaptar ao dispositivo dos usuários. No entanto, na medida em que os browsers de acesso deixaram de ser proprietários, as políticas internas de design e produção de conteúdo se adaptaram a configurações genéricas de acesso. (1)
A configuração técnica de uma página ou tela se subordina, em última análise, aos objetivos do canal. Quanto mais amplo e heterogêneo o público, maiores as restrições técnicas para a estruturação das telas. Inversamente, quanto mais segmentado o público, maiores as possibilidades de se estabelecer recortes com as configurações de uso ideais.

Medidas a considerar na personalização do layout de interfaces

Examinar em detalhe as pesquisas e os estudos sobre o usuário, para avaliar os gostos e preferências estético-funcionais do público.

Estabelecer as configurações técnicas prioritárias às quais a interface vai atender e verificar como afetam diretamente o layout. No caso de projeto de um website, verificar o uso por dispositivos móveis desde o início do projeto.

Definir as informações que precisam aparecer no alto das páginas da maioria dos usuários – a partir da resolução de tela e dos equipamentos da maioria.

É importante também definir a área em que a barra de rolagem começa a ser necessária, para que o conteúdo sinalize que avança para baixo – fotos e blocos de textos “partidos” e incompletos, por exemplo, levam os usuários a fazer a rolagem para continuar a leitura.

Desenhar o modelo básico do layout e testá-lo em diferentes situações de uso (browsers, plataformas, resoluções, tamanho do monitor).

Depois da homologação pelos stakeholders, fazer o detalhamento e aplicar o modelo às diversas situações necessárias.

Testar o layout com usuários representativos do público-alvo, de preferência no lugar de acesso das pessoas, de modo a emular as situações de uso mais comuns.

Configurações inclusivas

O controle da estrutura do layout é feito através de folhas de estilo CSS. Alguns desenvolvedores utilizam scripts, “hacks”, outros preferem media queries, que permitem adaptar o canal a diferentes configurações de acesso. No entanto, algumas medidas ajudam a adaptar o layout da interface a públicos amplos:

Adotar padrões web, que seguem recomendações do W3C e aumentam a compatibilidade das interfaces com diferentes plataformas, linguagens e sistemas operacionais.

Configurar layout responsivo, usar media queries em CSS, com a largura da página adaptável a diversas resoluções de tela, especialmente se o site se dirigir a público amplo e não especializado.

Aderir a normas de acessibilidade, como o uso de cores contrastadas para os elementos críticos, para facilitar sua visualização/ identificação ou de “alt” tags para os usuários que não visualizem ou habilitem a visualização de imagens.

Recorrendo ou não a estes recursos, o designer precisa testar exaustivamente os layouts e as configurações em diversas situações de uso, para garantir que suas interfaces se mantêm estruturadas e funcionais para a maioria dos usuários prioritários. Mesmo no caso de canais para públicos restritos, desenhados para atender a interesses específicos, as interfaces devem se manter estruturadas em diferentes situações de acesso. (Atualizado em 12.7.2014)
 

Referências

Where emotional design fails, de Donald Norman (jnd.org, acesso em 20.3.2010) i-Learn (Curso de Formação Web Standards, único centro de treinamento do W3C no Brasil) 1) Rating: Blasting the myth of the fold (Boxes and Arrows, acesso em 11.11.2007) eMAG – Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico do Brasil (link direto para documento zipado) Web Content Accessibility Guidelines 1.0 (acesso em 5.4.2008)