O textos em mídias digitais são, antes de tudo, partes das imagem nas telas dos dispositivos, imagens que na maioria das vezes incluem elementos como menus, ícones, banners. Mas entre esses elementos, são os textos que os usuários procuram para obter as informações básicas.

Pesquisa do Pointer Institute com a Universidade de Stanford mostra que em sites de notícias, os olhos procuram inicialmente os textos, resumos, títulos e legendas. Só depois procuram as fotos e os gráficos, às vezes depois de já terem selecionado um link e lido um artigo em página interna. (1)

Apesar da priorização do texto pelos olhos da maioria dos usuários, a leitura na tela do dispositivo digital tende a ser inquieta, pois a web e os dispositivos móveis estimulam o deslocamento e a ação do usuário, que não costuma ficar na mesma página ou tela por muito tempo. Há muitas fontes de informações e recursos, e os usuários são sempre estimulados ao deslocamento e à atividade, o que exige que os textos se adaptem a estas condições de uso.

Além disso, para fazer frente à necessidade de ação, ou deslocamento, o usuário médio não costuma ler todas as palavras dos textos online, limita-se a “varrê-los” com os olhos, o que é acentuado pelo fato da leitura no monitor ser mais lenta do que sobre papel.

Jakob Nielsen aponta que a leitura descontínua na web é feita mais comumente por usuários com maior grau de letramento. Usuários não acostumados a ler, ou com formação escolar incompleta, costumam ler os textos online palavra por palavra. De modo geral, os usuários leem 18% das palavras de um texto online.

Devido ao modo de leitura fragmentada, os editores não esperam que cada leitor se desloque entre diversas páginas de seu site para encontrar informações sobre um assunto. A leitura se faz na maioria das vezes entre páginas de diferentes sites ou plataformas, intermediada por resultados dos sites de busca, que traçam um roteiro possível de encadeamento.

A edição “mental” de diversos trechos faz com que cada usuário crie um texto novo, que, mesmo que não se explicite, é formado a partir da edição de trechos selecionados em diversas fontes.

Para atender a circunstâncias de uso tão específicas, a redação de textos para leitura online precisa se adaptar aos contextos de uso a que se destinam.

Síntese e objetividade

Devido à leitura fragmentada, os textos para leitura online devem prover mais informações imediatas do que a média dos usuários precisa.

Informações sobre produtos à venda, em especial, podem ter descrições minuciosas, na medida em que alguns usuários procuram detalhes e especificações que influenciam suas escolhas.

Um visitante que procura um eletrodoméstico para comprar precisa de informações como altura, largura, comprimento, funcionalidades, materiais, acabamentos, gasto de emergia, que, em loja física, poderia conferir pessoalmente ou perguntando ao vendedor.

Também devem estar visíveis fotos de detalhes, de diversos ângulos, de oferta de serviços adicionais como condições de entrega, instruções sobre a devolução, garantia estendida.

O texto em tela deve permitir uma leitura rápida e concisa. Muita informação na mesma página afasta os leitores, sendo às vezes melhor dividir o texto em várias páginas, cada uma com um subtema diferente.

Textos mais extensos devem ficar localizados em camadas mais profundas e ter a opção de ser formatados em PDF (embora a localização de assuntos específicos dentro de arquivos PDFs muito grandes não seja fácil).

O mesmo se aplica a listas de links. Muitos links agrupados no mesmo lugar acabam criando muito ruído e desestimulando a seleção. Estas listas devem ser relativamente curtas e organizadas por temas, para que seja fácil selecioná-los.

Os cuidados diversos com a redação permitem que os leitores leiam os textos mais rapidamente e se concentrem melhor no conteúdo.

(Atualizado em 12.10.2011)
 

 
Referências

1) Stanford Poynter Project, acesso em 13.9.2009)

→ >Eyetracking study of Web readers, acesso em 13.9.2009)

How little do users read? (Nielsen Norman Group, 6.8.2008)

How users read on the web (Alertbox)

Lower-literacy users (Alertbox, acesso em 15.5.2005)

Mobile content: If in doubt, leave it out (Alertbox, acesso em 12.10.2011)

Long vs. short articles as content strategy (Alertbox, 12.11.2007)

Livro: Webwriting: Redação e informação para a web, Bruno Rodrigues. Editora Brasport

Livro: Guia de estilo web: Produção e edição de notícias on-line, Luciana Moherdaui. Editora Senac

 

Sobre o proteção de direitos de autoria

How to put the kibosh on content scrapers & thieves (Famous Bloggers, acesso em 19.3.2010)