Referência indispensável ao projeto de produtos digitais, o planejamento estratégico é um dos processos mais importantes de uma organização, pois aponta passos para alcançar os objetivos de negócios, explicitando aspectos como:

As tendências de mudança do mercado, com a verificação dos principais elementos de negócios afetados e as estruturas internas necessárias para dar-lhes suporte.

As diretrizes da estratégia organizacional de imagem.

As políticas de publicação de conteúdo sobre produtos, atividades, notícias.

As estratégias de vendas de produtos e serviços.

As estratégias de desenvolvimento de novos produtos, sejam produtos apenas digitas, ou não.

As políticas de relacionamento com os clientes, com a verificação das principais jornadas dos clientes por cada canal, para a identificação das tecnologias, processos, habilidades e mudanças necessárias a prover boas experiências de uso/contato.

Explicita também aspectos internos como:

A prioridade do atendimento dos interesses dos clientes na cultura interna.

A colaboração entre equipes, para gerar e manter um clima cooperativo, criativo, de experimentação, com empoderamento das pessoas.

A criação/manutenção de processos internos que facilitem os testes com usuários e o lançamento/aperfeiçoamento contínuo de produtos.

As condições financeiras para bancar o planejamento estratégico e suas implicações.

Horizontalidade e a desburocratização de processos, que potencializam a realização de mudanças, sem que seja necessária a aprovação de múltiplas instâncias e departamentos. Na medida em que as organizações vão ficando mais complexas, cada setor passa a ter seus próprios objetivos próprios. Se as prioridades estabelecidas pela área de TI podem não são adequadas às das áreas de negócio, estas podem acabar aproveitando ferramentas como apps, cloud, big data, interfaces tridimensionais, painéis de controle, para gerar soluções próprias.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que no setor industrial brasileiro, durante a década de 2017 a a 2027, a digitalização do processo produtivo deve atingir 21,8% das empresas. Em 2017, o percentual era de 1,6%, sendo que 77,8% das empresas ainda estavam nas gerações tecnológicas 1 e 2. O maior percentual, em dez anos, estaria concentrado nos níveis 3 e 4, com 58,7% das indústrias. A tendência é que as tecnologias 4.0 influenciem cada vez mais as áreas de relacionamento com fornecedores, desenvolvimento de produtos, gestão da produção, relacionamento com clientes e gestão de negócios. Esta tendência afetará diretamente o planejamento estratégico do setor, com maior demanda por produtos digitais e por qualificação de mão de obra, bem como a demanda por políticas públicas de incentivo à indústria. (2)
Informações como estas são necessárias para o correto dimensionamento de um produto digital, tanto em relação a seu contexto interno quanto externo. Um website comercial ou institucional, por exemplo, segue os objetivos e as políticas estabelecidas no planejamento estratégico da organização que o publica, seja na sua linha editorial/ comercial, seja no projeto do layout, na produção editorial, no uso de recursos tecnológicos. Seu projeto pode demandar um planejamento estratégico específico, caso suas referências sejam tão abrangentes quanto as políticas de comunicação ou de vendas de uma organização. Ou pode se inserir no planejamento estratégico de áreas como comunicação, vendas, como um dos seus produtos ou serviços, relacionado ao planejamento institucional mais amplo. O website Americanas.com seguiu inicialmente as linhas traçadas no planejamento das Lojas Americanas, que previa tanto o aumento das lojas físicas quanto o das vendas de varejo online, com o apoio do Submarino.com, adquirido em 2006. A identidade visual dos pontos de venda online e a das lojas presenciais eram relacionadas entre si, bem como o enfoque de preços na venda de produtos. Assim, uma das primeiras preocupações da equipe de projetos de produtos digitais é entender o ambiente de negócios ou de atividades da organização que publica o canal, para que se mantenha convergente com objetivos amplos e reflita diretamente o modo de relacionamento com os clientes internos, externos, parceiros e a sociedade em geral. Esta compreensão se explicita na estruturação, na produção e na atualização do produto, e retorna informação para a tomada de decisões e as escolhas que reconhecem as características, flutuações e incertezas do ambiente de negócios. (Atualizado em 16.12.2017)

Referências

1) Indústria 4.0 deve atingir 21,8% das empresas brasileiras em uma década (Agência Brasil, acesso em 16.12.2017) Nine questions to help you get your digital transformation right, Karel Dörner e Jürgen Meffert (McKinsey, Insights and Publications, acesso em 8.10.2015) The dirty dozen roadmap roadblocks, Bruce McCarthy (User Interface Engeneering, acesso em 10.9.2015) Becoming more strategic: Three tips for any executive (McKinsey Quarterly, acesso em 20.7.2012, mediante assinatura gratuita) 1) The case for behavioral strategy (McKinsey Quarterly, acesso em 17.3.2010) Should you build strategy like you build software? (MIT Sloan Management Review, 8.4.2008, acesso em 25.1.2009, mediante assinatura gratuita)