O modelo conceitual de mídia digital ajuda a estabelecer consenso sobre o produto na equipe de projeto, a avaliar sua aderência aos objetivos e às linhas gerais de desenvolvimento.

Atividades relacionadas à elaboração de modelo conceitual para projeto de mídias digitais incluem:

Entender o produto em seu contexto de uso, com o levantamento de requisitos do projeto, a articulação dos primeiros pressupostos e o entendimento das demandas do público e do cliente, incluindo a articulação dos requisitos comerciais e funcionais necessários para alcançar os objetivos. É importante avaliar as informações coletadas sobre objetivosdefinição do escopo do projeto.

Entre requisitos de caráter amplo estão:

Perfil dos usuários, contexto cultural, necessidades, comportamentos, atividades

Requisitos ambientais, expectativas

 Requisitos comerciais, como expectativas de retorno, fatia do mercado no curto e no médio prazo, área de atuação da empresa, modelo de negócios, como se insere no mercado (horizontal ou verticalmente?)

 A filosofia corporativa (histórias, crenças, visão) da empresa que desenvolve o produto, o ambiente de negócios (como suspender crenças e julgamentos para explorar conceitos novos, permitindo que se desenvolvam e amadureçam)

Recursos para a realização, financeiros, de tempo e de pessoas

Produtos do projeto (tecnologia, processos de produção e lançamento, distribuição, divulgação)

Imagem da marca, seus requisitos (1)

Perfil mais ou menos inovador do produto

As técnicas aplicadas neste processo podem fornecer diferentes tipos de dados, quantitativos ou qualitativos. Dados quantitativos podem ser traduzidos numericamente e geram estatísticas descritivas, como a idade média dos usuários, por exemplo. Dados qualitativos podem ser obtidos por meio de entrevistas com os usuários, com perguntas como “que motivos o/a levaram a trocar seu smartphone?”. Respostas a perguntas como estas permitem a verificação de padrões de comportamento que podem levar à tomada de decisões sobre estes produtos ou outros produtos relacionados.

 Realizar um processo de ideação, com a proposição do maior número possível de soluções potenciais, com diversas abordagens, para solucionar o problema a resolver.

 Selecionar as melhores soluções, processo que, em si, já produz um amadurecimento sobre o produto.

Criar e testar um protótipo de trabalho, como um protótipo de papel, em que os requisitos e soluções propostas possam ser vistas de modo simplificado e ser criticadas e aperfeiçoadas.

O protótipo pode ser inicialmente um modelo conceitual, esboço feito manualmente, com lápis ou caneta sobre papel ou sobre um quadro branco, com as principais áreas de conteúdo e as funcionalidades do site em projeto. Informalmente, permite que o pensamento e as ideias da equipe de projeto fluam com facilidade para a configuração inicial do produto. Os elementos estruturais da interface são previstos um a um e dispostos de diversas maneiras; os modelos rápidos e sem acabamento ajudam a integrar os elementos comerciais e de marketing, do layout e da arquitetura de informações de maneira intuitiva e afinada com as necessidades dos clientes.

O teste inicial ajuda a validar os pressupostos iniciais, transformando-os em requisitos de projeto e neutralizando possíveis influências políticas que possam interferir sobre o desenvolvimento do produto.

Explicitar e registrar os requisitos conceituais em briefing ou sumário executivo, que pode ter o formato do modelo abaixo, com recomendações a partir das informações coletadas em pesquisas, nas conversas e entrevistas por diretores, gerentes, representantes do público-alvo; estabelecer métricas para a avaliação das soluções.

Aperfeiçoar a visão estratégica explicitada no escopo inicial. Deste modo os patrocinadores (sponsors) e stakeholders do projeto anteveem o produto e afinam qualitativa e quantitativamente os objetivos do negócio. O sumário dos requisitos contém as recomendações para a realização da visão, as áreas de negócio envolvidas, o retorno esperado (ROI). E as percepções sobre o que implementar depois do lançamento.

Metas comerciais ou de imagem (exemplo)

Modelo conceitual de projeto de mídia digital
Público-alvo – resumo (quem visita, consulta, compra/consome/ ) Exemplo: Profissionais liberais que precisam de informações atualizadas sobre o assunto. O grande público não acessa o site, a não ser em casos especiais
Perfil sócio-cultural dos usuários
Enfoque da edição e da comunicação Linguagem coloquial? Uso de gírias? Linguagem técnica especializada, sem necessidade de explicar os termos específicos? Notícias? Modo de hierarquização do conteúdo (títulos, subtítulos, olhos).
Funcionalidades e serviços Ferramentas de inserção de comentários, venda de artigos, acessibilidade, formulários, envio automatizado de malas diretas, uso de sistema de gerenciamento de conteúdo, animações, banners, ferramenta de comércio, blogs, mídias sociais, envio de arquivos pelos clientes, uso de bancos de dados dedicado, outras plataformas participativas, APIs
Características técnicas da interface Exemplo: Resoluções de tela para melhor visualização; tamanho dos monitores, sem rolagem horizontal; sistemas operacionais (Windows 7, Vista, XP, Linux, Mac OS 10 ou mais recente); browsers: Internet Explorer 6.01 ou mais recente, Firefox Mozilla 3.0 ou mais recente, Opera, Safari (Mac OS); formato dos arquivos para download. É necessário o usuário habilitar Javascript 1.1 no browser; uso ou não de frames, uso ou não de mapas de imagens (caso estes recursos sejam usados, o layout e as funcionalidades devem se manter estruturadas). CSS em arquivo externo. Principais páginas registradas em arquivo sitemap.xml, com grau de relevância de cada página na estrutura. Publicação de arquivo robots.txt na raiz do site. Uso de microformatos específicos e RDFa para marcar (com tags) as páginas. “Title” e “alt” tags configuráveis pelos usuários. Validação em sites avaliadores de acessibilidade e compatibilidade com padrões web.
Outros requisitos do cliente Aspectos não necessariamente técnicos ou comerciais que o cliente considera importante para o produto. Podem ser de ordem subjetiva e muitas vezes não são explicitados claramente, mas apreendidos em conversa ou comentário de um email. “O site deve estar integrado à estratégia de marca da empresa para todos os produtos”, ou “As tarefas em processamento devem ser sinalizadas ao usuário enquanto em elaboração”, por exemplo.
Recomendações para o layout Cores e tipologias utilizadas em identidades visuais, associação a um determinado grupo de pessoas (jovens universitários antenados com tendências artísticas internacionais, grupos de culturas regionais, empresa que quer se destacar por usas ações de proteção da natureza). Malha gráfica mais ou menos flexível à fragmentação, estrutura de informação mais “côncava” (fechada) ou “convexa” (aberta), que exija maiores ou menores barras de navegação aparentes, etc. Sinalização de links, legibilidade de textos, modelos de anúncios, localização de informação de contato.
Metas de usabilidade Tamanho de imagens, tempo de carregação das páginas, tempo para realizar tarefas, número de cliques máximo para realizar uma tarefa, por exemplo.
Metas de acessibilidade O sistema deve validar no site Da Silva, os links das barras de navegação devem ser numerados para facilitar o uso por programas ledores de tela, por exemplo.
Metas de compatibilidade
Principais palavras-chave associadas
Principais indicadores para medir o desempenho do produto
Análise da concorrência
Perfil comercial ou de atividades da concorrência
Perfil tecnológico dos usuários (condições de uso, conexão, dispositivos, programas)
Personas (pessoas representativas do público que vai visitar/ usar o ambiente web) Descrição das principais características
Persona 1 Características Cenário
Persona 2 Características Cenário
Persona3 Características Cenário
Persona 1 Características Cenário
Concorrência direta e indireta
Critério (exemplos) Nome da org. Nome da org.
Itens nav. principal
Itens nav. secund.
Conteúdo da Principal
Serviços oferecidos
Funcionalidades especiais
Condicionantes
Metodologia de gestão de projetos
Recursos financeiros
Tempo

É importante relatar os riscos da solução proposta em relação aos objetivos do projeto e em relação às condições técnicas, com a proposição de alternativas para evitá-los ou atenuar os efeitos negativos.

Na elaboração deste sumário, é importante considerar o perfil do público, suas expectativas, seu posicionamento em relação ao projeto.

 Apresentar os requisitos aos stakeholders – Envolvê-los em relação às soluções, para que se posicionem em relação a elas de maneira construtiva.

A planilha deve ser postada em local (físico ou online) que os integrantes da equipe de projeto possam consultá-la sempre que preciso.

É preciso manter em perspectiva que o plano de projeto é um documento “vivo”, que muda na medida em que o projeto evolui e se obtenha mais informações sobre o produto, os usuários e os fatores condicionantes do desenvolvimento.

(Atualizado em 17.1.2017)

 

Referências

Preventing the executive swoop and poop with design sprints, Jared Spool (User Interface Engeneering, acesso em 10.1.2016)

1)  Gamification in concept design: applying market mechanisms to enhance innovation and predict concept performance, Søren Ingomar Petersen e Hokyoung Blake Ryu (Ingenta Connect, acesso em 8.4.2015)

The UX research plan that stakeholders love, Tomer Sharon (Smashing Magazine, acesso em 22.2.2012)

Paper prototyping: Getting user data before you code (Alerbox, acesso em 28.12.2008)

Livro: Subject to change – creating great products and services for un uncertain world, de Peter Merholz, Brandon Schauer, David Verba e Todd Wilkens. Sebastopol, CA: OáReilly, 2008.

Bringing user centered design to the agile environment, Anthony Colfelt (Boxesandarrow, 31.1.2010, acesso em 19.3.2010)

Sketchboards: Discover better + faster UX solutions (Adaptive Path, acesso em 12.1.2009, não mais disponível no endereço acessado)