A usabilidade de mídias digitais direta ou indiretamente leva em conta o contexto cultural em que o relacionamento com os clientes se estabelece, que começa na organização que publica o produto e se estende a ambientes mais amplos, como os da cidade e do país onde se encontram.

 Em maio de 2015 o tempo médio de visita do usuário de internet no Brasil a uma página era de 4 minutos, menos 9% que no mesmo período de 2014. Esta diminuição do tempo de permanência por página se deveu ao maior uso de smartphones – eram 13,94% das conexões à internet em maio de 2014; e em 2015 passaram a 29,51% (alta de 112%). (3)

 Pesquisa realizada nos EUA em 2009 na Southern Illinois University, mostrou que homens gostavam de interfaces rápidas e downloads rápidos, enquanto as mulheres preferiam a facilidade de uso e navegação, bem como interfaces acessíveis. Os pesquisadores atribuíramm as diferenças possivelmente ao modo de uso da web por homens e mulheres. (1) A diferença de preferências entre gêneros poderia estar também relacionada a questões culturais no contexto examinado.

A qualidade da experiência de uso das interfaces web de organizações, em serviços comerciais prestados ao público aberto, ou em sites de comunidades, se estende desde o conjunto de experiências compartilhadas até as experiências subjetivas de cada usuário.

O estabelecimento de consensos qualitativos sobre as interfaces digitais está ligado ao uso e recepção das interfaces em cada contexto, ao modo como as pessoas e os grupos se comunicam e como estabelecem identidades coletivas que as diferenciam de outros ambientes. Esse uso se estende a pessoas com diferentes níveis de conhecimento de interfaces digitais, diferentes interesses e necessidades, diferentes idades e características demográficas.

 Se um grupo de pais de adolescentes de um colégio faz um grupo online para trocar ideias e informações, o site do colégio pode prover funcionalidades adequadas ao perfil destas pessoas, aos modos de agrupamento, ao acervo de informações que o grupo vai construindo a partir da convivência.

A interface e a usabilidade vai aos poucos a se adaptando às demandas funcionais e afetivas de seus usuários, podendo ganhar recursos como quadro de avisos, ferramenta de busca, acesso via senha, novo layout. Pode acontecer que o resultado seja uma interface cujo uso seja consolidado pelo grupo, mas não seja a melhor solução em outros contextos com a mesma finalidade. Neste caso, se a solução funciona e é bem recebida, acaba sendo aperfeiçoada baseada nos mesmos critérios.

Por meio de pesquisas com usuários, a identidade cultural da interface pode ser prevista em seu projeto junto com sua funcionalidade, e se consolidar (ou não) na medida em que o público e os colaboradores envolvidos vão deixando as marcas da sua participação.

O ideal é que a participação seja tão intensa que os colaboradores se tornem co-autores da interface. Os melhores requisitos de usabilidade se estabelecem por consenso.

Os usuários que se sentem confortáveis, atendidos nas suas necessidades funcionais, e no controle das ações relativas ao canal, ficam mais receptivos à atualização do conteúdo e à funcionalidade dos recursos tecnológicos.

De qualquer modo, quando não houver um contexto cultural definido – o que acontece especialmente em produtos com público amplo e indiferenciado, especialistas em design e experiência do usuário, como Don Norman, afirmam que é preciso priorizar a eficiência funcional: “a tecnologia define a atividade. Por sua vez, a atividade define o design. Quando o design é apropriado à tecnologia, as pessoas o aceitam, independentemente da cultura.” (2)

Os argumentos de Norman geram polêmica, e cabe a cada projetista examinar o contexto de criação e uso de cada produto para decidir a importância do ambiente social em seu layout e suas funcionalidades.

(Atualizado em 26.8.2015)

 

Referências

3) Brasileiro passa 4 minutos em uma página da internet, diz Google, pesquisa “Micro-Momentos”, feita pelo Google (Olhar Digital, acesso em 26.8.2015)

2) Does culture matter for product design? (Core77, acesso em 10.1.2012)

1) Usability study: Men need speed – Study: Web users prefer speed over customization (Optimization Week, acesso em 28.4.2009)

Livro: Coordinating user interfaces for consistency, Jakob Nielsen. Morgan Kaufmann Publishers, San Francisco, 2002

Enterprise usability, de Jakob Nielsen (Alertbox, acesso em 12.11.2005)

Digital divide: The three stages, de Jakob Nielsen, sobre questões de usabilidade a observar em relação à exclusão digital (Alertbox, 20.11.2006)

Lower-literacy users, de Jakob Nielsen, sobre a usabilidade na web para usuários pouco habituados a ler (Alertbox, 14.5.2005)

Heurísticas para avaliação de usabilidade de portais corporativos (Documento elaborado por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de Mestrado, acesso em 2.11.2008)

Tá difícil, site sobre a usabilidade de interfaces, objetos, serviços difíceis de usar. Contém fotos ilustrativas dos problemas e é alimentado pelo público, mas não é atualizado desde 2016.