O preparo do material a ser usado no teste de usabilidade ajuda a comunicação do facilitador com os participantes e também a coleta de dados mais precisos, aumentando as chances do produto alcançar os seus objetivos.
O material a ser preparado para os testes se adapta a cada situação, e de modo geral inclui:

O roteiro geral das atividades, que explica a cada participante o que vai acontecer durante o teste. É um texto curto (de até uma página), relativamente informal, a ser lido no início de cada seção, com informações como os objetivos do teste, quem aplica, o que há no ambiente em volta, atividades a desenvolver.

É importante estabelecer, para este momento de primeiro contato, uma atmosfera cordial, oferecer um cafezinho, responder a dúvidas, explicar que não são eles(as) o(a)s participantes que estão sendo testados, mas a interface, e explicar que é produtivo que descrevam, em voz alta, os seus procedimentos e decisões.

O questionário de dados pessoais, a ser preenchido por cada participante, com questões que mostram sua formação, experiência, preferências pessoais. Estas informações ajudam a entender determinadas atitudes e decisões durante o teste, bem como a confirmar se a pessoa tem o perfil esperado.

Os documentos de coleta dos dados, de modo que possam ser analisados facilmente e gerem resultados úteis. Estes documentos recebem dados sobre as tarefas realizadas e não realizadas, o tempo que os participantes levaram para completar as tarefas, número de erros, opiniões e sugestões geradas durante a realização da tarefa.

Dependendo do grau de formalidade do projeto, pode ser importante produzir termos de confidencialidade sobre informações conhecidas durante o teste e autorização de uso da imagem filmada, em que o participante se compromete a não revelar o que viu/ experimentou durante o teste, bem como autoriza o uso da gravação e da sua imagem para análise.

Os cenários de tarefas que os usuários vão realizar, como se estivessem usando um website já publicado. Estes cenários muitas vezes incluem conjuntos de tarefas realizadas juntas ou encadeadas. Devem propor tarefas realistas e na ordem em que serão realizadas na vida real.

As tarefas devem ser comunicadas ao participante de maneira clara, sem jargões ou gírias de uso privado da equipe, e a quantidade de trabalho de cada tarefa deve ser dosada de modo a facilitar sua realização.

Os testes-piloto com participantes que participam do ambiente de projeto, para aparar as arestas do roteiro e mesmo verificar a utilidade das questões apresentadas. Se for possível, fazer um pilototambém com usuários representativos do público final.

Os questionários pós-teste, com impressões sobre o produto, opiniões, sensações, sugestões, que forneçam informações adicionais às coletadas a partir dos cenários e ajudem a aperfeiçoar o produto.

Guia para o debriefing, ou da análise das ações e reações dos participantes. Este guia não contém um questionário estruturado, mas as linhas de ação para uma conversa sobre o teste em si.

O grau de detalhamento de cada um destes elementos depende do tipo de teste a ser realizado e também da estratégia de testes realizada ao longo do projeto – quantas vezes serão realizados, os recursos envolvidos, número de participantes e seu escopo. (Publicado em 19.10.2008. Atualizado em 17.8.2014)  

Referências

Livro: Handbook of usability testing – How to plan, design and conduct effective tests, de Jeffrey Rubin. New York: Wiley, 1994. 2) Why you only need to test with 5 users (AlertBox, acesso em 12.10.2008) Quick turnaround usability testing (Boxes and Arrows, acesso em 20.9.2008)

Mais sobre o assunto (links externos)

Research logistics, de Demetrius Madrigal (Boxes and Arrows, acesso em 8.1.2010) Should designers and developers do usability? (AlertBox, acesso em 28.6.2007) Fast, cheap, and good: Yes, you can have it all, de Jakob Nielsen, sobre a relação entre preço, qualidade e tempo de realização de testes de usuários (AlertBox, acesso em 2.1.2007)