Em projetos de mídias digitais, a feição administrativa e a gestão da criação, ou da experiência criativa do usuário, de viés mais subjetivo, são dois aspectos que influenciam o uso. Podem ser realizados ou não pelo mesmo profissional.
A gestão de um projeto de mídia digital começa com o planejamento das atividades, das referências, dos cuidados a considerar, e se estende ao acompanhamento da conceituação, da estruturação, da produção e do lançamento do veículo. Para realizar estes pacotes de trabalho, a gestão do projeto aplica metodologias, conhecimento específico e habilidades, que considera as características de cada produto e seu modo de interlocução com o público. Como na gestão de projetos de qualquer natureza, em projetos digitais é preciso estabelecer e manter as referências de prazos e custos, das atividades a realizar, dos padrões de qualidade, dos fatores de prevenção de riscos. Para isto, o gestor aplica ferramentas gerenciais sem as quais poderia “perder o rumo” dos objetivos e chegar a um produto muito distante do previsto inicialmente. No entanto, a gestão de um projeto digital não se resume à aplicação de métodos e ao acompanhamento de atividades. Como um veículo de interlocução com o público, as interfaces web tem características específicas, que o projeto considera, como:

Contato com o público permeado por fatores afetivos e perceptivos que afetam a experiência de uso. A linguagem visual, conceitual e funcional precisa levar estes fatores em consideração.

O empoderamento do usuário se estabelece na medida em que este se sente identificado, incluído no/pelo veículo. Sem a transformação do visitante em parceiro, ou em co-autor do site, a interface com o usuário não se consolida.

As ferramentas tecnológicas potencializam os processos subjetivos entre os usuários/leitores/consumidores e a interface web, e contribuem para sua efetivação.

Questões como estas estão presentes durante o projeto da interface e não são resolvidas apenas com a realização das atividades dentro dos prazos e orçamento previstos (embora estas façanhas sejam importantes). De aspecto subjetivo, exigem que o gestor de projeto digital seja também um gestor de criação – ou tenha uma visão clara da experiência do usuário e dos processos subjetivos que a permeiam. E em alguns casos, exigem a separação das funções de gestão de projeto e gestão de criação. Neste caso,

O gestor de projeto é responsável pela aplicação das ferramentas adequadas para realizar as atividades e para atender aos requisitos necessários.

O gestor de criação ou o designer da experiência do usuário, em alguns casos diretor de criação torna o contato, uso, interlocução entre o usuário e a interface, uma ocasião especial.

Dependendo da natureza do projeto, seja uma loja online, um informativo, um game, o enfoque visual, editorial e de tratamento da informação, prevê uma diferente adaptação para o veículo.

No projeto de um informativo, por exemplo, o gestor de criação tem comprometimento direto com o enfoque do conteúdo a ser publicado, e neste caso o ideal é que este profissional seja também um editor.

Este enfoque interpretativo, criador, que mantém a abordagem conceitual integrada aos diversos elementos da interface, é um diferencial que condiciona a receptividade do veículo online pelo público e ajuda a garantir que o público se mantenha no controle da sua interlocução com o canal. Esta interlocução também, criadora.

Em muitos casos, a gestão do projeto e a gestão da criação podem convergir. Mas as atribuições de cada uma são distintas e atendem a requisitos bem específicos. (Atualizado em 19.1.2012)  

Referências

Livro: The elementos of user interface experience – user-centered design for the web, de Jesse James Garret. New York: New Riders, 2003. Desenvolve a concepção de projeto web como um conjunto de fatores que precisam se integrar para criar experiências especiais de uso

Mais sobre o assunto (link externo)

Developing agile team maturity, de Tamara Sulaiman (Projects@Work, acesso em 24.1.2008)

Ferramentas para trabalho colaborativo

Trello.com – ajuda a participação de cada integrante da equipe através de pequenos painéis que identificam processos e as pessoas envolvidas em cada um (acesso em 19.1.2012) Dabbleboard.com – quadro branco compartilhável, para a realização de reuniões, sem necessidade de cadastro (acesso em 24.6.2010) Adobe Connect Now – plataforma online com diversos recursos como compartilhamento de tela, quadro branco, video conferência, chat (acesso em 24.6.2010) Glasscubes – plataforma online para a criação de ambientes colaborativos e intranets (acesso em 27.5.2010) Dimdim – ambiente para reuniões virtuais com compartilhamento de tela, gratuito até 20 participantes (acesso em 7.1.2010) Mikogo – ambiente para reuniões, conferências virtuais e suporte remoto (acesso em 8.1.2010)