Consistência em interfaces digitais refere-se à homogeneidade e à coerência de tratamento de situações, apresentadas e acionadas de maneira semelhante. Antecipando as respostas do sistema, interfaces consistentes facilitam o aprendizado e aumentam a produtividade de seus usuários, que cometem menos erros e controlam melhor suas ações.
De modo geral, a consistência funcional se refere a modelos e convenções de funcionalidade, de estrutura visual e de tratamento de conteúdo estabelecidos e aplicados a todo ambiente e conteúdo em contextos semelhantes. A consistência está diretamente relacionada ao modo como as ações são realizadas, aos comandos e uso de terminologias a elas associados.

Por exemplo, se as cores dos links variam de tela a tela, o usuário pode se confundir sobre sua funcionalidade. Estas cores devem se manter constantes durante toda a experiência de uso.

A aplicação de soluções consistentes ajuda não só os usuários, mas também os desenvolvedores: a produção de modelos (templates) e estilos CSS evita que novas soluções precisem ser reinventadas a cada situação.

Fatores relacionados à consistência das interfaces digitais

Coordenação entre a funcionalidade da interface e o comportamento do usuário – Quando o design de interfaces ajuda o processo cognitivo do usuário, facilita seu aprendizado e reduz a incidência de erros (por meio de redundâncias), mostra apenas as diferenças necessárias, converte processos de elaboração em percepções imediatas, facilitando a aprendizagem, a experimentação e a colaboração com outras pessoas.
Nest ainterface usa-se os botões abaixo do medidor para mudar os parâmetros da consulta: por período, no mês, no dia, hora, segundo, por habitante. A resposta é precisa e imediata.
Nesta interface, usa-se os botões abaixo do medidor para mudar os parâmetros da consulta: por período, no mês, no dia, por hora ou segundo, por habitante. A resposta é precisa e imediata.
Uso de websites em diversos dispositivos, por exemplo, demanda a adaptação ergonômica dos botões para utilização híbrida. As áreas para toque com dedo precisam ser maiores e adaptadas para os locais da tela onde os dedos ficam mais confortáveis para ação se precisam segurar o dispositivo. Enquanto em smartphones a área de baixo é mais procurada para realizar ações, nos tablets todas as “pontas”, ou bordas externas, são preferidas, na medida em que são usados em diversas posições e o uso do polegar, apenas, pode ficar desconfortável. Provimento de retorno claro e imediato de que uma ação foi realizada ou um resultado foi atingido. O retorno implica no envio, ao usuário, de resposta à sua entrada de informação (seja a inserção de um texto, seja a realização de uma ação como o acionamento de um botão, por exemplo), comunicando o resultado da ação. Quando se digita um texto num teclado, por exemplo, o retorno é o aparecimento das letras tecladas numa tela, o que nos permite conferir se a tecla correta foi acionada. Se a ação foi realizada por engano, deve ser reversível.

 Acionar um link na web conduz a uma tela localizada em outra tela, por exemplo. Quando o usuário acessa a nova tela deve poder retornar à página que via antes.

Experiência de uso com ferramentas diversificadas para acompanhar o usuário à medida que progride. Muitas vezes o/a usuário/a experimenta um produto ou plataforma em camadas. Quando o conhece, geralmente cria uma primeira impressão a partir do design e da estrutura de conteúdo da tela inicial e suas configurações default. A partir daí, quando se aprofunda na interface, vai aos poucos sendo informado e orientado para encadear o fluxo de suas ações, reações, respostas. Pode eventualmente buscar suporte, mas prefere ser o agente desta demanda a receber apoio não solicitado. Quando a experiência de uso é flexível e adaptável, sua jornada é bem sucedida e eventualmente pode até oferecer suporte para conhecidos. Invisibilidade do conceito aplicado na estrutura de navegação e de dados – Os elementos ficam disponíveis para o uso, mas sua matriz conceitual aparece de maneira discreta. Visibilidade informativa – a aparência de ícones, idiomas, cores, fontes, boxes, setas, e outras convenções adotadas, sinaliza seu uso. Os sinais de navegação, localização e orientação devem ser visíveis quando o usuário precisar deles. Em smartphones, para que o polegar possa digitar e clicar facilmente, a parte de baixo da tela é mais privilegiada do que o alto (ao contrário de em interfaces para desktop). E como os dedos cobrem a tela se precisam acionar botões no alto, a área ativa embaixo ajuda a mantê-la mais livre para visualização. Layout e funcionalidades do programa previsíveis, de acordo com modelos padronizados (malha, telas, logotipos, cores, tipologias, bullets). Se, no entanto, um objeto está relacionado a uma ação ou área de navegação “diferente” da atual, deve parecer diferente.
Padronização do layout geral do programa
A diferença de cores sinalizando a mudança de área de conteúdo.
Elementos com funcionalidades semelhantes devem ser agrupados segundo uma estrutura de navegação previsível, em que os elementos de layout sejam baseados nos mesmos critérios, especialmente os mais notados pelos usuários. Posicionamento dos elementos de acordo com convenções gerais aceitas pelo senso comum, especialmente em portais dirigidos a públicos heterogêneos e não-especializado. Consistência terminológica – uso dos mesmos termos para designar as mesmas informações. Especificações editoriais ajudam a uniformizar as referências mais comuns, como o tratamento do nome da empresa e dos produtos que oferece. A consistência terminológica inclui também a linguagem dos textos familiar à maioria dos usuários, com pouco uso de jargões e mensagens cifradas, restritas a grupos. Áreas de informações relacionadas às expectativas dos usuários para o conteúdo principal

Exemplo: É comum que museus e sites de museus tenham uma lojinha de lembranças, assim muitos usuários procuram por esta área e esperam encontrá-la.

Possibilidade de desfazer a maioria das ações. (Atualizado em 20.8.2014)  

Referências

New rule: every desktop design has to go finger-friendly – Part 1, Josh Clark (User Interface Engeneering, acesso em 20.8.2014) Ten usability heuristics, por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de mestrado, acesso em 2.11.2008 Livro: Coordinating user interfaces for consistency, Jakob Nielsen. Morgan Kaufmann Publishers, San Francisco, 2002 Why consistency is critical First impressions and calls to action: An evaluation of Oprahstore.com (Usability News, acesso em 15.7.2010) Look inside a 1,024 recipe multivariate experiment (YouTube, acesso em 27.12.2009) The $300 million button, Jared Spool (User Interface Engeneering, acesso em 27.12.2009) Usability.net – Methods table (Documento elaborado por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de Mestrado, acesso em 2.11.2008) Heurísticas para avaliação de usabilidade de portais corporativos (Documento elaborado por Cláudia Dias, extraído de sua dissertação de Mestrado, acesso em 2.11.2008) Tá difícil, site sobre a usabilidade de interfaces, objetos, serviços difíceis de usar. Contém fotos ilustrativas dos problemas e é alimentado pelo público First principles of interaction design, Bruce Tognazzini Human-centered design considered harmful, Donald Norman (jnd.org)  

Manuais e cartilhas de usabilidade

Patterns for sign up & ramp up Inspiration and guidelines from the web 2.0 landscape, Adaptive Path (acesso em 23.4.2010) Cartilha de usabilidade para sítios e portais do Governo Federal, editada pelo Comitê-Técnico de Gestão de Sítios e Serviços On-line do Governo Eletrônico Manual de usabilidade dos serviços públicos (PDF, 24 páginas) do Governo do estado de São Paulo regras básicas sobre acessibilidade em websites